Reforma da PAC - Um novo ataque à agricultura portuguesa

 

A reforma da Política Agrícola Comum (PAC), aprovada em 2003, em vez de corrigir os presentes desequilíbrios na distribuição das ajudas entre países, produções e agricultores e dar particular atenção às especificidades da agricultura portuguesa, visou, pelo contrário, garantir o congelamento da despesa agrícola e dar mais um passo na liberalização do comércio agrícola a nível mundial, no âmbito da OMC.

Esta reforma, na continuidade das anteriores, deu o salto definitivo para a desvinculação das ajudas da produção, o que os deputados do PCP ao PE rejeitam, pois tal medida conduzirá a uma maior concentração da produção e da terra, ao absentismo produtivo, à especulação do preço das terras, à concorrência desleal entre produções, para além de manter as presentes desigualdades na distribuição das ajudas e criar condicionalismos a novas entradas no sector agrícola.

O deputado do PSD, Arlindo Cunha, elaborou o relatório do PE sobre os apoios directos da PAC, relatório que contou com o voto contra dos deputados do PCP ao PE, exactamente pelo seu conteúdo gravoso para os interesses da agricultura portuguesa — e da agricultura familiar em particular —, pois avança com uma verdadeira proposta de modulação e plafonamento, como aceita a desvinculação das ajudas à produção.

Os deputados do PCP ao PE, no âmbito da reforma da PAC, propuseram:


Portugal e a UE - Nš 43 - Fevereiro de 2004