Pergunta ao Governo N.º 1787/XVII/1.ª

Situação de habitações da Congreira, na freguesia de Vila Chã, Concelho de Vila do Conde

Na Congreira Vila Chã, Vila do Conde, há um conjunto de casas cujos moradores pagam renda do terreno ao Ministério do Ambiente, pagam IMI, têm abastecimento de energia elétrica e de água e ligação à rede de saneamento, mas veem-se sem assistência em momentos de avanço do mar e outros eventos meteorológicos extremos, como o comboio de tempestades que assolou o país em fevereiro e que provocou a destruição do passadiço e do muro que separa as casas da praia, tendo a APA suspendido uma intervenção de emergência efectuada pela autarquia por falta de parecer. O local em causa insere-se numa zona altamente vulnerável ao avanço do mar, estando caracterizada no Programa da Orla Costeira-Caminha Espinho (POC-CE), como “área crítica” e sendo previsto o “recuo planeado”, com a demolição dessas habitações.

No entanto, as tempestades de fevereiro tornaram evidente que não há uma reposta imediata para mitigar consequências deste tipo de eventos, nem ninguém assume a responsabilidade por essa mitigação, situação que assume contornos caricatos, tendo em conta que os terrenos são do Estado e a responsabilidade da sua gestão é do Ministério do Ambiente, que inclusivamente recebe rendas.

Assim, ao abrigo da alínea d) do artigo 156.º da Constituição da República Portuguesa e nos termos e para os efeitos do 229.º do Regimento da Assembleia da República, o Grupo Parlamentar do PCP solicita ao Governo, através do Ministério do Ambiente e Energia, os seguintes esclarecimentos:

1. Tem o Governo conhecimento da situação descrita?

2 – Sendo o Ministério do Ambiente o titular dos terrenos, que medidas irá tomar para salvaguardar as casas e os bens daqueles moradores?

3 – Houve algum contacto por parte do Ministério do Ambiente com aqueles moradores?

4 – Estando previsto no POC-CE a demolição daquelas habitações, que medidas estão previstas medidas para o realojamento dos seus moradores?