| PCP – Reflexão e Prática Bom Ano Novo, camaradas! |
Entramos num novo ano e com ele a sempre renovada esperança de uma vida melhor.
O ano que findou foi particularmente difícil, mesmo duro para os portugueses. Sobretudo para os trabalhadores e para os comunistas. Instalada no poder pelo caminho aberto pela política de direita do Governo do PS, a coligação PSD/CDS-PP desencadeou uma ofensiva reaccionária em todas as frentes, aproveitando-se da conjuntura internacional para tentar arrebatar ao povo português conquistas sociais e políticas de grande valor. Ofensiva particularmente violenta contra os trabalhadores e os seus direitos sociais e laborais plasmada nessa autêntica carta dos direitos arbitrários do capital que é o Código Bagão Félix.
Por seu lado o PCP foi sujeito a uma campanha sem precedentes contra a sua imagem, o seu projecto, a sua Direcção. Com o cínico pretexto dos maus resultados eleitorais nas eleções autárquicas, membros do Partido enveredaram por uma acção sistemática de desagregação que, se tivesse sido tolerada, criaria ainda mais graves prejuízos à imagem e capacidade de intervenção do PCP.
A tudo isto, que é muitíssimo, há que juntar a contra-ofensiva dos EUA e do imperialismo a pretexto do 11 de Setembro, o perigoso agravamento de tensão internacional, as ameaças de uma guerra de incalculáveis consequências que paira sobre o Iraque e toda a região do Médio Oriente e Ásia Central.
Mas 2002 foi isso e o seu contrário. Ampliou-se o descontentamento e desenvolveu-se a resistência e a luta popular contra a direita. E o PCP mobilizando o colectivo partidário, desmascarou os ambiciosos projectos anticomunistas dos seus adversários, defendeu a sua coesão, confirmou o seu papel de vanguarda insubstituível na luta dos trabalhadores e do povo português.
O ano findo terminou com uma Greve Geral de grandes dimensões que vai pesar fortemente na evolução do quadro político nacional e da qual o patronato e o seu governo de serviço não podem deixar de tirar as necessárias ilações. Assim como a Direcção do PS, cujas lamentáveis ambiguidades em relação a tão importante acontecimento não foram acompanhadas por milhares e milhares de militantes e eleitores socialistas, que participaram entusiasticamente na grande jornada nacional unitária que foi a Greve Geral de 10 de Dezembro.
É por este caminho de luta que é necessário prosseguir para tornar o novo ano melhor que o anterior, para obrigar o Governo a recuar e a meter na gaveta o pacote laboral e outras medidas hostis ao mundo do trabalho. Só com a intensificação da mobilização popular, só com o desenvolvimento da luta da classe operária, dos agricultores, dos pequenos, médios e micro empresários, das mulheres, dos jovens e estudantes, dos reformados, será possível satisfazer em 2003 reivindicações muito sentidas e forjar condições para a derrota da direita e para a viragem democrática a que aspiramos.
Neste caminho estará como sempre o PCP que, dando corpo às Resoluções do XVI Congresso, da Conferência Nacional de 22 de Junho e de numerosas assembleias de organização a todos os níveis, inicia o novo ano com uma dinâmica de intervenção partidária muito intensa.
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Naturalmente que O Militante não pode estar à margem desta dinâmica e, na sua esfera de intervenção própria, é seu dever contribuir para que os militantes comunistas em geral e os quadros do Partido em particular, estejam cada vez mais à altura das suas responsabilidades perante os trabalhadores, o povo e o país.
Assim, e indo ao encontro das orientações e decisões centrais no que respeita à imprensa partidária, o 70º aniversário de O Militante será assinalado pelo colectivo responsável pela sua edição com iniciativas visando sensibi lizar mais todo o Partido para a importância de O Mili tante, e a promoção da sua difusão, nomeadamente aumentando o número dos seus assinantes e leitores regulares. Claro está que esse objectivo, também essencial do ponto de vista da sua sustentação financeira, passa por uma melhor inserção de O Militante na actividade geral do Partido, por uma articulação mais viva com as organizações, as áreas e frentes de trabalho do Partido, por um diálogo mais efectivo com os seus leitores. O Militante tem de ser sentido e compreendido como uma ferramenta útil e mesmo indispensável à intervenção revolucionária dos comunistas. Para isso, continuará a dar-se grande atenção ao tratamento dos problemas de organização e ao intercâmbio de experiências de trabalho e luta, procurando simultaneamente acentuar a vertente do estudo e reflexão sobre as grandes questões do mundo contemporâneo e da sociedade em que actuamos.
A junção ao consagrado logotipo de O Militante da frase "PCP – Reflexão e Prática" é um sinal forte de um compromisso que em qualquer caso só frutificará com as opiniões, sugestões e críticas dos leitores desta publicação central do Partido.
O conjunto de debates que serão promovidos ao longo do ano por O Militante em colaboração com organizações regionais sob o lema "Debates sobre o nosso tempo" insere-se também nesta perspectiva.
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Na esteira do que agora finda, o novo ano será necessariamene marcado por novas e importantes lutas dos trabalhadores e de outras classes e camadas antimonopolistas, desde logo contra a política profundamente anti-popular e reaccionária da direita e, simultaneamente, contra o militarismo e a guerra imperialista que os EUA se preparam para desencadear no Médio Oriente. Como sempre os comunistas estarão na primeira linha do combate, com a consciência das grandes dificuldades da hora presente e da dureza da luta mas também com a serena confiança de que é possível inverter o desastroso rumo da evolução nacional, europeia e mundial.
Ao mesmo tempo é necessário persistir no objectivo do fortalecimento da coesão, reforço, renovação e rejuvenescimento da organização partidária. E que melhores condições podem existir para o fortalecimento e o alargamento das fileiras do Partido do que o desenvolvimento da luta de massas? Não é nela que melhor se afirma o que realmente significa para os trabalhadores a existência do seu Partido? Não é nela que melhor se revelam os homens e as mulheres, e sobretudo os jovens, que pela sua combatividade, sentido de solidariedade, honestidade, constituem a melhor base do Partido, e a mais sólida garantia da sua continuidade e renovação?
Nunca é demais insistir na velha palavra de ordem do PCP: "Lutar e organizar! Organizar e lutar!". A realização de assembleias de importantes organizações do Partido no calor da intensificação da luta operária e popular, umas já realizadas outras em preparação, é um facto que importa valorizar em termos de estilo de trabalho e pela dialéctica que estabelece, na prática, entre organização e luta.
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No limiar do novo ano vale a pena parar um momento e reflectir sobre o caminho que trilhámos, ao longo dos últimos 24 meses, desde as eleições autárquicas de 16 de Dezembro 2001, com os maus resultados da CDU e a violenta campanha anti-Partido que se lhes seguiu, e a Greve Geral de 10 de Dezembro de 2002, com o grande êxito que constituiu e o papel insubstituível que nela tiveram dirigentes e activistas sindicais comunistas e o Partido no seu conjunto. Foi um combate intenso, difícil, mesmo doloroso nalguns momentos, mas em que uma vez mais se afirmaram princípios revolucionários e orientações de classe que historicamente fizeram a força e o prestígio do Partido perante a classe operária, os trabalhadores e o povo português.
Saímos ainda mais convictos do Partido que somos e queremos continuar a ser.
Bom Ano Novo, camaradas!
«O Militante» - N.º 262 Janeiro/Fevereiro de 2003