A grande Greve Geral de hoje constitui uma poderosa acção para a derrota do Pacote Laboral, apresentado pelo Governo PSD/CDS e apoiado pelo Chega , IL e confederações patronais, e uma clara rejeição do retrocesso social e do aumento da exploração que querem impor aos trabalhadores.
Uma inequívoca rejeição da tentativa de agravar a insustentável situação de baixos salários, promover os despedimentos sem justa causa, generalizar e perpetuar a precariedade, desregular ainda mais os horários de trabalho, atacar os direitos dos pais e das crianças, a contratação colectiva, o direito à greve, o direito de acção e informação sindical.
Uma jornada de luta que é também uma forte expressão de descontentamento e indignação dos trabalhadores contra o aumento do custo de vida, a degradação e desmantelamento dos serviços públicos, as dificuldades de acesso à habitação, pela defesa de direitos e por melhores condições de vida.
Uma Greve Geral que, integrada num impressionante movimento de luta desenvolvido a partir do Verão de 2025, se realiza num momento crucial da vida do País e no seguimento do envio do Pacote Laboral por parte do Governo para a Assembleia da República. Uma Greve que constitui um sinal claro de disponibilidade para a intensificação e multiplicação da luta para a derrota do Pacote Laboral e pela exigência de melhores salários e pensões, condições de vida e de trabalho, de justiça, dignidade e respeito.
É de sublinhar a participação de trabalhadores que nunca tinham feito greve, com vínculos efectivos e precários, a participação destacada dos jovens, das mulheres, dos imigrantes, numa Greve Geral no patamar das maiores até hoje realizadas, que teve uma grande participação e impacto em todo o País, com uma forte expressão nos diversos sectores de actividade, no sector privado e no sector público, assumindo-se como uma grande afirmação da força e da unidade dos trabalhadores.
Na indústria, nos diversos sectores, em inúmeras empresas como a Groz Beckert, Ficocables, AAPICO, Browning, ZF, Mitsubishi, Faurécia, Aumovio, Bosch, Apptiv, Amtrol-Alpha, Herdemar, Horse (ex-Renault), Huf, GLN - Novares, DS Smith, Exide, Celcat, Frismag, Hanon, Visteon, Teijin, Forvia, Sovena, SMP, Euroresinas, Orica, Hutchinson, Minas da Panasqueira, Tearfil, Mabera (ex-Coelima), Tescap, Huber Tricot, Ecco, Paulo Oliveira, Penteadora, Gallo Vidro, Viroc, Super Bock, Lactogal, Cerealto, Cervejas da Madeira, Carnes Nobre, Bimbo, Cofisa, Vitacress, Silotagus, nos resíduos, como a Valorsul, Amarsul ERSUC e Gesamb.
Nos transportes, com a paralisação do Metropolitano de Lisboa, CP, IP, STCP, dos transportes municipais (Braga, Coimbra, Barreiro, Portalegre), elevadas adesões no Metro do Porto, no Metro Sul do Tejo, na Carris, na Transtejo/Soflusa, na Atlantic Ferries, nos transportes rodoviários privados de passageiros. Os portos nacionais tiveram uma elevada adesão, que em grande parte os paralisaram. No sector aéreo,com uma adesão próxima da totalidade, excepto a realização dos serviços mínimos.
Na Administração Pública, com uma grande adesão na saúde (hospitais e centros de saúde), na educação, com a generalidade das escolas fechadas, no ensino superior, na segurança social, na justiça, nas finanças, nos museus e outros serviços, salientando-se também a forte adesão na Administração Local.
Nos serviços da logística, grande distribuição comercial, hotelaria e cantinas, no sector financeiro e no sector social, nomeadamente em IPSS e Misericórdias.
Noutros sectores, com uma elevada expressão nos correios, telecomunicações, energia, cultura, artes e espectáculos e comunicação social, bem como a paralisação das lotas de pesca.
A Greve Geral traduziu-se também na participação de muitos milhares de pessoas em centenas de piquetes e dezenas de concentrações e manifestações nas ruas por todo o País.
O PCP saúda os trabalhadores pela sua participação na Greve Geral, saúda a CGTP-IN, a grande central sindical dos trabalhadores portugueses que a convocou, saúda as estruturas sindicais e outras organizações dos trabalhadores que marcaram posição e se associaram, os milhares de dirigentes e delegados sindicais, membros de Comissões de Trabalhadores e todos os trabalhadores, que participaram activamente no esclarecimento, na mobilização e na organização que determinou o êxito desta grande e oportuna jornada de luta.
Uma grande Greve Geral, cujo êxito assume ainda mais significado quando enfrentou e derrotou pressões, chantagens, abuso dos serviços mínimos para limitar o direito à greve e tentativas de manipulação e silenciamento.
Face a uma legislação laboral já muito desfavorável aos trabalhadores, o que se impõe é a derrota e o abandono do Pacote Laboral e avançar com a revogação das normas gravosas que já hoje integram a legislação laboral.
Com uma vida marcada por crescentes dificuldades, pelo aumento do custo de vida e por profundas injustiças e desigualdades que contrastam com a acumulação de lucros colossais pelos grupos económicos e as multinacionais, os trabalhadores e o povo fizeram ouvir a sua voz. E perante um Governo PSD/CDS que, com o apoio da IL e do Chega, desenvolve uma política anti-social, antidemocrática e anti-patriótica, onde se inclui o Pacote Laboral, o ataque ao SNS, à Segurança Social, à Escola Pública, as privatizações, a negação do direito à habitação, a entrega de milhares de milhões de euros de recursos públicos ao grande capital, quando estes partidos procuram o entendimento para um golpe de subversão da Constituição da República, a força da luta dos trabalhadores evidenciou a necessidade da ruptura com esta política e este rumo de injustiça e desastre nacional.
Aumentar salários, combater a precariedade, valorizar a contratação colectiva, defender e reforçar os serviços públicos, garantir o direito à habitação e os direitos dos pais e das crianças, promover a produção nacional e o investimento público, é esse o rumo que se impõe.
A Greve Geral de hoje, e todo o processo de luta que a antecedeu e prosseguirá, é um sinal de combate e esperança. Mostra que é possível derrotar o Pacote Laboral, e que há força para defender os direitos dos trabalhadores e do povo, para defender os valores de Abril, romper com a política de direita e abrir o caminho que o País precisa, onde os direitos de quem trabalha são condição e objectivo do desenvolvimento.
Força para impor o rumo para um Portugal justo, desenvolvido e soberano, com o cumprimento da Constituição da República e a aplicação dos direitos que consagra, um caminho que está nas mãos dos trabalhadores, da juventude, do povo, dessa força imensa que hoje mais uma vez se demonstrou.


