Voto de Pesar N.º n.º 773/XVII/2.ª

Pelas vítimas resultantes da política de colonização e genocídio por parte de Israel, independentemente da sua nacionalidade, e em prol da paz justa e duradoura no Médio Oriente

Três anos de agressão militar sobre a população palestiniana em Gaza impõem a evocação de todos os vitimados pela violência de Israel, bem como das vítimas inocentes dos ataques de 7 de outubro de 2023. A

este propósito, o Secretário-Geral da ONU afirmou: «É importante reconhecer que os ataques do Hamas não aconteceram num vazio». António Guterres falou de décadas de «ocupação sufocante», durante as quais o povo palestiniano «tem visto a sua terra ser sistematicamente devorada por colonatos e sujeita à violência. As suas esperanças numa solução política desvanecem-se».

A situação tem responsáveis: os governos de Israel, autores de décadas de crimes e da rejeição da aplicação das resoluções da ONU e dos acordos internacionais que determinam a concretização do Estado da Palestina, e os que os apoiam e com eles são cúmplices.

As ações de violência contra as populações, sejam elas a palestiniana, a libanesa, a síria, a iraniana, a israelita ou qualquer outra, são sempre condenáveis.

A barbárie desencadeada contra os palestinianos, antes e após os ataques de 7 de outubro, constitui um crime de enormes proporções.

O pesar deve abranger todas as vítimas que resultam da política de ocupação israelita, independentemente da sua nacionalidade. Isolar os acontecimentos de 7 de outubro, sem condenar a negação dos direitos dos palestinianos e os crimes cometidos por Israel ao longo de décadas, constitui um ato de falsificação histórica e de sonegação do genocídio perpetrado contra este povo.

Assim, a Assembleia da República:

Manifesta o seu profundo pesar pelas centenas de vítimas inocentes no ataque de 7 de outubro de 2023, pelas mais de 70 mil vítimas mortais causadas nos últimos três anos na Palestina e pelas demais vítimas no Médio Oriente causadas pela política de colonização e genocídio de Israel, expressa a sua solidariedade para com o povo palestiniano e insta à imediata concretização do Estado da Palestina e a uma paz justa e duradoura em toda a região.

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