Intervenção de Miguel Violante, XXI Congresso do PCP

Organização Regional de Beja

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A política de direita dos Governos PS, PSD e CDS é responsável pela ausência de respostas aos problemas no distrito de Beja. O desmantelamento do aparelho produtivo, conjugado com um modelo agrícola explorador e insustentável do ponto de vista social, ambiental e económico, imposto pelas regras da Política Agrícola Comum, tem contribuído para o aumento dos níveis desemprego, em particular entre os jovens trabalhadores.

Os baixos salários e as baixas reformas praticadas, a proliferação de vínculos de trabalho temporários agravam a instabilidade e vida de milhares de trabalhadores, forçando muitos a saírem do distrito e país!

No sector agrícola, que continua a ter um peso determinante na Região, assistimos a novas praças de jorna nos campos por trabalhadores quase exclusivamente imigrantes muitos deles sem qualquer vínculo laboral, sem ordenado fixo, vivendo em condições desumanas, sujeitando-se a tudo, na perspectiva de permanecerem no nosso país a longo prazo. Uma realidade sobre a qual o Partido tem vindo a intervir e a denunciar com várias iniciativas como é exemplo a concentração realizada na Barragem do Enxóe em Pias, que juntou mais de 60 pessoas.

Nas minas da SOMINCOR e ALMINA, os trabalhadores continuam sem ver as suas carreiras valorizadas, no que respeita ao salário base, proliferando a precariedade e no que respeita à penosidade e risco do trabalho executado, comprovado com a morte de quatro mineiros nos últimos 3 anos.

Daqui saudamos a luta e a vitória pela antecipação da reforma dos trabalhadores das lavarias, vitória obtida pelas muitas formas de luta nos últimos anos e que contou desde a primeira hora com a intervenção do PCP.

As lutas desenvolvidas pelos trabalhadores das Autarquias Locais, pelos professores, auxiliares de acção educativa, médicos e enfermeiros, pelo aumento de salários, a valorização das carreiras, a regulação dos horários e pelas 35 horas de trabalho para todos os trabalhadores, vêm comprovar que os problemas dos trabalhadores não se encontram resolvidos, confirmando não só a necessidade mas a disponibilidade para prosseguir a luta em defesa desses direitos.
Em matéria de desenvolvimento regional e acessibilidades
continuamos com o IP8 por concretizar, um Aeroporto desaproveitado e uma linha férrea que remonta ao século passado, sem que se vislumbrem quaisquer indícios de interesse em modernizá-la,

fatores que contribuem não só para o despovoamento mas também para um maior isolamento do distrito.

Quando a população do concelho de Beja se concentra à porta do Hospital, ou marcha pela cidade em defesa da construção da 2ª fase do Hospital e pela reposição do serviço de obstetrícia; quando a população de Ferreira do Alentejo se concentra em frente ao Centro de Saúde a exigir mais profissionais, ou quando a população de Serpa se junta em frente ao Hospital contra o encerramento das urgências nocturnas, estão a dar força à luta dos profissionais de saúde e a defender o Serviço Nacional de Saúde Público, Gratuito e de Qualidade.

Lutas e reivindicações que evidenciam a necessidade da construção da alternativa política que o distrito precisa, que sirva os interesses dos trabalhadores e do povo, só possível com a luta dos trabalhadores e das populações. Para isso é fundamental o reforço do Partido nas empresas e locais de trabalho.

Os 116 novos militantes dos 257 contactos resultantes da campanha dos 5000 contactos, permitiram identificar camaradas para responsabilização de mais tarefas a partir das empresas e locais de trabalho, permitiu que pudéssemos definir o objectivo da criação de 14 novas células de empresa e locais de trabalho, ligando o Partido com a vida e a realidade dos trabalhadores do distrito.

À beira de completar cem anos, o nosso Partido mostra que tem um projecto de futuro e é pela luta que construiremos esse futuro, um futuro sem exploração do homem pelo homem e pela construção do socialismo e comunismo.

VIVA O PCP

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