Caro camarada Emilio Lozada García
Chefe do Departamento de Relações Internacionais do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba
Caros camaradas,
Permitam-me que em primeiro lugar e em nome do PCP agradeça o convite que nos foi dirigido para participar nesta iniciativa e expressar a calorosa e solidária saudação dos comunistas portugueses ao Partido Comunista de Cuba e, por seu intermédio, ao povo cubano, neste momento tão difícil.
Gostaria ainda de saudar fraternalmente todos os presentes.
A mais recente escalada de agressão do imperialismo norte-americano contra Cuba só pode suscitar da parte dos comunistas, e de todos os democratas no mundo, a mais veemente denúncia, condenação e repúdio.
Não há palavras para expressar o quanto é hipócrita a proclamação de Trump de que as políticas, práticas e acções do Governo de Cuba constituem uma dita «ameaça inusual e extraordinária» à «segurança nacional e à política externa» dos EUA.
Uma inaceitável proclamação que acresce ao agravamento do cruel, criminoso e ilegal bloqueio que os EUA impõem há décadas a Cuba, à inclusão de Cuba na ilegítima e arbitrária lista dos EUA de ditos “países patrocinadores do terrorismo”, assim como à sistemática acção de ingerência e subversão que os EUA continuam a desferir contra a soberania e os direitos do povo cubano.
Todas e cada uma destas medidas e acção afrontam os princípios da Carta das Nações Unidas e o direito internacional e são continuadamente condenadas por esse mundo fora.
É dever de todos afirmar que são os EUA, e não Cuba, que têm vindo a praticar uma política de ingerência, de agressão, de terrorismo de Estado contra outros países e povos, como vemos na Venezuela ou no Irão.
São os EUA, e não Cuba, que desrespeitam e agridem os direitos humanos e os direitos dos povos e a sua soberania, com vemos no seu apoio ao genocídio do povo palestiniano às mãos de Israel.
São os EUA, e não Cuba, que representam a mais séria ameaça à Paz e à segurança dos povos na América Latina e Caraíbas, no Médio Oriente, na Europa e noutras regiões do mundo.
É nosso dever esclarecer que enquanto os EUA exportam armamento, guerra, subversão, golpes de Estado, destruição, sofrimento e morte, Cuba exporta ajuda médica, solidariedade, amizade, esperança, alternativa e confiança num futuro melhor.
A Revolução cubana sempre foi assim ao longo da sua história, uma exaltante afirmação de soberania e independência nacional, de construção de uma sociedade nova, de seres humanos livres, liberta de injustiças e desigualdades, o socialismo.
E quantas lutas pela conquista da independência nacional? Quantas lutas contra a ingerência, a desestabilização e a agressão do imperialismo? Quantas lutas por direitos, por melhores condições de vida, pelo progresso social? Quantos povos foram ajudados solidariamente por Cuba?
Camaradas,
Estamos conscientes das dificuldades, dos problemas, dos enormes desafios que estão colocados a Cuba. Como estamos conscientes da séria ameaça que representa a investida dirigida pelo imperialismo norte-americano a todos os povos do mundo.
Por isso consideramos que o exemplo de dignidade, de coragem, de soberania, de solidariedade, que Cuba dá ao mundo, num tempo em que o imperialismo afia as garras e fala abertamente de neocolonialismo e colonialismo, ganha ainda uma maior importância e um mais valioso significado.
Não é possível desligar a intensificação da agressão dos EUA a Cuba do plano mais vasto do imperialismo norte-americano de impor o seu domínio na América Latina e nas Caraíbas, em que se inserem a agressão militar à Venezuela bolivariana e o sequestro do Presidente, Nicolás Maduro, assim como as ameaças dirigidas à Colômbia, ao México e a outros países – a quem expressamos a nossa solidariedade.
Por isso consideramos que o incremento da agressão dos EUA à soberania e aos direitos do povo cubano representa também uma acrescida ameaça à soberania e aos direitos dos outros povos latino-americanos e de todo o mundo.
Valorizar a determinação do povo cubano e do seu Partido, o Partido Comunista de Cuba, que, ao longo de décadas, enfrentam a ingerência e a agressão do imperialismo é, assim, um dever de todos nós.
A resistência que Cuba leva a cabo não trava apenas os projectos reaccionários que pretendem voltar a submeter o povo cubano ao imperialismo.
A resistência de Cuba desperta consciências e demonstra que, mesmo violentamente agredida, é possível resistir e avançar.
Da nossa parte, da parte do PCP, continuaremos empenhados na solidariedade com Cuba, com o povo cubano e a sua Revolução socialista, exigindo o respeito da soberania e independência da República de Cuba e dos direitos do seu povo, incluindo o direito a decidir soberanamente o seu caminho, livre de ingerências, pressões e ameaças externas.
Cuba não está só!
Viva o Partido Comunista de Cuba!
Viva o povo cubano!
Viva Cuba socialista!
