O Presidente do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana, em declarações aos jornalistas esta quinta-feira em Vila Nova de Gaia, proferiu afirmações verdadeiramente insultuosas para com a população, e principalmente para com a juventude que enfrenta uma crise de habitação da maior gravidade.
Referindo-se às ações de protesto pela habitação que têm vindo a ocorrer em Portugal, disse não saber “se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício que os nossos pais e os nossos avós fizeram para ter uma casa". Prosseguiu invocando a sua história familiar: "os meus avós emigraram para o Brasil e para a Argentina para poderem ter uma casa. O meu pai emigrou durante 20 anos, sacrificou a vida", e acrescentou que emigraram "porque a casa era, efetivamente, uma coisa muito importante para a sua vida, a sua base logística, como é hoje".
Concluiu a sua prédica afirmando que “Reparem, os jovens podem organizar-se, fazer cooperativas. Eu já recebi pessoas no IHRU que agora, com os seus 60 e 70 anos, que quando eram da idade dos jovens que agora se estão a manifestar organizaram-se, fizeram cooperativas e fizeram as suas próprias casas".
Quando os jovens no nosso país são confrontados com uma situação insustentável de preços exorbitantes na habitação, fruto de uma política de desregulação e descontrolo total, e até de incentivo à especulação imobiliária, em que o valor das rendas é o mais alto da Europa face aos salários, estas declarações do Presidente do IHRU demonstram o desprezo com que também os responsáveis sob tutela deste Governo encaram os problemas e as lutas da população e principalmente da juventude – e por isso mesmo não podem ser ignoradas no plano político.
Nestes termos, o Grupo Parlamentar do PCP vem requerer a audição do Presidente do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana na Comissão.



