Campanha Nacional de Contactos |
Membro do Comité Central do PCP
Em boa hora foi decidido o lançamento de uma Campanha Nacional de Contactos com todos os membros do Partido, para o esclarecimento da situação face ao Partido, a actualização dos seus dados e contactos, e a elevação da sua participação.
Tratava-se de irmos ao encontro de uma realidade que precisava de ser vencida, a existência de larguíssimos milhares de camaradas sobre os quais nada sabíamos da necessidade de empreender uma acção de grande fôlego, com impacto mais duradouro, para reforçar o Partido.
Ela é já um assinalável êxito. Apesar de muito exigente e de grande envergadura, as organizações têm-na assumido e concretizado, e os resultados estão à vista. Em ano e meio já foram envolvidos neste trabalho mais de metade dos inscritos no Partido.
O recente Balanço de Organização, que já integra parte dos resultados da campanha, aponta uma redução do número de inscritos no Partido. Na verdade, em grande parte só aparente.
Temos hoje mais camaradas organizados e a assumir responsabilidades; o aumento do valor das quotizações e dos que pagam; o apuramento de moradas e outros endereços, que potenciam muito a utilização das novas tecnologias no contacto mais operacional com um grande número de militantes; o alargamento da difusão da imprensa partidária; o melhor conhecimento dos camaradas, das suas capacidades, motivações e disponibilidades; a maior mobilização e participação nas iniciativas e na luta social; o conhecimento actualizado das profissões e dos locais de trabalho e o que isto já está a potenciar no reforço da acção e organização do Partido nestas áreas; novos recrutamentos e o rejuvenescimento; uma maior sintonia e convergência de acção.
Os números não são tudo nem traduzem toda a realidade. Esta grande campanha, carrega já no seu bojo experiências riquíssimas, do ponto de vista humano, social e político, que só engrandecem a História e o Património deste PCP que vale «ouro». Um episódio recente, sobre um contacto feito numa residência de Rio Tinto com o objectivo de falar com um camarada, que na altura se desconhecia ter falecido, os camaradas que estavam a fazer este trabalho bateram à porta e foram recebidos por um jovem, o filho do falecido. Esclarecida a questão que os levou lá, tal não é a surpresa quando este afirma aos camaradas: «Não está cá o meu pai, mas estou eu, gostava de ser membro do Partido», e inscreveu-se.
Só no PCP, mesmo que alguns não nos entendam, ignorem 83 anos de luta, um passado glorioso, um presente de coerência, a mesma disponibilidade revolucionária de sempre, os afectos e cumplicidades que só um partido como o nosso gerou e vai continuar a gerar.
A campanha mostra-nos, com toda a força, que muitos camaradas têm dois empregos e muito pouco tempo para o resto; as precárias condições de vida de outros que vivem em «ilhas ao alto» em agregados familiares numerosos; o peso e sequelas do caciquismo e da direita em regiões mais difíceis, como por exemplo, o contacto à porta do emprego e a resposta pronta: «Aqui não camarada, logo na minha casa», a satisfação, alegria e confiança de nos receberem em suas casas, de partilharem um copo, histórias, objectivos e projectos comuns.
Não foi nem é um caminho fácil. Há organizações que já a concluíram, beneficiando hoje do trabalho realizado, estando em condições de dar o passo seguinte, e outras não.
Não há varinhas mágicas nem de condão no trabalho do Partido. A desatenção, a desvalorização, o cepticismo, a não discussão da campanha e a falta de medidas operacionais porque nunca têm tempo nas suas Ordem de Trabalho, a teorização de falsas oposições e prioridades entre o imediatismo, a iniciativa, o movimento e acção, e o trabalho de organização trazem, na realidade, prejuízos ao trabalho e influência do Partido. As coisas não são indissociáveis, e esta campanha é fundamentalmente política, para que o PCP, partido de militantes, tenha mais militantes de facto e de verdade.
Só é possível um PCP mais forte e mais capaz com mais camaradas envolvidos no trabalho, a participarem e a decidirem e não a serem sempre meros espectadores ou convidados, com a elevação das receitas do Partido, com militantes mais informados, formados, esclarecidos, conscientes e determinados. Isto é a campanha camaradas.
Não podemos ficar a meio e este caminho não tem retorno. O projecto de Resolução Política aponta o objectivo de concluir o apuramento desta nossa realidade, da necessidade de concentrar forças e atenções na elevação dos níveis de estruturação, do funcionamento colectivo e participação, de militância e intervenção dos membros do Partido.
Aponta ainda o fim do primeiro semestre de 2005 como a data limite para a conclusão da campanha, «data a partir da qual os efectivos partidários aos vários níveis passam a ser contabilizados pelo número de membros do Partido que por sua iniciativa ou iniciativa das organizações partidárias têm os seus dados actualizados comprovando assim também a sua vontade de continuarem membros do Partido».
Precisamos de ir ao encontro dos camaradas, acreditar, partilhar as nossas dificuldades e aspirações, apelar à sua integração no trabalho, confiar e responsabilizar. Precisamos em todas as organizações de fazer o ponto de situação à Campanha, avaliá-la, ver o que falta e tomar medidas de direcção, de quadros e outras, para garantir a sua conclusão, acompanhadas de um indispensável controlo de execução.
Concluí-la em todas as organizações é dar um passo muito importante para nos posicionarmos melhor na luta pela alternativa de esquerda.
Desta tribuna apelamos a todas as organizações e militantes do PCP, a uma grande ponta final nesta «empreitada», à luta pela sua plena concretização, à luta por um PCP mais forte, mais ligado à vida, aos problemas dos trabalhadores e das populações, mais enraízado e mais influente.
Viva o XVII Congresso!
Viva o PCP!
«O Militante» - N.º 275 Março/Abril 2005