| Sim, é possível! Mais militância |
O tempo que vivemos no país e no mundo coloca acrescidas responsabilidades ao papel do PCP. O Partido conta com um grande colectivo de uma grande militância mas, para travar com êxito o seu combate, para alcançar os seus objectivos precisa ser ainda mais forte e mais influente. A militância partidária é o elemento determinante da capacidade de intervenção do Partido, do número de militantes que participam na vida partidária, da intensidade dessa participação, da sua iniciativa inserida no funcionamento do colectivo partidário e nos seus princípios orgânicos depende a amplitude e eficácia da intervenção, depende a força do Partido.
A militância partidária é resultado em cada momento de um conjunto de factores, uns dependentes do Partido, outros determinados pela realidade envolvente. Se há factores de funcionamento próprio do Partido que influenciam a militância e o seu aproveitamento, a situação política e social envolvente é, em muitos aspectos, determinante. Não é possível, por exemplo, aferir o grau de militância por comparação com o verificado no período da Revolução Portuguesa, situação revolucionária em que o nível da militância partidária estava associado a uma notável participação das massas populares. Por outro lado se a militância é determinada pela consciência política, há factores ligados à vida pessoal e profissional que têm, em muitos casos, um grande peso. A intervenção tem que ser feita em cada situação com a realidade da militância existente, não é elemento ajustado a nostalgia de níveis de participação só possíveis em períodos revolucionários, como não é solução ficar à espera de que aumente a militância para travar as batalhas políticas com que estamos confrontados. É, aliás, necessário valorizar a generosidade e a combatividade da militância dos comunistas e o exemplo que constitui nos dias de hoje. Mas não podemos perder de vista a importância da elevação da militância.
No âmbito do movimento geral de reforço da organização partidária em curso é essencial considerar as formas de contribuir para reforçar a militância, alargar o núcleo activo, aumentar o número de camaradas com tarefas e responsabilidades regulares e assegurar uma maior ligação e integração dos membros do Partido.
Para alargar o núcleo activo é necessário elevar a consciência de que a contribuição de cada militante é decisiva e não é substituível e que o Partido será tanto mais forte quanto maior e mais eficaz for a contribuição de cada um. Esse é um aspecto essencial. Mas é também necessário aprofundar a estruturação do Partido com a criação de mais organismos com iniciativa própria e dinamismo, integrados no funcionamento partidário, que assegurem a integração dos membros do Partido e o aproveitamento da sua militância.
É necessário igualmente associar a questão essencial das necessidades do Partido às características e disponibilidades dos militantes. A acção do Partido coloca necessidades diversas. Para haver eficácia na intervenção é indispensável o papel de direcção aos vários níveis de modo a que as responsabilidades e tarefas sejam distribuídas e assumidas de acordo com as prioridades e as necessidades que se colocam em cada momento ou fase de intervenção política. No entanto, numa organização que é composta por homens e mulheres pesam aspectos importantes que devem ser tidos em conta para aproveitar as potencialidades da acção militante. É necessário ter em conta não só as disponibilidades e condicionamentos de vida de cada militante, como também a sua opinião e motivação para esta ou aquela tarefa, pois inserido numa actividade que mais o motive certamente estará em condições de contribuir melhor.
Há necessidade de ter em consideração que as tarefas do Partido são muito diversificadas e que a preparação e formação dos militantes, as suas qualidades e conhecimentos são também muito diversos e devem ser bem aproveitados para o trabalho do Partido.
Na avaliação da militância há que ter em conta também situações específicas, por exemplo de camaradas operários e outros trabalhadores que estão disponíveis e têm determinação e condições para realizar tarefas nas empresas e locais de trabalho, seja no contacto com outros membros do Partido, seja na conversa com os trabalhadores na divulgação das posições e projecto do Partido, seja ainda em trabalho nas organizações de massas dentro da empresa, mas podem não ter disponibilidade (por razões familiares, de transportes, de local de residência muito longe do local de trabalho), para a participação em muitas reuniões após o horário de trabalho (isto é muito evidente por exemplo com mulheres trabalhadoras) e nem por isso são menos importantes no trabalho do Partido.
Por outro lado as tarefas e responsabilidades são de muito tipo, da responsabilidade de organizações e organismos, ao contacto com outros membros do Partido e à difusão da imprensa partidária, da elaboração de textos e artigos às acções de propaganda na rua, passando pelas tarefas em organizações de massas ou pelo trabalho institucional, uma diversidade que exige e possibilita um melhor aproveitamento das energias e capacidades do colectivo partidário e das características e disponibilidades de cada militante.
Uma outra questão decisiva é a necessidade de levar mais longe a compreensão e, no plano prático, de assegurar que o maior número possível de camaradas tenha uma responsabilidade ou uma tarefa regular por pequena que seja. Isso multiplica extraordinariamente a capacidade de intervenção do Partido.
Temos uma capacidade de intervenção que resulta da disponibilidade na fase actual do conjunto dos militantes do Partido, mas nem toda ela está aproveitada e em parte porque muitos camaradas não tendo uma responsabilidade ou tarefa regular acabam por agir apenas quando alguém lhes solicita uma tarefa. Por vezes ouvem-se camaradas dizer frases do tipo: “se falarem comigo estou disponível”, ou “ninguém falou comigo”, ora, esta é uma questão relevante. É necessário quem pense nas tarefas, quem quotidianamente trate com os outros camaradas da sua distribuição e este é um papel indispensável dos organismos e quadros dirigentes na actividade partidária. Mas o facto de um elevado número de quadros estar sobrecarregado, cria estrangulamentos que dificultam um aproveitamento mais integral da disponibilidade militante.
Será sempre necessário no dia-a-dia considerar as tarefas e iniciativas que a situação impõe, mas quanto maior for o número de camaradas com responsabilidades ou tarefas regulares, mais forte será a capacidade de intervenção do Partido. Para que tal se verifique é necessário que os organismos e quadros dirigentes considerem as tarefas regulares a propor a cada camarada, aproveitando para o efeito a acção nacional de contacto com os membros do Partido que está em curso e, simultaneamente, uma maior disponibilidade e iniciativa de cada membro do Partido para aceitar e sugerir ficar com uma tarefa regular de acordo com a sua disponibilidade.
Outra questão que deve merecer particular atenção é a integração dos novos militantes que estão a aderir ao Partido num número significativo (em 2002 foram mais de 1.800, cerca de 40% dos quais com menos de 30 anos), de modo a que, em conformidade com a disponibilidade e características de cada um, sejam inseridos numa organização e num organismo e lhes seja atribuída uma responsabilidade regular, isto é, que integrem uma organização e organismo com a consciência de que a militância é um dever básico de cada membro do Partido.
Na complexa e exigente situação que vivemos com a iniciativa de cada militante, com a intervenção das organizações e quadros do Partido, podemos afirmar ”Sim, é possível!”, mais militância para um PCP mais forte e mais influente.
«O Militante» - N.º 263 Março/Abril de 2003