Quando o Partido em Braga é Festa!

 


Membro da Comissão Política do CC do PCP

Este ano há Festa! A XIV Festa da Alegria. Passaram 25 anos sobre a edição da primeira. Com interrupções na sua realização, cada Festa teve a sua história, o seu momento, a sua luta, mas chegamos a 2003. Para aqui chegarmos nem sempre foi fácil o caminho percorrido. Por várias vezes e de diversas modos tentaram pôr fim a esta bela iniciativa que marcou e marca fortemente a luta e intervenção dos comunistas de Braga e do País, após o 25 de Abril.

Estávamos então em finais de 1977, início de 1978. Após o assalto e o incêndio ao Centro de Trabalho da Comissão Distrital de Braga, pelas forças de direita em 1975, este passou a funcionar provisoriamente no velho e degradado edifício do antigo Asilo, na Rua do Carmo. Em curso estava a compra do novo Centro de Trabalho. Surgiu a ideia de se realizar uma festa para angariar fundos. Existia um local com as condições para a iniciativa, o Parque de Exposições de Braga. Mas o espaço era muito grande para as forças do Partido a nível do distrito. O projecto parecia demasiado ambicioso. Existiam muitas dificuldades, resistências e medos a vencer. O “Verão Quente” ainda não ia longe. As perseguições aos comunistas continuavam. As forças reaccionárias olhavam Braga como uma coutada sua. Os “corrécios” e outros marginais a soldo da direita ainda andavam à solta. Vários camaradas da Direcção do Partido visitaram o Parque. A ideia foi ganhando adeptos e corpo. Depois veio a decisão. Com o apoio de todo o Partido arrancou-se para a festa. Dos muitos nomes indicados ficou o de “Festa da Alegria”.

A alegria da primeira festa e das que se seguiram mostrou o acerto da escolha do nome. O que era então para nós uma única festa, foi-se repetindo, com interrupções mais ou menos prolongadas, até hoje.

Escrever sobre a Festa da Alegria, passado que estão 25 anos sobre a edição da primeira festa, é falar sobretudo da luta dos comunistas do distrito de Braga para terem o seu Centro de Trabalho. É falar da luta contra as tentativas de limitar os direito de reunião, de organização e de propaganda. É falar da luta dos comunistas contra as provocações e o anticomunismo. É falar de uma iniciativa que possibilitou e possibilita ainda pela primeira vez a muitos milhares de pessoas sem partido e de outros partidos, tomarem conhecimento e contactarem com um PCP bem diferente da imagem que durante dezenas de anos o fascismo e as forças de direita lhes procuraram dar sobre os comunistas e o seu Partido, e que hoje, infelizmente, alguns retomam com toda a força e com os mesmos slogans, ao serviço do grande capital e do imperialismo.

Escrever sobre a Festa da Alegria, é falar da solidariedade, da generosidade, da combatividade, da confiança, do trabalho colectivo e da alegria, inseparáveis do estilo, da organização e dos objectivos por que luta o Partido que a promove.

Falar da Festa da Alegria é falar de um Partido que não se verga às dificuldades e aos desafios do seu tempo.

Escrever sobre a Festa da Alegria é falar de um dos melhores e mais importantes espaços de convívio, cultura e arte da nossa região. Ao longo das suas edições, como nenhum outro evento no norte do País, a Festa da Alegria, trouxe aos seus palcos os que de mais representativo e melhor existe da música portuguesa nas suas mais variadas expressões.

Pela mão da nossa Festa, alguns desses artistas vieram actuar pela primeira vez a Braga. Outros mesmo, têm associado ao começo das suas carreiras a Festa da Alegria. A todos eles se deve também desde o seu início o prestígio e acolhimento que a festa granjeou entre a população de Braga e da Região.

Escrever sobre a Festa é falar da presença em quase todas as suas edições de praticamente todas as Organizações Regionais do Partido, que com a sua participação fizeram da Festa da Alegria uma mostra única da acção e intervenção dos comunistas e dos trabalhadores no País, mas também da arte popular, da gastronomia e do património artístico e cultural, dando à Festa da Alegria uma dimensão que nenhum outro evento na região conseguiu alcançar.

Escrever sobre a Festa é falar do local de encontro, do convívio e confraternização, mas também das aspirações e dos objectivos da luta dos trabalhadores do povo e do País. É falar de uma importante tribuna de denúncia e de resistência à política de direita, da defesa dos interesses e aspirações dos trabalhadores e de uma forma geral, do povo da nossa região, de defesa do regime democrático e da revolução de Abril.

Os que pensam ou pretendem apresentar a Festa da Alegria como a grande operação de simples propaganda e de marketing, através da qual os comunistas procurariam aliciar os incautos ou ingénuos, cometem um grande erro. A Festa, o seu êxito, o sucesso e prestígio, a sua grande força e dinâmica, residem fundamentalmente em reflectir a verdade sobre o PCP. Só a má fé ou os preconceitos de alguns não os deixam ver ou aceitar esta realidade.

Nenhum empresário, nenhum outro partido fariam uma festa com as características da Festa da Alegria (apesar de haver partidos que no plano financeiro e de influência política, estariam em melhores condições de a fazer do que nós). Se não o fizeram até hoje, não é por falta de meios ou mesmo de vontade. Não fazem, porque os ideais e objectivos que inspiram toda a nossa actividade e naturalmente a festa que realizamos, só o PCP os tem e não são coisa que se possa fingir ter, ou se possa comprar.

Escrever sobre a Festa da Alegria é falar das festas passadas mas também da próxima, que está aí, à porta, nos dias 26 e 27 de Julho.

Uma decisão que não foi fácil. Realizar uma festa que ainda por cima se chama Alegria, quando sabemos das muitas dificuldades e problemas que enfrenta o País, o nosso povo e o Partido.

Mas tal como no passado, em outras Festas inesquecíveis, sabemos que é agora que ela faz falta, que ela é necessária, ao Partido e à luta. Contra os ventos e marés de uma ofensiva sem precedentes ao regime democrático e ao Partido, a XIV Festa da Alegria vai constituir mais uma vez, uma combativa, forte, firme e alegre expressão, de afirmação e confiança no Partido na sua luta, nos seus objectivos e ideais.

 

«O Militante» - N.º 265 Julho/Agosto de 2003