Camaradas, Amigos,
Uma saudação a todos os participantes da 11.ª Assembleia da Organização Regional de Beja do PCP: os delegados, os convidados e o Secretário-Geral do nosso Partido, o camarada Paulo Raimundo.
Uma saudação ainda a todos os camaradas que desenvolveram e estão a desenvolver um conjunto de tarefas para que hoje aqui estejamos reunidos com todas as condições para realizar a nossa Assembleia, e em particular à organização concelhia de Serpa que a recebe. Para eles, uma grande saudação!
Camaradas,
Aqui estamos chegados de um debate colectivo que avaliou o estado da nossa organização, reflectiu sobre a nossa intervenção e apontou orientações políticas, de intervenção e de reforço orgânico para os próximos anos, contidas no Projecto de Resolução Política.
Aqui estamos também para eleger a nova Direcção da Organização Regional de Beja do PCP, cuja proposta resulta do levantamento de mais de 60 nomes de quadros e de um amplo processo de auscultação e discussão colectiva. Uma proposta construída e assumida colectivamente pela Direcção Regional cessante, que agora será posta à consideração desta Assembleia.
A nossa AORBE é um processo colectivo de democracia interna, trilhado desde Fevereiro com mais de 30 reuniões de organismos, iniciativas, plenários e assembleias plenárias electivas. Este funcionamento democrático e participado não é mera opção, é expressão da nossa ideologia e princípios de organização, condição essencial para a unidade, coesão e força do Partido.
Camaradas,
Realizamos a nossa Assembleia num quadro internacional de aprofundamento da crise do capitalismo e de uma violenta ofensiva do imperialismo, com a guerra e os sucessivos crimes imperialistas que marcam o tempo presente. No plano nacional enfrentamos a acção e ofensiva do governo do PSD/CDS, de carácter cada vez mais reaccionário, apoiado pelo Chega e pela IL, e que em variados aspectos conta com a conivência do PS.
Os trabalhadores e o povo confrontam-se todos os dias com o ataque aos salários, reformas e pensões, com a ofensiva contra os direitos laborais – com essa autêntica declaração de guerra que é o Pacote Laboral –, com a destruição dos serviços públicos, designadamente no SNS, com as dificuldades dos pequenos e médios empresários e agricultores, e com a ausência de investimento, de que é escandaloso exemplo a situação no Distrito de Beja.
A intervenção do Partido no distrito desde a X Assembleia em 2022 foi exigente e intensa. Não obstante dificuldades e insuficiências que importa ultrapassar, a Organização Regional deu cumprimento à generalidade das orientações traçadas e mostrou determinação em alargar a sua intervenção e organização.
A luta dos trabalhadores em muitas empresas foi dinamizada por um importante movimento sindical de classe, unitário e de massas, em que a União dos Sindicatos de Beja desempenha um papel insubstituível e determinante.
É hoje tempo de saudar todas as lutas dos trabalhadores deste distrito, como as lutas dos trabalhadores da CM de Beja em torno da assinatura do ACEP; da Santa Casa da Misericórdia de Serpa pelo pagamento de salários e subsídio de férias em atraso; dos enfermeiros pela valorização das suas carreiras; dos professores contra a proposta de revisão do estatuto de carreira docente; dos trabalhadores mineiros pelos aumentos de salários, entre tantas outras que se realizaram nos quatro anos que nos separam da 10.ª Assembleia.
Uma luta que assumiu no último ano uma ainda maior dimensão com a extraordinária resposta dos trabalhadores ao Pacote Laboral. Uma luta com momentos notáveis como a Greve Geral de 11 de Dezembro, as inúmeras acções e mobilizações, a Manifestação de 17 de Abril, às acções do 25 de Abril e 1.º de Maio e a Greve Geral de há 4 dias, que deixou claro, também aqui no nosso Distrito, que os trabalhadores estão unidos na rejeição do Pacote Laboral e determinados em derrotá-lo de uma vez por todas. Para todos os que construíram esta jornada de luta, uma grande saudação!
Camaradas,
O nosso Partido tem procurado dar importância não apenas à luta dos trabalhadores, mas também à luta de outras camadas sociais e das populações do nosso Distrito.
Destaca-se a luta dos agricultores e pequenos produtores, dos micro, pequenos e médios empresários, e a luta pela preservação e defesa do meio ambiente, todas essenciais para o desenvolvimento equilibrado do Distrito de Beja e em geral do Alentejo.
Afirmam-se também as lutas em defesa dos direitos sociais: o combate ao aumento do custo de vida, a luta das mulheres pela igualdade, a luta pelos direitos dos pais e das crianças, a luta da juventude por condições de vida, estudo e trabalho dignas e, claro, a essa grande luta em defesa do direito à saúde e do SNS. Saudamos a luta dos utentes pela segunda fase do Hospital de Beja, pela contratação de mais profissionais, e a luta pela reintegração do Hospital de São Paulo, aqui em Serpa, na esfera do SNS.
No plano dos direitos fundamentais, sobressai a luta pelo direito à habitação, expressa nas concentrações promovidas pelo Movimento Porta-a-Porta – Direito à Habitação na cidade de Beja em 2023 e 2024. Prossegue também a luta pela mobilidade e pelos investimentos estruturantes que a região exige, como o IP8 e a Linha do Alentejo, cuja comissão de utentes saudamos vivamente.
E não esquecemos a luta pela reposição das freguesias roubadas. Uma saudação especial às populações de Vale Vargo, Vila Nova de São Bento, Rio Moinhos e Aljustrel, que, fruto de anos de persistência e da intervenção do PCP, viram as suas freguesias recuperadas.
