O Estatuto do Antigo Combatente já prevê a gratuitidade dos transportes para os combatentes e para as respetivas viúvas.
Mas a forma como o sistema de transportes públicos está construído, liberalizado pela mão do PSD, CDS e PS, com o apoio do Chega e da IL, e a falta de vontade governativa impedem o seu cumprimento.
Nenhuma das propostas em debate propõe resolver o problema de fundo, com o acesso gratuito aos transportes pelos antigos combatentes mediante a apresentação do seu cartão.
O impacto económico desta medida é evidentemente suportável, mas não se faz porque o sector de transportes liberalizado não funciona assim e o Governo não quer que funcione para os antigos combatentes.
Mesmo que PSD, CDS e PS quisessem emendar a mão, os antigos combatentes e as populações continuariam prejudicados com a baixíssima oferta, em resultado da destruição da Rodoviária Nacional e do encerramento de centenas de quilómetros de linhas férreas encerradas.
Multiplicaram-se concessões e operadores privados que custam mais de mil milhões de euros/ano e criam entraves a uma verdadeira promoção do transporte público ao serviço das necessidades das populações.
O PSD e o CDS, agentes da liberalização dos transportes, fazem o mal e a caramunha: complexificaram o mecanismo e, agora, recomendam a simplificação do mecanismo...
E assim chegamos a este agendamento do PSD e do CDS, que recomenda ao Governo PSD/CDS que faça o que o Governo PSD/CDS não faz porque não quer.
Isto é brincar com os Antigos Combatentes e tomar-nos a todos por tolos.
Recordamos que o passe intermodal, que simplificou enormemente o sistema de bilhética e passes, só existe pela ação e pela luta do PCP durante mais de 20 anos pela criação do passe intermodal.
Um passe para todos os operadores no seio de uma mesma região foi a iniciativa do PCP que revolucionou a mobilidade nas áreas metropolitanas e que urge alargar a todas as CIM.
Até isso PSD e o CDS sempre rejeitaram. Eram os tempos em que o diabo estava sempre para vir…
Os antigos combatentes precisam do que os autores das iniciativas em debate e o PS recusam: transportes gratuitos; respostas atempadas nas próteses e apoio médico; complemento vitalício de pensão; uma pensão mínima de dignidade.
São atos concretos, que PSD, CDS, IL e PS não querem, traindo as expectativas que criaram aos antigos combatentes.

