Senhor deputado João Torres,
Este debate sobre rendimentos é oportuno, mas temos presente as ambiguidades e até os entraves colocados pelo PS a avanços na melhoria das condições dos trabalhadores e dos pensionistas.
Ainda recentemente, o PS não acompanhou o PCP para o aumento intercalar das pensões em pelo menos 50 euros para todos os pensionistas.
Não entende o PS que essa proposta responderia a uma necessidade vital para largos milhares de pensionistas e reformados que recebem pensões tão baixas que em muitas prestações não dão sequer para pagar o cabaz de bens alimentares essenciais?
O PS continua a multiplicar intervenções em torno da sua obsessão pela redução dos impostos e do IVA Zero sobre os alimentos – o mesmo que a presidente executiva da SONAE agradeceu, pelo proveito que obtêm as grandes superfícies.
Aliás, o PS manifesta pouca preocupação com os lucros desproporcionados das grandes superfícies e das gasolineiras.
Mas, pergunto-lhe, senhor deputado, por que razões não acompanhou as propostas do PCP para a fixação dos preços dos alimentos e dos combustíveis e a limitação das margens de lucro?
Ou, também como exemplo, como votou o PS as sucessivas propostas do PCP para fixar o preço da botija de gás em 20 euros?
O PS vem com a proposta de prémios sobre salários e qualificações…
Não considera que o que é necessário é combater a precariedade, garantir a estabilidade no emprego e pagar salários justos, como forma de valorizar as qualificações e travar o êxodo de jovens formados nas Universidades Públicas?



