Sim, é possível! |
As organizações de base do Partido – as células – são um elemento fundamental para a intervenção e a ligação do Partido às massas.
No plano local as organizações de base (constituídas ao nível do bairro, da localidade, da freguesia ou na base de agrupamentos) e os organismos dirigentes (da comissão local ou de bairro à comissão de freguesia e à comissão concelhia) têm um papel essencial na intervenção e na influência do Partido que, no entanto, só podem desempenhar cabalmente se associarem à estruturação e ao funcionamento internos uma preocupação essencial com o meio em que actuam.
As organizações partidárias em geral e as organizações locais em particular têm que se estruturar, definir as suas formas de funcionamento regular, assegurar a recolha de fundos, promover a formação e desenvolvimento político e ideológico dos militantes do Partido, entre muitas outras questões e tarefas que garantem o funcionamento, a elevação da preparação e a acção partidária.
Tais tarefas, verdadeiramente decisivas para a intervenção partidária e o fortalecimento orgânico, são indissociáveis da concentração de atenções e energias nos vários aspectos da vida local, questão que tem que estar presente no dia-a-dia do funcionamento da organização e dos organismos dirigentes do trabalho partidário, mas também na planificação e programação, na definição de prioridades, na perspectiva mais larga da acção partidária, actuando no quadro da orientação geral do Partido e tendo em conta as características específicas inerentes a cada realidade local. É necessário, a partir de muitas experiências interessantes, generalizar um estilo de trabalho que conduza a que cada organização tenha sempre no centro das suas atenções e discussão os problemas do meio em que actua e a iniciativa sobre ele.
A intervenção no poder local ou junto dele é uma componente de relevo da acção local do Partido. No entanto, a necessidade que a organização do Partido tem de estar junto das populações e de contribuir para o seu esclarecimento, mobilização e organização, decorrente dos objectivos e projecto do Partido, coloca um âmbito de intervenção muito mais amplo.
O conhecimento dos problemas, a elaboração de posições e propostas, associada ao estímulo para o desenvolvimento das lutas das populações, da sua iniciativa e organização (por exemplo, em torno dos problemas locais, vias de comunicação, problemas da saúde, do ensino, da distribuição de energia eléctrica, do serviço de correios, da água e do saneamento), o desencadeamento de acções reivindicativas, a criação de Comissões e Associações de Utentes são elementos significativos do estilo de trabalho necessário na intervenção local.
A realidade do importante movimento associativo popular (as colectividades de diversos tipos, os clubes, as associações de bombeiros) obriga a colocar num plano de destaque a sua importância e o trabalho que lhe é dirigido. Trata-se de criar condições para a dinamização da acção destas estruturas com o importante papel que têm na promoção da cultura, do desporto, da ocupação de tempos livres, da formação em áreas diversas, da resposta a problemas das populações, de promoção do associativismo e do espírito associativo, designadamente entre os jovens. É uma acção e um conjunto de objectivos a que os comunistas têm dado uma importante contribuição, na qual é necessário um maior empenhamento não numa perspectiva de actuação isolada mas, muito ao contrário, aplicando a orientação que sempre caracterizou os comunistas de um amplo trabalho unitário com homens, mulheres e jovens sem partido ou mesmo de outras opções político-ideológicas. A resposta a este apelo passa por uma disponibilidade e iniciativa dos militantes do Partido, fazendo-se sócios das colectividades da sua zona, inserindo-se no trabalho da sua colectividade, dando o seu contributo e articulando a sua actividade com o trabalho geral do Partido. Mas passa também por uma responsabilidade colectiva, pela exigência, que se coloca a cada organismo dirigente e a cada organização no plano local, de conhecer as colectividades mais importantes, de definir prioridades (uma vez que não há condições para chegar ao mesmo tempo a todo o lado), de considerar as formas organizativas adequadas para acompanhar este trabalho, de organizar o contacto e a discussão com os camaradas que actuam nessas estruturas e de destacar quadros para o desenvolvimento de projectos unitários de acção nas colectividades mais importantes que deles careçam, considerando sempre as prioridades, que no quadro das forças existentes pode ser apenas uma colectividade no plano da freguesia ou mesmo do concelho.
A atenção a dar à intervenção dos comunistas no Poder Local, ou em estruturas e movimentos unitários diversos, não pode significar o apagamento ou a diluição da acção própria do Partido dirigida à população, ao contrário deve estar associada à iniciativa e afirmação própria do Partido. Iniciativa própria pegando em problemas concretos, na discussão com a população e estimulando a sua intervenção e luta para a resolução dos seus problemas e a concretização das suas aspirações, articulando-a com a acção nas instituições e com o trabalho unitário. Esta intervenção contínua do Partido, que é necessário generalizar como estilo de trabalho, tem neste momento uma particular saliência e visibilidade com a acção nacional “Mil localidades – Participação e desenvolvimento”, inserida na iniciativa “Em Movimento por Um Portugal com Futuro”. Mas, iniciativa própria também na divulgação das posições do Partido, aproveitando as possibilidades dos meios de comunicação social e essencialmente baseando-nos nos meios próprios, na imprensa do Partido e numa acção de informação e propaganda que é indispensável dinamizar e quotidianamente desenvolver de forma criativa, seja no plano da propaganda fixa (faixas, MUPIs, placares, murais), seja no plano da edição de folhetos de agitação ou boletins, seja em acções especiais de contacto com as populações e os trabalhadores (a acção a dia certo no mercado ou outro local de concentração ou passagem que cria o hábito do relacionamento, a acção junto dos trabalhadores de uma empresa, a jornada dirigida a um bairro), seja ainda a utilização da Internet e das novas tecnologias da informação em geral ao serviço da informação e propaganda do Partido.
No quadro das exigências colocadas ao nosso Partido, a resposta e a iniciativa de que precisamos passam pela iniciativa de cada membro do Partido, na reflexão, na sugestão e na acção, inseridas no trabalho colectivo que potencializa essa acção e iniciativa, e passam pelo reforço do trabalho de direcção colectivo, considerado simultaneamente numa maior agilidade na resposta aos problemas e situações que vão surgindo e numa maior, mais ampla e mais profunda planificação e programação da acção partidária em ligação com o meio que insira além das iniciativas do calendário político habitual, a resposta faseada e calendarizada a situações locais, as campanhas do Partido sobre algumas dessas situações ou problemas, a preparação de eleições da colectividade, do clube ou da associação.
Assim, com a intervenção, a iniciativa e a militância de cada camarada, com o trabalho colectivo de cada organismo e organização, inserido na intervenção geral do Partido e voltado para a população, para os trabalhadores e para o conjunto da realidade do meio em que actua, é possível mais influência e mais intervenção local, é possível um PCP mais forte, ao serviço dos trabalhadores, do povo e do país.
«O Militante» - N.º 265 Julho/Agosto de 2003