Intervenção de Alfredo Maia na Assembleia de República, Debate sobre «Custo de vida»

Aumento do custo de vida: é tempo de romper com as injustiças e mudar de rumo

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O agendamento, pelo PS, do tema do custo de vida coincide com o início, ontem, com largas dezenas de ações em todo o país e uma enorme adesão dos trabalhadores e das populações, da campanha de esclarecimento e mobilização do PCP “Romper com as injustiças. Novo rumo para Portugal. Uma vida melhor”.

Porém, o Partido Socialista não fica livre da responsabilidade por políticas passadas e por cumplicidades com o PSD, o Chega, a IL, o CDS e o Governo, por opções de direita que tanto massacram os trabalhadores, as famílias, as micro, pequenas e médias empresas.

Enquanto esses partidos encenam divergências quanto aos impostos, mas acautelam os lucros fabulosos e os interesses da banca e dos grandes grupos da energia e da distribuição, o PCP aqui está, como todos os dias, na defesa dos trabalhadores, dos reformados e pensionistas, das crianças e dos jovens, das famílias e das empresas.

De pouco serve bradar contra o preço do cabaz alimentar essencial, que sobe há três semanas consecutivas, que é mais caro em quase 16 euros do que há um ano, ou mais de 68 euros do que em 2022; ou prometer a solução ilusória do IVA zero – aliás do agrado das grandes superfícies.

O que se impõe, como propõe o PCP, é fixar os preços dos bens alimentares essenciais, travar os lucros milionários dos grupos da energia, dos combustíveis, da banca, da grande distribuição alimentar; o que se exige é a rejeição do aumento das taxas de juro decididas pelo Banco Central Europeu e dos efeitos gravosos no crédito às famílias e às empresas.

O que se exige e que a direita, a extrema-direita e o PS não estão disponíveis para fazer, é contrariar a loucura, com guerras que os trabalhadores e os povos não pediram, mas que o capitalismo exige.

Veja-se como PSD, CDS, Chega, IL e PS entregam milhares de milhões de euros ao negócio da guerra, nessa embriaguez belicista cuja ressaca as próximas gerações vão sofrer com dureza.

É tempo de agir com medidas como as que o PCP propõe:

- O recuo do Governo na corrida armamentista e o recurso aos instrumentos pela paz;

- O aumento geral dos salários e a fixação do salário mínimo nacional em pelo menos 1 100 euros;

- O aumento intercalar de todas as pensões em pelo menos 50 euros, com efeitos a 1 de julho;

- A regulação dos preços dos combustíveis e do gás, a fixação da botija de gás em 20 euros, além da reposição da taxa de IVA a 6%, e a fixação do cabaz alimentar;

- A intervenção do Governo e da Caixa Geral de Depósitos na redução de juros e comissões bancárias e a contenção das rendas; e

- Apoios a fundo perdido aos sectores mais atingidos pelos aumentos dos combustíveis – e na segunda-feira lá virão novos! –, nos transportes, na indústria, nas pescas, nos bombeiros e outros serviços essenciais.       

Senhores deputados,

Ontem, o primeiro-ministro afirmava: “Não trocamos este rumo por nenhum outro”.

Pois o PCP aqui reafirma é que outro rumo para Portugal e para uma vida melhor é possível, rompendo com as injustiças! 

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