Camaradas, uma calorosa saudação a todos os presentes, aos delegados e a todos os convidados que participam nesta XI AOREV.
Uma saudação fraterna a todos os militantes do Partido que, com dedicação, discussão e trabalho colectivo, tornaram possível esta Assembleia, àqueles que estão a assegurar várias tarefas durante o dia, aos militantes da organização concelhia de Portel que com dedicação e empenho acolhem a nossa Assembleia.
Camaradas,
Iniciamos aqui um dia intenso de trabalho e discussão, e logo ao final do dia aprovaremos a Resolução Política e elegeremos a nova Direcção da Organização Regional de Évora do PCP.
A nossa Assembleia é um culminar de um processo de preparação que se desenrolou em condições exigentes, e algumas muito exaltantes, como está a ser a preparação da Greve Geral do próximo dia 3.
Um processo de preparação que foi em si mesmo um importante exercício de democracia interna, de afirmação dos nossos ideais e princípios de funcionamento de discussão aberta e fraterna, de reflexão individual e colectiva e acima de tudo mais um firme passo nesse grande objectivo de reforço da organização e intervenção do Partido.
Foram meses intensos, em que as organizações do Partido analisaram, discutiram e aprofundaram a situação vivida e sentida no Distrito e em que se definiram as linhas de intervenção necessárias para agir sobre a realidade em que nos inserimos.
Não nos limitámos apenas à reflexão ou à discussão nas 26 assembleias plenárias realizadas. Procuramos ir, e fomos em muitos casos mais longe.
Conseguimos fazer desta fase preparatória um momento e um processo de construção de orientações e medidas concretas indispensáveis ao reforço da nossa intervenção e organização, em linha com as conclusões e os desafios que o XXII Congresso do Partido e a recente Resolução do Comité Central nos colocaram.
Mas seria redutor dizer que o dia de hoje é apenas um ponto de chegada.
É que ele é também, e diria até, acima de tudo, um ponto de partida.
A proposta de Resolução Política que hoje vamos debater e votar é um guia para a acção que nos permitirá, assim saibamos tirar partido dela, levar muito mais longe a actividade, a luta e a intervenção do nosso Partido.
Mas a resolução política que aprovarmos não se destina apenas ao nosso Partido.
As conclusões desta Assembleia são de facto muito importantes para os comunistas, mas as análises, os objectivos de luta, as propostas e o projecto que ela comporta interessam também aos trabalhadores, à juventude, às populações, a vários sectores deste Distrito.
Interessam a todos os que não se conformam com um presente de injustiças e problemas e que com coragem e esperança desejam abrir perspectivas de justiça social, desenvolvimento, progresso, de paz e democracia para o nosso Distrito, a nossa região e o nosso País.
Interessam a todos aqueles que veem nos valores de Abril, a base sólida para a construção de uma democracia avançada no futuro de Portugal.
É por isso que a grande tarefa que temos diante de nós é clara:
- ir para junto das massas;
- fazer com que elas se apropriem dos nossos objectivos e projecto;
- e construir com elas e para elas o caminho alternativo que o Distrito e o País precisam e merecem.
Realizamos esta Assembleia num quadro político muito exigente e complexo, tanto no plano internacional, como no plano nacional.
Temos consciência das tremendas exigências que estão colocadas à luta dos povos contra o imperialismo e a sua estratégia de confrontação e guerra.
Temos consciência dos objectivos que no nosso País o grande capital tem para aprofundar ainda mais a política de direita e promover forças e concepções reaccionárias.
E temos ainda consciência das nossas próprias dificuldades e insuficiências.
Mas temos também, e sobretudo, a certeza de que o que defendemos é justo e que o nosso projecto de sociedade é cada vez mais necessário.
É por isso que neste Partido existe tanta determinação e confiança de que é preciso e é possível um PCP mais forte, mais enraizado, mais interventivo, para servir os trabalhadores e o povo.
Para isso precisamos de identificar prioridades, precisamos de acompanhar o real sentimento das massas, os seus problemas e definir correctamente o modo de os combater.
E, para isso, as organizações do Partido têm de se aproximar ainda mais da vida concreta, do quotidiano, das aspirações e inquietações dos trabalhadores e das populações.
No debate preparatório ficaram bem patentes as consequências da política de direita seguida pelo Governo do PSD/CDS, e anteriormente pelo Governo PS de maioria absoluta do País.
Uma Política que agora o Governo quer levar ainda mais longe, contando para isso com o apoio do PSD, do CDS, da IL e do Chega, e também com a conivência do PS em muitas matérias.
As consequências estão à vista: o aumento brutal do custo de vida, a degradação dos serviços públicos, o ataque continuado aos direitos dos trabalhadores e um ataque às conquistas de Abril e à própria constituição da república.
E foi por isso que, nestes quatro anos, o Partido tomou a iniciativa, interveio, lutou, propôs, mobilizou.
Estamos a dois dias do início da greve geral.
Estivemos e estamos ao lado dos trabalhadores da Mecachrome e da Aernnova contra a tentativa de impor a laboração contínua; estamos ao lado dos trabalhadores da administração pública central e local na luta pela valorização das carreiras; estamos ao lado dos trabalhadores do comércio pelo direito ao descanso ao domingo; estamos ao lado dos jovens trabalhadores contra a perpetuação da precariedade.
