Intervenção de Manuel Rodrigues, Membro da Comissão Política do Comité Central, Conferência «II Centenário do nascimento de Karl Marx – Legado, Intervenção, Luta. Transformar o Mundo»

Encerramento da Conferência «II Centenário do nascimento de Karl Marx»

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Camaradas e amigos,

Está a chegar ao fim a Conferência comemorativa do II centenário do nascimento de Karl Marx com a qual o Partido Comunista Português dá início ao seu programa de comemorações, sob o lema «II centenário do nascimento de Karl Marx. Legado, intervenção e luta. Transformar o mundo».

Esta é uma iniciativa que muito valorizamos. Insere-se e contribui para a vasta programação que o Partido Comunista Português está a concretizar em torno das comemorações, que se desenvolverão ao longo do ano de 2018. Um programa que integra um vasto conjunto de outras iniciativas. Destaca-se o comício no Porto a 5 de Maio, dia do nascimento de Karl Marx; uma sessão evocativa dos 170 anos do Manifesto do Partido Comunista em Almada no dia 6 de Abril; um número significativo de sessões sobre a vida e obra de Karl Marx; debates temáticos, em particular, sobre O Capital e o Manifesto do Partido Comunista; uma exposição impressa constituída por 15 paineis sobre o legado, intervenção e luta de Karl Marx; uma importante expressão na Festa do Avante! de 2018; um plano editorial com edições e reedições de obras promovendo a sua leitura e estudo; o desenvolvimento de iniciativas e acções dirigidas à juventude, nas Escolas e Universidades.

Esta Conferência contou com a valiosa contribuição, reflexão e estudo de vários camaradas e amigos, - aos quais desde já agradecemos, - sobre múltiplos aspectos e diversas dimensões do legado, intervenção e luta de Karl Marx.

Aqui reafirmámos que Marx, em estreita colaboração com o seu amigo de todas as horas e situações, Engels:

- elaborou uma nova concepção do mundo – o materialismo dialéctico e histórico – que não só possibilitou uma interpretação cientificamente fundamentada do mundo existente, mas que, em ligação com a prática revolucionária da classe operária, constitui um instrumento teórico da sua transformação;

- desvendou a essência exploradora do modo capitalista de produção que consiste na apropriação de trabalho não pago – a mais-valia – e desmistificou as concepções apologéticas da economia política burguesa;

- fundamentou cientificamente a teoria revolucionária do movimento comunista, cabendo à classe operária, guiada pelo seu partido de classe, a missão histórica de congregar e de dirigir a luta de todas as forças sociais exploradas e oprimidas pela superação revolucionária do capitalismo e pela construção de uma sociedade liberta da exploração do homem pelo homem – a sociedade socialista, primeiro, e a sociedade comunista, depois;

- delineou os princípios organizativos necessariamente enformadores da prática política da luta de classes do proletariado;

- traçou as orientações norteadoras da unidade de acção entre a classe operária e os seus aliados nas diversas lutas pela satisfação dos seus interesses imediatos tendo como perspectiva o alcançar dos seus objectivos estratégicos;

- definiu as bases em que assenta a política internacionalista do proletariado no qual se articulam dialecticamente a luta no plano nacional e a luta no plano internacional;

- demonstrou que o empreendimento histórico de acesso ao «reino da liberdade» tem como premissa histórica o desenvolvimento das forças produtivas que o próprio capitalismo criou, mas que as relações capitalistas de produção sobre elas erguidas tornaram caducas e retrógradas. Relações capitalistas geradoras de uma crise estrutural do sistema que o torna não só incapaz de corresponder às necessidades que afectam dramaticamente a existência e a própria sobrevivência dos povos, como, menos ainda capaz de dar satisfação às legítimas aspirações destes a superiores padrões de vida, materialmente possíveis dados os avanços técnico-científicos alcançados pela humanidade. Pelo contrário, assiste-se a uma polarização de enormes proporções.

