Intervenção de Albano Nunes, Membro da Comissão Central de Controlo, XXI Congresso do PCP

Actualidade da ideologia marxista-leninista

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Camaradas

“Na ideologia das classes exploradas, o marxismo-leninismo é um instrumento de análise da realidade e guia para a acção. É um sistema de teorias que se fundem numa teoria revolucionária que “explica o mundo e indica como transformá-lo” acompanhando as transformações objectivas da realidade”. Esta afirmação do camarada Álvaro Cunhal em “O Partido com Paredes de Vidro”, é uma excelente chave para compreender o poder de atracção e a força mobilizadora de uma ideologia que, sendo a ideologia da classe operária, exerce uma grande influência entre outras classes e camadas anti-monopolista e no movimento de libertação dos povos sujeitos ao domínio colonial e neo-colonial.

A vitalidade e a actualidade do marxismo-leninismo, a perenidade dos seus princípios e teses fundamentais, reside na sua natureza materialista e dialética inseparável da prática e que, por isso mesmo, constantemente se renova em função das novas realidades, conhecimentos e experiências, acompanhando e antecipando o movimento da sociedade.

A classe dominante procura por todos os meios desacreditar o marxismo-leninismo, ideologia que considera intrinsecamente perversa e contrária à “ordem natural das coisas”. Pretende assim justificar a sua política de exploração, desarmar a classe operária e roubar aos trabalhadores a bússola indispensável à sua luta pois que, como Lénine sublinhou, sem teoria revolucionária não pode haver movimento revolucionário. Além de que as ideias quando apropriadas pelas massas tornam-se uma força material poderosa, força que pode ser conservadora – e a ideologia dominante na sociedade é sempre a ideologia da classe dominante – ou transformadora e revolucionária. Como escreveu Marx “a arma da crítica não pode substituir a crítica das armas: o poder material tem de ser derrubado por poder material; só que também a teoria se torna poder material assim que agarra as massas”.

A luta das ideias é uma forma da luta de classes que em certos momentos pode ser decisiva. Na actualidade a agudização do confronto ideológico e a frequência de violentas campanhas anti-comunistas de revisão da História e de branqueamento e promoção do fascismo, constitui um traço marcante da situação internacional. A braços com o aprofundamento da sua crise estrutural e com o amadurecimento das condições materiais objectivas para a superação revolucionária do capitalismo, a classe dominante procura impedir que as ideias revolucionárias do marxismo-leninismo ganhem as massas, orientem a sua luta e as conduzam à revolução.

Tomando o desejo por realidade, os ideólogos da burguesia consideram que o marxismo-leninismo é algo de datado, ultrapassado, derrotado, mas como o nosso Partido evidenciou com as Conferências comemorativas dos bicentenários de Karl Marx e de Friedrich Engels, a experiência mostra precisamente o contrário. E mostra-o desde logo confirmando as grandes teses do materialismo histórico quanto ao sentido da evolução mundial.

Camaradas

É certo que o processo de libertação social e humano é irregular e acidentado e que o caminho para o triunfo do socialismo se revelou um processo mais complexo e demorado do que previsto. Porém tal não desmente que os grandes avanços e transformações revolucionárias do século XX estejam indissoluvelmente ligados à acção revolucionária das forças que têm o marxismo-leninismo como base teórica e ao papel da URSS e do campo socialista.

As dramáticas derrotas do socialismo não apagam esta realidade que os ideólogos do capital tudo fazem por escamotear e até inverter. Trinta anos passados sobre o triunfalismo da “morte do comunismo” e do “fim da história” aquilo que, como se afirma no projecto de Resolução Política, decisivamente marca a actualidade é o aprofundamento da crise estrutural do capitalismo e a exigência da sua superação revolucionária.

Mas o capitalismo não cai por si, tem de ser derrubado pela força. Também aqui a prática confirma as grandes teses do marxismo-leninismo relativas à revolução, à teoria da luta de classes, ao papel das massas e da sua luta como motor da revolução, à missão histórica da classe operária, à necessidade do partido de novo tipo, ao Estado como questão central de cada revolução, à socialização dos grandes meios de produção, ao internacionalismo proletário. A história do movimento comunista e revolucionário internacional mostra que é na aplicação viva e criadora dos princípios fundamentais do marxismo-leninismo que se fortalecem os partidos comunistas e que, pelo contrário, o afastamento deles tal como a sua consideração dogmática, conduz à degenerescência e à derrota.

Ao celebrar o seu 100º aniversário o PCP pode orgulhar-se da sua contribuição para a confirmação da validade do marxismo-leninismo e para o seu enriquecimento. Uma contribuição em que é justo destacar o papel do camarada Álvaro Cunhal, cujo nome ficará para sempre ligado à teoria e à prática da Revolução de Abril, à primeira e única revolução na Europa depois dos anos quarenta. A aplicação criativa do marxismo-leninismo à análise da realidade portuguesa que, entre outras obras de Álvaro Cunhal tem no “Rumo à Vitória” uma brilhante expressão - apontando ao povo português o caminho de uma revolução original, democrática e nacional, que o processo da Revolução de Abril veio confirmar – constitui um notável exemplo da contribuição do PCP para o enriquecimento da ideologia da classe operária. Também particularmente relevante é a sua contribuição, sintetizando e teorizando a experiência própria do PCP, para o enriquecimento da concepção de partido comunista, contribuição que nos lega em “O Partido com Paredes de Vidro”.

Camaradas

Tendo o marxismo-leninismo como base teórica o PCP tem bem presente a sua natureza anti-dogmática e, no quadro dos seus princípios e teses fundamentais, rejeita a existência de “modelos” de revolução. Lénine, ao mesmo tempo que sublinhava a importância histórica universal da Revolução de Outubro advertia: “Todas as nações chegarão ao socialismo, isso ‘inevitável, mas chegarão todas de modo não absolutamente idêntico...”.

A revolução portuguesa seguiu e segue o seu próprio caminho. Nos dias de hoje lutamos pela realização do Programa do Partido “Uma democracia avançada, os valores de Abril no futuro de Portugal”, etapa actual da luta pelo socialismo no nosso país. Uma luta que como bem sabemos, é particularmente exigente e difícil mas que travamos com a profunda convicção de que, armados com a ideologia do marxismo-leninismo, estamos do lado certo da História.

Viva o marxismo-leninismo
Viva o XXI Congresso
Viva o PCP

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