16ª Assembleia da FMJD
Prioridade à luta pela paz e contra o imperialismo



Membro do Secretariado e da CP da Direcção Nacional da JCP, membro do CC do PCP

Na luta contra o imperialismo, «merece referência especial o papel da Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD). A sua condição de organização juvenil internacional de massas, anti-imperialista e de esquerda, que reúne em si organizações de todas as regiões do mundo, ligadas à realidade da luta dos seus países, faz da FMJD um espaço de cooperação, solidariedade e troca de informações das forças juvenis mais progressistas. No último mandato, a direcção da FMJD tem reforçado este papel e trilhado um caminho de acções concretas que importa aprofundar – com destaque para o envio de delegações a Belgrado e à Palestina durante os mais fortes períodos de ataques. A JCP, tentando envolver todas as organizações nas discussões e decisões, no respeito pelo carácter da Federação, tem procurado ter um papel de afirmação das suas próprias posições» – 7º Congresso da JCP

Fundada em 1945, correspondendo aos anseios de paz, solidariedade e amizade da juventude, fustigada pela 2ª Guerra Mundial, a FMJD desempenhou, desde logo, um papel importante na cooperação, troca de informações e solidariedade entre as organizações juvenis anti-imperialistas de todo o mundo. A organização dos Festivais Mundiais da Juventude e dos Estudantes, nos quais a FMJD tem um papel de dinamização fundamental, deu um carácter de adesão de massas a estes princípios. Embora fortemente reprimida pelo fascismo, a juventude portuguesa desde cedo aderiu ao movimento dos festivais e à FMJD, nomeadamente através do MUD-Juvenil. As tomadas de posição da Federação, em solidariedade com a luta dos por tugueses contra o fascismo e com os povos das então colónias portuguesas em luta pela sua independência, foram importantes contributos à nossa luta e à sua projecção no estrangeiro.

A 16ª Assembleia da FMJD realizada em Havana (Cuba), de 4 a 7 de Março deste ano, com a participação de 81 organizações de 64 países de todos os continentes, foi um importante momento de reafirmação dos princípios e do carácter da Federação. Estatutariamente, compete à Assembleia decidir a linha política para os próximos quatro anos e eleger a nova direcção da Federação.

A luta pela paz e contra o imperialismo é a grande prioridade decidida pela Assembleia. Realizada nas vésperas do ataque ao Iraque, a FMJD analisou a situação social e política da juventude de todo o mundo, num quadro de ataques aos direitos conquistados por gerações de jovens, de grande ofensiva ideológica, de crescente militarização em todas as regiões do globo, do aumento das desigualdades, da exploração dos recursos naturais. Além da Resolução Política, a Assembleia aprovou diversas resoluções temáticas sobre: a solidariedade internacional, direitos da juventude, ambiente e recursos naturais, paz e luta anti-imperialista, jovens mulheres, saúde, educação e emprego.


JCP na presidência

Desde há cerca de um ano e meio que diversas organizações vinham colocando à JCP a consideração da perspectiva da candidatura à presidência da FMJD. Para a JCP, estava assumido que as organizações da direcção da FMJD – particularmente as que desempenham tarefas a tempo inteiro na sede da Federação (Budapeste-Hungria) – devem ser organizações profundamente ligadas à realidade das massas e da luta nos seus países, e que a posição de presidente deveria ser ocupada por uma organização comunista. A reflexão da JCP, acompanhada naturalmente pelo Partido, encaminhou-se para a apresentação da candidatura, depois de largas consultas a organizações-membro da Federação. A JCP mereceu na Assembleia a confiança das organizações, que a elegeram por maioria para a presidência.

A FMJD, através da sua unidade, enfrentou com êxito a profunda alteração da correlação de forças no mundo. A evolução da situação mundial coloca a responsabilidade de continuar com determinação os princípios que a definem.

O carácter anti-imperialista da FMJD, o aprofundamento do relacionamento e envolvimento frequente de todas as organizações-membro, o lançamento de iniciativas sobre as questões da fome, SIDA, educação, a coordenação e agilidade nas tomadas de posição e a independência financeira da Federação, foram algumas das preocupações colocadas pelas organizações, que a JCP partilha e a que procurará corresponder no mandato que agora se inicia.

É num quadro internacional extremamente difícil que a JCP assume esta responsabilidade. O crescendo das ofensivas militares e ideológicas do imperialismo exige à Federação um papel de destaque e maior visibilidade na luta. Nas discussões que se travam no plano das forças que resistem ao avanço do imperialismo, são de grande importância o papel da luta de massas, dos partidos comunistas, do movimento juvenil, do movimento sindical de classe, dos movimentos antiglobalização, da luta a nível nacional – questões de debate vivo às quais é necessário dar resposta.

A profunda implantação e influência das organizações junto dos jovens nos seus países é fundamental para a luta da juventude em torno dos seus direitos e um contributo decisivo para a transformação da sociedade. A luta por objectivos concretos possibilita o aumento da consciência social e política de amplas massas juvenis. A ligação das organizações da Federação aos problemas dos jovens nos seus países reforça o conhecimento da FMJD e a capacidade de resposta do movimento juvenil aos diversos e profundos problemas com que os jovens se deparam no mundo, possibilitando a definição de acções concretas de solidariedade. Só com esta profunda ligação, a Federação e as organizações estarão em melhores condições de dar combate à ofensiva ideológica e definirem a sua acção em torno de problemas concretos e não em torno de ideias gerais e abstractas.

Destacar meios e um quadro da direcção da JCP para esta tarefa num momento de resistência à ofensiva da direita em Portugal é uma decisão difícil, mas consciente e ponderada, considerando as responsabilidades da JCP no movimento juvenil anti-imperialista a nível mundial e a necessidade da solidariedade internacionalista.

Nos próximos quatro anos, muitas serão as situações de debate ideológico vividas no seio da FMJD. Com o envolvimento de todas as organizações-membro, apoiada na luta firme de milhões de jovens de todo o mundo, a Federação, tal como no passado, será capaz de encontrar os caminhos e a força para as lutas que se anunciam. Durante o mandato da JCP, a FMJD completará, a 10/Nov./2005, 60 anos de luta, solidariedade e amizade entre os jovens de todo o mundo. No mesmo ano, terá lugar o 16º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes. Ambas, serão ocasiões de reforço e perspectivação do futuro da FMJD.

Brigada da JCP
à Palestina

Durante os dias em que se desenrolava em Cuba a Assembleia da FMJD, a JCP enviava à Palestina e a Israel uma brigada de oito camaradas, numa visita de solidariedade e de procura de conhecimento da realidade da ocupação israelita. A delegação da JCP teve encontros com várias organizações palestinianas – quer na Faixa de Gaza, quer na Cisjordânia –, tomando contacto com as brutais realidades da ocupação, da fome, do recolher obrigatório, da ausência de liberdade, dos bombardeamentos e assassinatos com que convivem diariamente o povo e os jovens palestinianos. Da mesma forma, decorreram encontros com organizações de juventude israelitas, com destaque para a Liga da Juventude Comunista de Israel, cuja colaboração foi fundamental para os objectivos da própria brigada (lembramos que as autoridades israelitas tentaram recusar a entrada no país aos camaradas da JCP, com o propósito de impedir a visita à Palestina).

Depois do regresso dos brigadistas, a JCP já organizou mais de duas dezenas de debates e sessões de solidariedade com a Palestina, em escolas, bares, colectividades, etc., com o objectivo de tornar conhecida a experiência dos oito camaradas e de alargar a solidariedade com a luta do povo palestiniano.

 

«O Militante» - N.º 264 Maio/Junho de 2003