O acordo de última hora entre PSD/CDS e o PS assegurou a aprovação da PSU sem perder a sua conceção profundamente reacionária, embora permitindo que a aliança preferencial com o Chega não se concretizasse.
Esta iniciativa, a forma como foi apresentada e o simulacro de discussão dizem muito do preconceito da direita contra os pobres.
Entre outros aspetos negativos, salienta-se a falta a referência ao valor da prestação social única, pelo que a nova prestação poderá ser de valor inferior, a redução dos apoios e a exclusão de beneficiários, o que faz recear o aumento da pobreza.
A variação do valor da PSU em função de rendimentos do trabalho será um incentivo aos salários baixos, mantendo os trabalhadores pobres reféns da sua pobreza.
A ponderação conjugada e gestão articulada da PSU com outras prestações pode levar ao corte de outros apoios que o requerente já tem.
A imposição de atividades de solidariedade social, isto é, trabalho não remunerado, em gratidão eterna dos pobres pelas ajudas que recebem, não mostra apenas uma visão caritativa passadista.
É um verdadeiro castigo que traduz um preconceito injusto e inaceitável para que a direita possa continuar a propalar a ideia de que os pobres são pobres porque querem.
A direita tem o maior escrúpulo com os impostos dos contribuintes com que o Estado apoia os pobres e quer cortar despesa, mas não regateia os milhares de milhões de benefícios e isenções fiscais que oferece aos mais ricos!
Esta prestação social única contribuirá para uma maior estigmatização, condena ao ciclo da pobreza e culpabiliza os pobres pela própria pobreza.
Por isso votámos contra.







