Nota do Gabinete de Imprensa dos Deputados do PCP ao PE

Fim à desestabilização e agressão contra a Síria e o seu povo

A propósito da adopção pelo Parlamento Europeu de uma resolução sobre a denominada “operação militar turca no nordeste da Síria e suas consequências”, os deputados do PCP no PE consideram necessário sublinhar e recordar que:

- O PCP condena a agressão militar turca em curso contra a Síria, tal como a condenou, no seu início, há oito anos atrás;

- Ao contrário de outros, incluindo as restantes forças políticas portuguesas representadas no Parlamento Europeu, o PCP denunciou e condenou desde o primeiro momento a operação de desestabilização e guerra de agressão contra a Síria e o seu povo, iniciada há cerca de oito anos – e em que a Turquia assumiu e assume um papel de primeiro plano;

- Ao contrário de outros, o PCP não apoia, nem branqueia a profunda responsabilidade dos EUA e das grandes potências da UE – como a França ou o Reino Unido –, que com outros membros da NATO, como a Turquia, e outros seus aliados, como Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos ou Catar, organizaram, financiaram, treinaram e armaram grupos terroristas, sendo responsáveis por uma guerra de agressão, espalhando a morte, o sofrimento e a destruição, originando milhões de deslocados e refugiados;

- Ao contrário de outros, o PCP não é cúmplice, nem conivente com a agressão militar directa dos EUA, de Israel, da França, do Reino Unido ou da Turquia que, face à derrota dos seus grupos terroristas e dos seus intentos de destruição do Estado sírio, intervieram militarmente na Síria a coberto da dita “coligação internacional contra o Daesh”, tentando impor a sua partição de facto.

A resolução agora adoptada no Parlamento Europeu, apesar de condenar um novo passo da agressão da Turquia à Síria, constitui, no fundamental, um inaceitável exercício de hipocrisia e de branqueamento das profundas responsabilidades dos EUA e dos seus aliados, particularmente da UE, que promovem, desde há oito anos, uma brutal e criminosa desestabilização e agressão contra a República Árabe Síria.

Escamoteando os agressores e responsabilizando as suas vítimas, a resolução do Parlamento Europeu, no seguimento de outras suas resoluções anteriores, está imbuída de intentos de continuação da ingerência da União Europeia contra a Síria,insistindo no apoio à dita “coligação internacional contra o Daesh”, nas inaceitáveis sanções contra a Síria e em diversos preceitos que só ao povo sírio cabe determinar.

Não basta condenar apenas a Turquia. É necessário pôr fim à ingerência, à desestabilização e à agressão externa contra a República Árabe da Síria, defender a sua soberania, independência e integridade territorial, no respeito pelos princípios da Carta das Nações Unidas e do direito internacional.

Os deputados do PCP no PE reafirmam a exigência da retirada de todas as forças militares estrangeiras de ocupação, como as dos EUA que se mantêm ilegalmente em território da Síria, assim como a devolução de todos os territórios sírios à soberania da República Árabe Síria, incluindo os Montes Golã, ilegalmente ocupados por Israel.

Os deputados do PCP no PE expressam a sua solidariedade aos milhões de deslocados e refugiados que são vítimas da guerra de agressão contra a Síria, e condenam o desrespeito pelos seus direitos, quer por parte da União Europeia, quer por parte do Governo turco.

Os deputados do PCP no PE reafirmam a sua solidariedade com a Síria e o seu povo, salientando que a sua vitória na defesa da soberania, independência e integridade territorial do seu país é um factor da maior importância para defender os direitos dos povos do Médio Oriente e dar resposta aos complexos problemas que resultam da herança colonial e de décadas de domínio e ingerência do imperialismo, como é o caso da questão curda.

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