Com determinação e confiança, prosseguir a luta! |
Iniciamos o novo ano mergulhados numa grande batalha política. O seu resultado, até pelo contexto europeu e mundial em que se insere, será de grande importância para a luta que travamos em defesa do regime democrático que a Constituição consagra e pela necessária ruptura com as políticas de direita e de submissão nacional que conduziram o país à situação de crise em que se encontra. Confiamos em que o candidato da direita, atrás do qual se alinham as forças políticas e sociais mais conservadoras e reaccionárias, será derrotado e afastados os perigos de uma perigosa dinâmica revanchista. Mas, seja qual for o concreto resultado das eleições presidenciais, uma coisa é absolutamente certa: a luta vai prosseguir e a exigir muito do PCP, a única força política identificada com os interesses da classe operária e do povo português e portadora de uma alternativa de progresso social e um projecto socialista de sociedade.
O ano que terminou foi para os comunistas um ano de trabalho particularmente
intenso nas frentes política, social, organizativa, ideológica
e internacional. Para cumprir com as responsabilidades do Partido, todo o
colectivo partidário, a começar pelos quadros, esteve sujeito
a uma grande tensão de esforços. Não foram poucos os
camaradas que tiveram de prescindir de um normal período de férias.
Mas valeu a pena. O balanço da acção desenvolvida é
francamente positivo. O PCP assegurou um muito exigente trabalho de Direcção;
esteve sempre na primeira linha das lutas dos trabalhadores e das massas populares;
fez de três eleições grandes jornadas de divulgação
das suas propostas para os graves problemas nacionais; reforçou as
suas posições na Assembleia da República e no Poder Local
democrático e, derrotando as teses anti-comunistas do «declínio
irreversível do PCP», mostrou que é possível recuperar
posições; desenvolveu um intenso trabalho de organização
em que se destacaram a campanha de verificação de dados, o recrutamento
e o reforço do Partido nas empresas e locais de trabalho; realizou
com grande sucesso a Festa do «Avante!». Naturalmente que não
se registaram apenas sucessos e há problemas e atrasos que persistem.
Mas o Partido viveu e vive um bom momento, fortaleceu a sua coesão
interna, reforçou as suas fileiras, alargou o seu prestígio
e autoridade, andou para diante, rasgou mais seguras perspectivas à
sua acção.
2005 foi um ano marcado pelo XVII Congresso, cujas decisões trouxeram
maior coesão, confiança, fraternidade, alegria e dinamismo ao
nosso combate. Um Congresso profundamente democrático que, rejeitando
firmemente violentas pressões anti-comunistas e veleidades fraccionistas,
afirmou com convicção a independência ideológica
e organizativa do PCP e confirmou a problemas que o exame crítico e
autocrítico da actividade partidária também evidenciou,
mas que criou melhores condições para a sua superação.
As tarefas de reforço da organização estiveram por isso
presentes ao longo de todo o ano e em todas as batalhas travadas com resultados
francamente positivos. Há que dar-lhes continuidade com persistência.
2006, ano do 85.º aniversário do PCP e do 75.º aniversário
do «Avante!», e em que se realizará o 8.º Congresso
da JCP, será consagrado, sempre em ligação com a luta,
ao reforço da organização partidária, de acordo
com a Resolução do Comité Central de 11 e 12 de Novembro.
Um Partido mais forte é condição indispensável
à alternativa de esquerda por que lutamos e de que Portugal necessita
com a maior urgência.
O ano que findou ficou dolorosamente marcado pelo desaparecimento físico
do camarada Álvaro Cunhal. A extraordinária homenagem popular
que lhe foi prestada pelos comunistas, os trabalhadores e o povo português
e a repercussão internacional do acontecimento constitui uma mensagem
poderosa para os que, já sem a sua presença e directa contribuição,
têm de continuar a sua luta. Uma mensagem que confirma que é
por aqui que temos de ir, com determinação e confiança.
É por aqui, pelo caminho da intransigência para com todas as
descriminações, injustiças e desigualdades sociais, pelo
caminho do incansável combate à exploração e à
opressão capitalista e à política de guerra e agressão
imperialista, pelo caminho da defesa permanente dos interesses dos trabalhadores,
do povo e do país. É por aqui, defendendo e reforçando
o Partido de que Álvaro Cunhal foi o mais dedicado e esclarecido construtor,
como partido da classe operária e de todos os trabalhadores, marxista-leninista,
consagrado à luta revolucionária pela construção
em Portugal de uma sociedade socialista. O camarada Álvaro deixou-nos
fisicamente, mas connosco continua a força do seu exemplo de homem
e de comunista e a obra magnífica que nos lega o seu ilimitado amor
aos trabalhadores e ao povo, a sua inspirada sensibilidade artística,
a sua personalidade de gigante do pensamento e da acção revolucionária.
Sem qualquer sombra de «culto» como ele exigia, mas também
sem que, como também ele ensinava, a necessária valorização
do colectivo dissolva a contribuição individual, O Militante
procurará dar a sua contribuição para um melhor conhecimento
e divulgação da sua obra.
O contexto internacional da nossa luta continuou marcado por uma grande instabilidade
e incerteza, pelo prosseguimento e agravamento da violenta ofensiva exploradora
e agressiva do imperialismo, mas também por forte resistência
dos trabalhadores e dos povos. Nesta situação contraditória
tivemos em 2005 boas e más notícias. No primeiro caso, a resistência
à ocupação do Iraque, o «Não» francês
e holandês à chamada «constituição europeia»,
importantes processos de rearrumação de forças envolvendo
a China, a Venezuela e outros países. No segundo caso, a espiral militarista
do imperialismo, inquietantes ataques a direitos e liberdades fundamentais,
a claudicação da U.E. diante dos EUA. Como assinalou o XVII
Congresso, grandes perigos para a paz e para a liberdade coexistem com grandes
possibilidades de desenvolvimentos progressistas e revolucionários
e, perante a patente crise do capitalismo que ameaça arrastar a Humanidade
para o desastre, assiste-se à recuperação do projecto
comunista como alternativa necessária. Nesta situação,
a par da luta no plano de cada país, ganha crescente importância
a luta articulada à escala europeia e mundial dos partidos comunistas
e outras forças revolucionárias e anti-imperialistas, à
qual o PCP quer dar a sua activa contribuição, promovendo este
ano em Portugal importantes iniciativas de carácter internacional.
O limiar de um novo ano é necessariamente ocasião de balanço e reflexão. Também para o colectivo de O Militante. Temos consciência de que trabalhando de acordo com a orientação ideológica e política do Partido, procuramos reflectir a sua intensa actividade, contribuir para a compreensão da realidade em que actuamos e para o fortalecimento das convicções revolucionárias dos quadros e demais membros do Partido. Mas temos também consciência de que é necessário fazer mais e melhor, o que só será possível com a opinião, as sugestões e as críticas dos seus leitores. Aqui fica o apelo e com ele os melhores votos de um Novo Ano de felicidades pessoais e sucesso na realização das tarefas directamente indicadas pelo Partido como das que resultam da iniciativa e do trabalho entre as massas. Em 2006 vamos prosseguir a luta com determinação e confiança.
«O Militante» - N.º 280 Janeiro /Fevereiro 2006