Daqui a dois dias, lá estaremos: não apenas solidários, mas interventivos, presentes nos locais de trabalho, nos piquetes, nas praças de greve, afirmando que a luta é o caminho e que o Partido está onde deve estar — ao lado dos trabalhadores.
Aqui estamos também para dizer não ao encerramento da urgência nocturna em Montemor; para exigir mais médicos em Arraiolos, em Mourão e em todo o Distrito, onde mais de 7,4% da população continua sem médico de família; para continuar a luta pela conclusão do novo Hospital Central Público do Alentejo, exigindo que o Governo assuma os seus deveres e responsabilidades.
Aqui estamos para afirmar que o Distrito tem potencialidades que não podem ser desperdiçadas.
Não estamos condenados à degradação da situação social, à regressão económica, à falta de investimento ou ao despovoamento.
Vamos defender com todas as forças a Linha do Alentejo, o pleno aproveitamento da ligação ferroviária Sines–Elvas, o direito à mobilidade no Distrito com mais transportes públicos; o direito à produção, criação e fruição culturais.
Continuaremos a bater-nos pelo direito a um desenvolvimento equilibrado, lutando contra o agronegócio e a lógica de exploração intensiva que destrói solos, recursos e comunidades, afirmando uma perspectiva de desenvolvimento do território assente nos interesses do Distrito, da região e das suas populações - e não nos interesses de grandes grupos económicos.
Camaradas e amigos, não ignoramos a exigência da situação e as nossas insuficiências.
Mas o que se coloca diante de nós é isto:
- tomar a iniciativa;
- transformar o estado de espírito em acção;
- transformar a inquietação em luta, transformar a esperança em força organizada.
E cuidar do maior instrumento que temos: o nosso colectivo partidário.
Sabemos que não podemos avançar para todos os objectivos com a mesma intensidade e prioridade.
Mas sabemos também que as linhas de reforço orgânico que o nosso Partido tem como prioritárias não podem ser adiadas. Estamos já a dar passos concretos para responder a esse desafio.
Valorizamos a discussão que já foi feita nas organizações tendo como base a Resolução do Comité Central sobre reforço orgânico, e claro, o projecto de Resolução Política que contém vários desses objectivos.
A discussão nas organizações e os resultados já obtidos dá-nos confiança e deve ser valorizada: estamos a avançar no recrutamento mais depressa que noutros anos e estão levantados mais 60 nomes para recrutamento; na responsabilização de quadros estamos a dar passos, com vários camaradas já responsabilizados e mais de 40 camaradas identificados para assumirem novas responsabilidades; estamos a tentar avançar na organização do partido nas empresas e locais de trabalho com novos camaradas envolvidos em organismos de empresas e locais de trabalho e objectivos concretos de criação de células e dinamização de células existentes; Estamos também a tentar reforçar frentes de trabalho fundamentais: é o caso do reforço da independência financeira do Partido, questão ideológica de fundo e central para o nosso reforço, de onde se destaca a necessidade de progressos na quotização; da informação e propaganda em que temos dado alguns passos, mas onde precisamos avançar muito mais na compreensão do colectivo partidário como instrumento essencial de propaganda, agitação e afirmação do Partido; o trabalho junto da juventude em que precisamos e temos possibilidades de avançar; o trabalho com outros democratas e patriotas; e ainda a difusão da Festa do Avante como grande expressão de ligação às massas, entre várias outras frentes de trabalho referidas no projecto de resolução política.
Construímos esta Assembleia, articulando-a também com esse poderoso instrumento de contacto com todos os militantes do Partido que é a entrega do cartão e ainda com o desenvolvimento da luta em curso.
Camaradas, cada militante deve ter plena consciência de que tem nas mãos uma parte importante do destino do seu Partido.
O estilo de trabalho tem de responder às exigências do tempo em que vivemos e lutamos.
As decisões têm de ser mais prontas.
A actividade do Partido tem de acompanhar o pulsar do coração dos trabalhadores e das massas populares, dando resposta às suas inquietações, direitos e aspirações.
Com uma orientação política justa, com um trabalho de organização adequado e persistente, com propaganda de verdade e esclarecimento, com trabalho de massas constante de todas as organizações e militantes - assim construiremos o reforço do Partido.
O debate desta Assembleia termina hoje, mas o trabalho não. Cabe a cada organização e a cada militante aplicar na prática as conclusões que hoje aprovarmos colectivamente.
Cabe-nos dar confiança ao Partido: confiança de que o reforço do nosso trabalho é urgente e sobretudo possível.
Confiança ao nosso povo do Distrito de Évora, de que este Partido nunca lhes faltará em todas e em cada uma das suas justas lutas.
Aqui está, portanto, o Partido Comunista Português, neste Alentejo que é terra de horizontes largos e de memória profunda, que é terra de luta, de resistência, de dignidade. Terra onde gerações de trabalhadores rurais enfrentaram a exploração e a repressão fascista, mas onde fruto da luta se ergueram das mais belas conquistas de Abril como a reforma agrária, onde se afirmou a força transformadora do povo organizado.
Neste Alentejo com memória e futuro o PCP teve, tem e continuará a ter um papel insubstituível
É essa herança de que somos portadores, é essa responsabilidade que assumimos, é essa confiança que projectamos no futuro.
Viva a luta dos trabalhadores!
Viva a XI AOREV!
Viva a JCP!
Viva o Partido Comunista Português



