Nota do Gabinete de Imprensa do PCP

Sobre o chamado PTRR apresentado pelo Primeiro-Ministro

A apresentação pelo Governo do chamado PTRR é, no essencial, um exercício de propaganda e uma fraude política. 

Propaganda quando procura iludir com esta iniciativa aquilo que toda a gente já percebeu: os anúncios são muitos mas não chegam a quem deles necessita. Três meses depois das tempestades está ainda quase tudo por fazer. Na reconstrução, nos apoios às empresas, na limpeza da floresta, nos apoios às famílias e às autarquias. Não é aceitável que o Primeiro-Ministro procure diluir numa nova vaga de anúncios a resposta mais imediata que se impõe face às consequência das tempestades. Não há forma de fazer esquecer a ausência dessa resposta por via de um enumerado de promessas futuras.

Fraude política, porque uma vez mais o Governo anuncia o que já tinha anunciado noutros momentos. Porque atira para 2034 as respostas para fugir ao que não está a ser concretizado no curto prazo. Porque soma valores a fundo perdido, empréstimos, fundos comunitários de projectos que já estavam em curso, muitos deles em atraso de execução, para fazer inchar montantes, sem que isso acrescente nada ao investimento público de que Portugal precisa.

Da parte do PCP reafirma-se que o que se exige é mais acção e investimento e menos ilusão. A mobilização de recursos que o País precisa de fazer para responder às intempéries exige outras opções e políticas que este Governo não quer fazer. A resposta global que assegure um desenvolvimento à altura das necessidades do País exige a ruptura com uma política que coloca a submissão às regras do Euro e a propaganda dos  excedentes orçamentais à frente e em prejuízo do investimento público, da valorização dos serviços públicos, do estímulo à produção nacional e à defesa da capacidade produtiva e dos sectores estratégicos nacionais.

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