Têm sido recorrentes as descargas poluentes das fábricas de laticínios da Catraia de S.
Romão/Carragosela, no Rio Cobral Segundo os populares, as incontroladas descargas de efluentes transformaram aquele curso de água pura de montanha num imenso esgoto a céu aberto, como a recente reportagem da televisão SIC, demonstrou à evidência.
As consequências deste impune atentado ambiental para o ser humano e para a natureza são gravíssimas, refletindo-se de forma dramática na generalizada poluição dos prados, provocando a rejeição do pasto pelos animais, no envenenamento dos lençóis freáticos, que obrigou à selagem do poço de abastecimento de água à Freguesia de Meruge, no desaparecimento da vida animal e vegetal no leito do rio, na proliferação de mosquitos, saídos dos lodos putrefactos, causadores de doenças graves, na emanação diária de insuportáveis cheiros nauseabundos a soro e leite podres, que afastam turistas e obrigam moradores ao uso de máscaras.
A indústria de lacticínios é uma atividade económica importante para a região. Mas este crime ambiental reiterado e impune há mais de 30 anos tem de ser parado. Pelo respeito devido às populações ribeirinhas, pelo direito destas a um ambiente saudável, pelo imperativo democrático do Estado de fiscalizar e fazer cumprir as leis de proteção do meio ambiente em vigor, para que se dissipe a perceção popular de que “comem os cães com os lobos e a culpa é das ovelhas”.
As reiteradas denúncias da Junta de Freguesia de Meruge e de grande número de particulares têm sido acompanhadas por apelos de intervenção à APA, ao IGAMAOTE, ao SEPNA. Os sucessivos protestos e a recente reunião com a APA e o SEPNA-Lousã, convocada pela Câmara a pedido da Junta de Freguesia de Meruge, não tiveram resultados.
É um ato de pura demagogia propagandear lugares cimeiros nos rankings europeus de proteção ambiental, avanços extraordinários na despoluição dos cursos de água, na utilização das energias limpas, etc., mas manter esta chaga viva, atentatória da saúde pública e da qualidade de vida das populações ribeirinhas de Catraia de S. Romão, Torroselo, Várzea de Meruge, Meruge, Lageosa/Cobral, Lagares da Beira e Travanca de Lagos.
Assim, e ao abrigo da alínea d) do artigo 156.º da Constituição da República Portuguesa, e nos termos e para os efeitos do artigo 229.º do Regimento da Assembleia da República, o Grupo Parlamentar do PCP solicita ao Governo, por intermédio do Ministério do Ambiente e Energia, os seguintes esclarecimentos:
- Que medidas tomou ou vai tomar e que meios disponibilizou para que cessem de imediato as descargas poluidoras no Rio Cobral e se proceda à recuperação ambiental deste importante curso de água?