Intervenção de Paulo Raimundo na Assembleia de República

Debate do Estado da Nação

Ver vídeo

''

Senhor presidente, senhores deputados, senhor primeiro-ministro, um País pior, ainda mais injusto, desigual e dependente, eis o estado da nação.

A riqueza que é criada por quem trabalha muitas horas, muitos dias, com muita precariedade, por quem vive com baixos salários e enfrenta o brutal aumento do custo de vida nos combustíveis, na alimentação, por quem não sabe como pagar a renda ou a prestação da casa, essa riqueza que é criada pelos trabalhadores, está cada vez mais concentrada nas mãos de uns poucos que encaixam 30 milhões de euros de lucros por dia e que o senhor primeiro-ministro conhece bem.

Bem podem invocar a batalha de S. Mamede que quem permite que a única refinaria do País possa cair nas mãos de uma multinacional estrangeira, quem entrega a TAP ao capital alemão ou francês e se prepara para privatizar a CP, quem insiste no desastre das PPP rodoviárias e é cúmplice da extorsão de milhões de euros que voam para paraísos fiscais, quem submete o País às ordens de Bruxelas e apoia a loucura do militarismo e da guerra,

quem faz isto tudo é, na verdade, protagonista da política que ataca a soberania e compromete a pátria.

A nação não precisa de guerras, precisa é de salários, pensões, creches, lares, hospitais, escolas, ciência, tecnologia, produção, precisa é que cheguem às populações os apoios prometidos depois dos incêndios e das tempestades.

E fica a pergunta, porquê tanta pressa em cumprir os compromissos com os grupos económicos?

Será que já percebeu que quanto mais avança a sua política, maior é a contestação e mais isolado fica?

Vai daí a pressa na reforma do Estado e desmantelamento dos serviços públicos, com os resultados que estão à vista para milhares de estudantes, arrastados para a trapalhada dos exames nacionais.

Afirmou que está ao lado do ministro, e está mesmo, está com ele no desmantelamento do ministério da educação, na dispensa de centenas de trabalhadores, no sacudir de responsabilidades e no ataque aos professores, está com ele na arrogância de quem pensava que se podia esquivar às explicações e às garantias que são devidas aos estudantes e às famílias, mas aqui está hoje, obrigado a dar explicações, e amanhã o senhor ministro da Educação.

Está também com a ministra da Saúde na destruição do Serviço Nacional de Saúde e na transferência de milhões e milhões de euros públicos para os grupos económicos da doença.

Vocês são os responsáveis por cada encerramento, pela falta de profissionais, por cada criança que nasce numa ambulância, por cada grávida a quem é negado acesso às urgências, por cada utente que passa horas à espera de atendimento.

As casas e as rendas não param de subir, a especulação e a banca encaixam lucros como nunca, é este o resultado do vosso golpe na habitação e não satisfeitos estão com pressa em despejar inquilinos e aumentar ainda mais as rendas.

O vosso plano apressado e com saudades da troika, é arrasar os direitos dos trabalhadores, liquidar a administração publica, assaltar a segurança social.

Desmantelar, despejar, precarizar, atacar a maioria e servir uma minoria, é essa a política do Governo apoiada pelo Chega e IL e a quem o PS teima em dar a mão, e que tem e terá da parte do PCP o máximo combate.

Cada dia da vossa política é um passo atrás na vida dos trabalhadores, da juventude, dos pequenos empresários e agricultores, dos reformados.

Mas há esperança, a vitória da luta dos trabalhadores marca o estado da nação, o vosso pacote laboral foi derrotado e fica o alerta, a insistência na declaração de guerra aos trabalhadores e ao povo vai acelerar a vossa, essa sim inevitável, derrota social e política.

A luta dos trabalhadores e da juventude trilhou o caminho da vitória, e será essa luta que vai romper com a vossa política e abrir um novo rumo para Portugal.

Pode contar com isso.

  • Assembleia da República