Por isso, desde a sua criação, a teoria revolucionária do marxismo, desenvolvida criativamente por Lénine na perspectivação e na direcção do processo revolucionária na Rússia e na caracterização do capitalismo na sua fase imperialista (contributos que a expressão marxismo-leninismo justamente consagrou) – inspirou e inspira, guiou e guia a luta da classe operária, dos trabalhadores e das massas populares pela sua emancipação económica, social, política e cultural da exploração capitalista e a luta dos povos pela sua soberania e independência e por um mundo de paz contra o imperialismo.

O PCP sempre considerou e comprovou na sua prática política que o socialismo científico que Marx nos legou não é uma doutrina ideal dogmática, mas um projecto que se inscreve enquanto possibilidade na própria dialéctica da realidade existente e que tem que ser elaborado teoricamente e configurado na prática em condições históricas determinadas e diferenciadas de país para país.

Aqui vieram os ensinamentos de Marx, de iniludível significado para todos quantos aspiram a uma sociedade sem exploradores nem explorados, para todos os democratas e patriotas, para todos os progressistas e revolucionários, para todos os amantes da paz e sobretudo, para os comunistas e o seu Partido.

Aqui afirmámos a validade e actualidade dos princípios fundamentais do marxismo-leninismo, a validade e actualidade do ideal e do projecto comunista, afrontando assim a gigantesca ofensiva ideológica, na base da falsificação da histórica, da mentira e da calúnia, que tendo assumido enormes proporções durante as comemorações do centenário da Revolução de Outubro, continua agora, sob velhas e novas expressões, procurando apagar, deturpar ou caricaturar o legado, intervenção e luta de Kal Marx ao serviço da transformação do mundo e a teoria marxista-leninista, no seu desenvolvimento criativo, como guia para essa acção transformadora.

A abordagem, a reflexão, os questionamentos, as análises, as lições que aqui foram expostas vão ser certamente de uma grande utilidade para a nossa intervenção presente e futura.

É a própria natureza do capitalismo como sistema explorador, opressor, agressivo e predador; é o mundo injusto, desigual e perigoso que engendra; são as suas contradições insanáveis, que colocam como exigência do desenvolvimento social a sua superação revolucionária, como sublinhou Álvaro Cunhal, nos 150 anos do Manifesto do Partido Comunista, ao afirmar: «A vida não desmente antes comprova a perspectiva apontada pelo Manifesto [do Partido] Comunista. Que, na época que vivemos, o futuro não é do capitalismo, mas do socialismo e do comunismo.»

Seguros de que esta nossa Conferência cria melhores condições para as lutas do presente e do futuro, saímos daqui mais conscientes da importância da luta organizada na transformação da realidade: a luta reivindicativa que, partindo de cada empresa e local de trabalho em torno de acção reivindicativa, converge em grandes momentos, como aconteceu a 18 de Novembro passado; e, seguramente, acontecerá a 10 de Março na Manifestação Nacional de Mulheres; a 28 de Março, onde se juntarão os jovens trabalhadores, unidos na luta contra a precariedade; e, naturalmente, no 1.º de Maio, esse momento maior da luta dos trabalhadores de todo o mundo, onde a convergência deve ser feita e preparada desde já a partir das empresas e locais de trabalho. 1.º de Maio, grande jornada de luta de todos os trabalhadores e das massas populares convocada pela CGTP-IN; E, já a partir da próxima semana, nas comemorações do 97.º do Partido Comunista Português.

Duzentos anos decorridos sobre o nascimento de Karl Marx, o seu legado, intervenção e luta estão bem vivos e a estimular a luta que continua pela nova sociedade livre da exploração do homem pelo homem.

Saímos daqui mais enriquecidos para a acção tranformadora que prossegue, continuando a assumir a força invencível do apelo:

Proletários de todos os países, uni-vos!

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