No passado dia 17 de agosto, foi removido o comboio operário dos trabalhadores da Oficina da CP em Guifões, tendo sido substituído pela oferta comercial da linha de Leixões mediante o prolongamento de uma circulação matinal entre Leça do Balio e Guifões, e outra no sentido inverso ao final da tarde.
Esta solução não teve em consideração as necessidades dos trabalhadores, muitos deles provenientes das linhas do Douro, Minho, Guimarães e Ramal de Braga, que viram os seus tempos de viagem aumentar substancialmente. Por conseguinte, também o seu tempo efetivo de descanso diminuiu.
Vários trabalhadores já manifestaram vontade de se demitirem por causa do impacto desta decisão nas suas vidas quotidianas, que chega a aumentar hora e meia às deslocações casa/trabalho em alguns casos.
Segundo a CP, tal medida foi necessária para fazer face à necessidade de colocar as automotoras 2240 na linha do Algarve, após a sua eletrificação.
Assim, ao abrigo da alínea d) do artigo 156.º da Constituição da República Portuguesa e nos termos e para os efeitos do 229.º do Regimento da Assembleia da República, o Grupo Parlamentar do PCP solicita ao Governo, através do Ministério das Infraestruturas e Habitação, os seguintes esclarecimentos:
1 - Conhece o governo esta situação? Que avaliação faz do ocorrido e do argumento evocado pela CP?
2 - Foi considerada a utilização do material circulante a diesel da série 450 para manter o comboio operário? Se foi, porque não optaram por essa solução? Não haveria nenhuma outra opção?
3 - A ligação para Ermesinde, já proposta pelo PCP desde há muitos anos e especialmente aquando da reabertura da linha de Leixões, não resolveria este problema?