Camaradas,
Num período marcado por vários processos eleitorais, a nossa Organização Regional esteve à altura de batalhas exigentes realizadas em condições difíceis. No geral, os resultados eleitorais não nos deixaram felizes, mas isso não apaga o esforço, a coragem e a capacidade de afirmação e alargamento, de que foi exemplo recente a batalha das eleições autárquicas, em que provámos que é possível resistir, construir e até recuperar posições perdidas há muito.
Duas palavras especiais. A primeira, uma grande saudação aos camaradas e amigos de Serpa pela unidade, dignidade e coerência com que travaram a batalha das eleições autárquicas. Em Serpa temos orgulho de afirmar de cabeça levantada: podemos perder uma câmara, mas não perdemos nem os princípios, nem a dignidade. A segunda palavra é para os camaradas e amigos de Ferreira do Alentejo. Estamos certos de que construiremos um grande resultado nas eleições intercalares para a Junta de Freguesia de Ferreira do Alentejo, porque estamos confiantes que o povo saberá reconhecer a nossa coerência política e o nosso respeito pela democracia e pela vontade das populações.
Camaradas,
Ao longo dos anos temos afirmado a necessidade de se concretizar no distrito de Beja a Política Alternativa Patriótica e de Esquerda que o Partido preconiza. PS e PSD, com ou sem CDS, e agora com o papel reaccionário do Chega e da IL, convergem na manutenção de uma política que não serve os interesses dos trabalhadores e das populações. Persistem problemas crónicos como a falta de profissionais de saúde, as obras do IP8, o não aproveitamento das valências do aeroporto de Beja ou a electrificação e modernização da linha férrea. Em sentido contrário, a intervenção dos autarcas da CDU, seja nas Câmaras de Aljustrel, Barrancos e Cuba, nas dezenas de Freguesias onde somos maioria ou noutros órgãos onde estamos em minoria, é uma intervenção de trabalho, honestidade e competência que prestigia o Partido e defende o nosso território e o seu povo.
Camaradas,
As conclusões do XXII Congresso do Partido, a recente resolução do Comité Central sobre reforço do Partido intitulada “um PCP mais forte, é preciso, é possível” e as conclusões desta Assembleia são guias preciosos para o nosso trabalho. Tomar a iniciativa política; fortalecer as organizações de massas dos trabalhadores; reforçar movimentos e estruturas unitárias; aprofundar o trabalho político unitário com outros democratas e patriotas – são questões que exigem a atenção dos quadros e organizações.
Simultaneamente há algo a que não podemos deixar de dar centralidade absoluta: o reforço da organização do Partido.
Recrutar mais militantes, especialmente jovens e operários; dar maior atenção à sua integração; assumir a intervenção nas empresas e locais de trabalho como prioridade; responsabilizar mais quadros e cuidar da sua preparação política e ideológica; estruturar melhor o Partido; melhorar o trabalho da Direcção Regional; melhorar a propaganda e informação; levar mais longe o Avante e o Militante; dinamizar a recolha financeira; reforçar o trabalho junto da juventude e a JCP; dar atenção ao trabalho unitário; estimular a participação dos militantes no MSU e noutras organizações de massas. Eis as linhas fundamentais do projecto de resolução a que temos de dar prioridade.
A preparação da nossa Assembleia já deu contributo para alguns desses objectivos:
24 novos camaradas aderiram ao Partido desde Janeiro, muitos deles estão hoje aqui como delegados na sua primeira Assembleia.
Responsabilizámos 18 novos camaradas por diversas tarefas, como acompanhamento de empresas, recolha de quotização e venda do Avante!
Várias células de empresa voltaram a reunir, dando um contributo para a preparação da Greve Geral, e definindo objectivos de recrutamento direccionado.
Identificámos camaradas para assumirem várias tarefas nas organizações locais.
Realizámos e temos previstas Assembleias de Organização Concelhias.
Tomámos a iniciativa em torno de problemas concretos das populações, como a luta em defesa do transporte ferroviário ou abaixo-assinados a exigir caixas de MB em Santa Vitória e Trigaches.
Todas são tarefas exigentes, que necessitam de tempo, persistência e paciência. Mas que como a realidade prova, são possíveis de levar por diante!
Camaradas, Amigos,
Aqui está o PCP ao serviço dos trabalhadores e do povo do nosso Distrito e do nosso Alentejo. Aqui estamos e lutamos nesta terra de Catarina e de tantos outros que deram tudo pelo sonho da terra sem amos.
Um povo corajoso e determinado que, no processo libertador de Abril, protagonizou páginas decisivas da história recente do País, como a Reforma Agrária.
Este é o povo que, com contributo decisivo do PCP e das autarquias CDU, levou ao Mundo o Cante Alentejano.
É o povo que não desiste de lutar pelo desenvolvimento da região, pela regionalização e pelo direito a uma vida melhor, com salários e pensões justas, com igualdade e direitos sociais conquistados a pulso e com respeito por todos independentemente da sua cor, nacionalidade ou credo.
Aqui, no Distrito de Beja, há um povo que lutou, luta e lutará. Na luta pela liberdade e a democracia, na luta por uma alternativa patriótica e de esquerda, na luta pela democracia avançada com os valores de Abril no futuro de Portugal, na luta pelo Socialismo e o Comunismo, estará cá sempre o Partido Comunista Português. Um partido revolucionário, com 105 anos de História, que nunca faltará ao povo alentejano.
Viva a XI Assembleia da Organização Regional de Beja do PCP!
Viva a JCP!
Viva o Partido Comunista Português!




