Sim, é posssível!
Responsabilizar mais jovens

O movimento geral de reforço da organização partidária, sob o lema "Sim, é possível! Um PCP mais forte" em concretização no seguimento da Conferência Nacional de Junho de 2002 aponta, entre as direcções principais do reforço do Partido, a responsabilização de mais jovens na vida partidária e o rejuvenescimento de organismos e organizações.

O PCP, reconhecendo as suas insuficiências e a necessidade de medidas para o seu fortalecimento, é um grande colectivo militante, formado por homens e mulheres, operários e empregados, intelectuais, quadros técnicos, pequenos e médios agricultores e empresários, trabalhadores no activo e reformados, jovens e idosos, militantes com diferentes experiências, diferentes saberes, diferentes capacidades, mas unidos por princípios, valores e objectivos, herdeiros de um património revolucionário, protagonistas de uma luta presente e um projecto de futuro para Portugal e para o mundo.

Há no PCP um número apreciável de militantes mais idosos o que é positivo, significa que muitos deles tendo aderido ao Partido há muitos anos continuam a ser membros do Partido e a dar a sua contribuição, com a sua militância, a sua experiência de vida e de actividade partidária. Esta contribuição é não só útil como tem que ser estimulada pois é uma componente do próprio projecto do Partido. Quando o capitalismo considera as pessoas mais idosas peças descartáveis da engrenagem da exploração e do lucro, o projecto humanista dos comunistas tem que ter como componente a realização pessoal das pessoas idosas, o seu contributo útil para a sociedade e naturalmente também o seu papel e contribuição no Partido.

A participação de militantes mais idosos de acordo com as suas possibilidades e o caldeamento de experiências são fundamentais, mas é decisivo para o Partido que se prossiga e aprofunde a integração dos jovens nos organismos e organizações, a responsabilização de quadros jovens a todos os níveis da estrutura partidária. A responsabilização de jovens não é só importante para o caldeamento de experiências, essencial para o futuro do Partido, é também de grande importância para a luta presente, pela ligação que permite aos problemas, anseios e formas de estar das camadas mais jovens, pela energia, capacidade de trabalho, reflexão e aptidão que integra na acção partidária.

É necessário continuar a elevar o nível de adesão de jovens ao Partido, para o que, além do empenhamento dos militantes e das organizações partidárias, a JCP tem um papel importante a desempenhar, sendo de assinalar que, nos últimos anos, tem sido muito significativo o recrutamento de militantes com idade inferior a 30 anos e que o mesmo se está a verificar no âmbito da campanha de recrutamento, que decorre desde Junho de 2002 até à Festa do Avante! deste ano.

A questão que se coloca é saber onde estão estes jovens militantes, em que organismos estão integrados, que tarefas têm, como estão inseridos e, nos casos em que ainda o não estejam, proceder à sua integração e responsabilização.

Duas tendências negativas se manifestam na abordagem e no processo de responsabilização de jovens.

A primeira e a mais comum é a consideração de que os jovens não estão preparados, não têm formação, falta-lhes experiência e hábito de funcionamento colectivo, se bem que em muitos casos não seja exactamente assim. Mesmo quando tal se passa a solução não é aguardar, "deixar passar mais tempo", porque a preparação, a formação, a experiência e hábitos de funcionamento colectivo não se adquirem no abstracto, mas sim na actividade, na luta concreta, no trabalho colectivo do Partido.

A segunda é, por vezes, a responsabilização de jovens em organismos e por tarefas sem lhes propiciar a indispensável ajuda e acompanhamento, deixando-os entregues aos êxitos e aos fracassos, às motivações e desmotivações que percorrem qualquer actividade, às dificuldades que para alguns podem parecer intransponíveis nas suas responsabilidades partidárias.

É necessário contribuir para a preparação e formação de base dos militantes e quadros jovens. Leitura de materiais e publicações, estudo, participação em cursos e debates fazem parte dessa ajuda e formação. Mas a preparação só é possível na prática, na actividade e na luta, com a experiência dos próprios e a ajuda do trabalho colectivo, para que vençam as dificuldades que surgem, de modo a que ganhem cada vez mais confiança e espírito de iniciativa na sua intervenção. Não se pode confundir ajuda e acompanhamento com desconfiança ou com uma responsabilização parcial que seria, de facto, desresponsabilizante. A responsabilização deve ser plena pois só assim é possível conhecer e permitir o desenvolvimento das capacidades e qualidades de cada um.

Há jovens para responsabilizar, é necessário avançar com audácia na sua integração e responsabilização. As tarefas devem ser definidas em função das necessidades do Partido, mas tendo muito em conta as características de cada camarada, as suas aptidões, interesses e motivações, estimulando a sua iniciativa e aproveitando as suas qualidades. Em situações de organismos compostos por camaradas com mais idade pode ser adequado responsabilizar para esse organismo não apenas um jovem, mas vários, porque isso pode contribuir para a sua melhor integração no funcionamento do colectivo, e mesmo a superação de eventuais rotinas de funcionamento. Esta linha decidida de responsabilização de jovens na estrutura do Partido quando se trata de camaradas que também militam na JCP deve ter em conta as necessidades próprias da JCP.

O recrutamento de mais jovens para o Partido e para a JCP, a sua integração nas organizações e organismos do Partido e a continuação e aprofundamento da responsabilização de jovens, a todos os níveis da estrutura partidária, são linhas de trabalho da maior importância para fortalecer a intervenção presente do Partido e assegurar o seu futuro como partido revolucionário cuja responsabilidade histórica se agiganta neste início do século XXI.

Com o seu grande colectivo, com a participação de militantes de todas as gerações, com a contribuição decisiva dos jovens comunistas que assumem e tem que assumir mais responsabilidades no seu Partido, com a participação viva e determinada da Juventude Comunista Portuguesa, o PCP, digno da sua história, estará em condições de continuar a corresponder às suas responsabilidades para com a classe operária, os trabalhadores, o povo e a juventude portuguesa. Num mundo em que o imperialismo norte-americano promove a agressão e a guerra para subjugar os povos à ditadura planetária da exploração e do lucro, o PCP levanta a sua bandeira de combate às injustiças, pela paz a democracia e o socialismo, a bandeira da esperança, o sinal que é possível, demore o tempo que demorar, derrotar a barbárie do imperialismo e abrir o caminho de uma sociedade nova e de um mundo mais justo.

«O Militante» - N.º 264 Maio/Junho de 2003