Intervenção de Gonçalo Francisco, Membro da JCP, Mesa Redonda «Plataformas digitais – tecnologia, trabalho e exploração»

A JCP ao lado dos jovens trabalhadores das plataformas

Camaradas e amigos

A organização de Lisboa da JCP tem procurado na sua intervenção junto dos jovens trabalhadores aprofundar o conhecimento e a sua ligação aos trabalhadores dos aplicativos.

Neste sentido têm sido realizados diversas acções de contacto com estes trabalhadores pelos diversos concelhos do distrito de Lisboa, apostando em lugares de concentração como os centros comerciais e junto de grandes cadeias de restauração.

Das conversas que temos desenvolvido são levantados problemas concretos desta actividade, problemas gerais que afectam a maioria dos trabalhadores, e também problemas recorrentes dos trabalhadores imigrantes.

As duas questões mais apontadas pelos trabalhadores dos aplicativos prende-se por um lado com a total desproteção a que estes estão sujeitos, consequente de não terem um vínculo com a empresa, estando por exemplo conta própria em caso de acidente e não tendo direito a baixa, mas também a questão de serem estes assumir os custos que deviam e são responsabilidade da entidade patronal, como o caso das mochilas que custam mais de 50 euros e vão se desgastando com o tempo.

Outra questão é o sistema de avaliação injusto e desfasado que só serve para penalizar os trabalhadores, mas nunca para premiar, em que alguma complicação que surja, quer seja culpa da aplicação ou do restaurante é sempre o trabalhador que sai prejudicado, sofrendo penalizações tais como não recebendo tantos pedidos ao ponto de ser impedido de trabalhar, como também toda a carga psicológica associada a estar constantemente a ser avaliado sobre algo que tem pouca ou nenhuma influência.

Muitos dos trabalhadores dos aplicativos são imigrantes, levantando problemas como discriminações de que são alvo, como também a burocracia e o tempo que leva a por exemplo pedir a passagem da carta de condução do seu país de origem para a portuguesa ou questões de regularização da sua situação de residência em Portugal.

Por fim o baixo rendimento auferido por pedido obriga a longas jornadas de trabalho que permitam fazer face as despesas ao final do mês, sempre numa grande incerteza pois há dias em que não se faz nada ou muito pouco, por vezes nas condições mais adversas como com chuva ou de noite. Os trabalhadores inclusive falavam que se a plataforma digital define um ponto no qual têm de estar para receber pedidos, esse local devia ter condições mínimas de higiene e segurança, como proteger da chuva.

Durante a pandemia estes trabalhadores foram considerados essenciais pelo facto de nunca terem parado de laborar, e pelo seu contributo para que muitos restaurantes pudessem continuar a funcionar. Se são essenciais devem ver os seus rendimentos e condições de trabalho valorizados.

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