1. Enquanto as populações e os trabalhadores são diariamente confrontados com a falta de meios e recursos para satisfazer necessidades básicas, como as da alimentação ou da habitação, a banca comercial anuncia lucros conjuntos do primeiro semestre (dos cinco maiores bancos a operar em Portugal) de 2.519 milhões de euros, tendo 1.346 milhões (mais de metade) sido obtidos através de taxas e comissões bancárias.
Estes lucros, em contraste com a situação difícil que atinge a maioria da população são uma expressão das profundas injustiças que marcam a vida nacional e que têm na banca privada um real sorvedouro de recursos do País (grande parte destes lucros vai parar ao estrangeiro), com custos para a actividade económica, especialmente para os MPME e para os trabalhadores e suas famílias.
2. Os lucros revelados pela banca, que ascendem a 14 milhões de euros por dia neste primeiro semestre, representam recursos extraídos directamente à economia nacional, extorquidos por via de taxas e comissões que urge limitar e mesmo pôr fim, como o PCP propõe. Ao mesmo tempo, a banca no seu conjunto encerrou nos últimos anos centenas de balcões e serviços, retirou caixas automáticas (multibancos) às populações, despediu milhares de trabalhadores e atacou os seus direitos, reduzindo a sua presença no território com impactos sociais e económicos, em nome do lucro e dos dividendos dos grandes accionistas a quem a banca já prometeu a quase integral atribuição dos lucros.
3. O PCP denuncia o constante alinhamento de sucessivos governos com o capital financeiro, das privatizações ao financiamento pelo Estado dos buracos da corrupção na banca, da chocante prescrição de crimes de cartelização (agora limitada pela intervenção e iniciativa do PCP na Assembleia da República) à violação das chamadas leis da concorrência, passando por escandalosos benefícios fiscais de largos milhões de euros à extorsão dos clientes através da cobrança de injustificáveis taxas e comissões, a que se soma o seu papel na promoção da especulação imobiliária com profundos impactos na negação do direito à habitação e no financiamento à economia.
4. Para o PCP, a dimensão destes lucros não são nem expressão das virtudes da banca nem da situação económica do País, mas sim uma ilustração de uma política ao serviço do capital com a qual é preciso romper.
