Senhora Presidente, Senhor António Costa, 27 primeiros‑ministros e chefes de Estado entram numa sala acompanhados por si e pela Senhora Ursula von der Leyen, para uma reunião do Conselho Europeu. Catorze horas depois de a reunião ter começado, anunciam as conclusões.
Não há uma medida para travar o aumento do custo de vida, para controlar preços, para enfrentar a acumulação de lucros das multinacionais e dos grupos económicos.
Não há uma proposta para promover aumentos de salários e pensões. Não há uma única medida para garantir o direito à habitação ou o acesso à saúde.
Não há uma única iniciativa política ou diplomática para pôr fim à guerra da Ucrânia, para construir a paz e a segurança coletiva de que necessitam todos os povos da Europa. A única coisa que anunciam sobre isso é mais dinheiro para continuar a guerra e alargar as frentes de batalha.
Não há uma única palavra sobre um orçamento que corresponda às necessidades dos povos, e a perspetiva de um quadro financeiro plurianual orientado para isso é cada vez mais uma miragem face à dura realidade da vertigem do militarismo e da guerra.
Senhor Costa, para a União Europeia sorrir de frente para as multinacionais tem de estar de costas voltadas para os povos. Não se admirem depois se as pessoas enchem ruas e praças para lutar pelos seus direitos.







