Nos dias 6 e 9 de Agosto de 1945, os EUA utilizaram pela primeira e única vez a arma nuclear, bombardearam sucessivamente as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasáqui, provocando de imediato 200.000 mortos e deixando um rasto de destruição e de sofrimento, provocado pelas radiações atómicas, que chegou aos nossos dias. Esta foi a única vez que a arma nuclear foi alguma vez utilizada.
Trata-se de um dos mais trágicos acontecimentos que a História regista, um crime monstruoso que nada, absolutamente nada, pode justificar. Prosseguir e intensificar a luta para impedir que um tal crime se repita, para que a arma nuclear jamais seja de novo utilizada, seja proibida e abolida, é uma exigência tanto mais imperiosa quando os EUA violam e rasgam importantes acordos sobre limitação e redução das armas nucleares e se verifica, por parte dos partidários do militarismo e da guerra, uma frenética corrida aos armamentos, incluindo a armas de destruição maciça, a par da banalização e mesmo ameaça do recurso à arma nuclear.
Perante tão perigosa situação o PCP considera seu dever lembrar uma vez mais que o holocausto das populações de Hiroshima e Nagasáqui, cometido aliás quando o Japão militarista estava já derrotado, foi uma criminosa manifestação de força imperialista tendo como objectivo apagar o papel determinante da União Soviética na derrota do nazi-fascismo e do militarismo japonês e impor ao mundo o domínio do imperialismo norte-americano.
O conhecimento da verdade sobre a história do século XX, e em particular sobre as origens e o fim da II Guerra Mundial, é indispensável para desmontar as operações de manipulação ideológica do imperialismo e dar mais força e confiança à luta contra a insana escalada militarista conduzida pelos EUA com os seus aliados do G7, da NATO e da União Europeia, escalada que, a não ser contrariada, poderá arrastar o mundo para um conflito mundial de catastróficas proporções.
Evocando os trágicos acontecimentos de 6 e 9 de Agosto de 1945 e alertando para os perigos de uma situação internacional em que avultam os colossais aumentos das despesas militares e reais preparativos de guerra, o PCP considera que a guerra não é inevitável, que a última palavra será sempre a dos povos e da sua aspiração à liberdade, ao progresso social e à paz.
Valorizando as acções que têm tido lugar em Portugal em defesa da paz e em solidariedade com os povos que resistem à agressão e à ingerência do imperialismo, o PCP confirma o seu empenho em contribuir, no plano nacional e internacional para o fortalecimento da luta pelo desarmamento e a paz, profundamente convicto em que o desenvolvimento da luta libertadora dos trabalhadores e dos povos, contra o militarismo e a guerra, pela solução política dos conflitos, pela paz, triunfará. E que, honrando os valores da Revolução de Abril, libertando-se da submissão aos ditames da NATO e da União Europeia cada vez mais militarista, cumprindo com a política de paz e amizade com todos os povos inscrita na Constituição da República, Portugal pode e deve dar uma importante contribuição para o desarmamento, incluindo a abolição das armas nucleares e para a construção de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos.
Como a experiência está a mostrar a luta contra o imperialismo e a guerra, pela paz e o desarmamento, em que se inscreve a palavra de ordem “Hiroshima, nunca mais!”, insere-se e é parte da luta mais geral em prol da soberania, direitos e progresso social, da ruptura com a política de direita e por um outro rumo para Portugal.