Senhor Presidente, Senhor Comissário Kadis, os defensores das políticas liberais e neoliberais vêm hoje defender medidas protecionistas do setor da siderurgia no espaço da União Europeia porque, afinal de contas, o mercado livre, funcionando livremente, pode destruir a capacidade de produção de aço na União Europeia. E é óbvio que isso é assim porque os mercados não são livres e porque, quando os mercados funcionam e põem em causa a produção, têm de se tomar medidas de proteção dessa produção, seja ela industrial ou outra.
O problema é que o que está hoje em causa mostra que os Estados-Membros não são todos iguais dentro da União Europeia: quando está em causa a produção industrial portuguesa no setor têxtil, no setor automóvel, no material elétrico, não há medidas de proteção; quando está em causa a produção do aço da Alemanha e da Itália, que juntas representam mais de 50 % da produção do aço da União Europeia, aparece a preocupação com a indústria, aparecem as medidas protecionistas, e lá se vai à vida o mercado livre.
E é preciso, Senhor Comissário, ter em conta os impactos que estas medidas têm na indústria transformadora. Porque, se estas medidas forem por diante, o que vai acontecer é que a indústria transformadora vai ter de comprar à Alemanha aço mais caro do que aquele que compra hoje a outros fornecedores, e isso também não é defender a produção industrial nesses setores transformadores.



