Grande êxito político



Membro do Secretariado do Comité Central do PCP

Não há Festa como esta!

Em Setembro realizou-se mais uma edição da Festa do Avante!. Sempre diferente, mas mantendo as características fundamentais, a Festa revelou-se, mais uma vez, um grande espaço de juventude, convívio, cultura, liberdade, solidariedade e de intervenção.

Realizada num contexto político em que a ofensiva imperialista e a exploração capitalista (intensificada ainda mais depois dos acontecimentos do 11 de Setembro de 2001) é grave e preocupante; num momento em que em Portugal há um Governo com uma maioria na Assembleia da República dos partidos da direita, desencadeando, uma ofensiva que aprofunda a política de direita, com o objectivo de atacar importantes direitos sociais consignados na Constituição, e descaracterizando ainda mais o regime democrático; num quadro em que o Partido, depois de duas eleições com resultados negativos, esteve sujeito a uma prolongada campanha – com participação de alguns militantes que, caricaturando, deturpando, falsificardo as orientações e práticas partidárias, criaram prejuízos na imagem e no prestígio do Partido – a Festa foi uma importante manifestação da afirmação do Partido que somos.

A Festa, a maior iniciativa política do Partido, assenta o seu êxito na mobilização e no empenhamento do colectivo partidário. No contexto em que foi organizada, a resposta que o Partido e a JCP deram na concepção, na construção, na divulgação, no conteúdo político-cultural, no funcionamento, assume uma importância política-partidária ainda maior. Muitos milhares de camaradas e amigos participaram militantemente nas diferentes tarefas da Festa, houve mais de 7000 jornadas de trabalho, das quais cerca de 1300 da JCP. O êxito político da Festa constitui uma importante contribuição para as grandes batalhas políticas contra o Governo da direita e uma importante contribuição para as muitas e decisivas tarefas partidárias em curso.

A Festa foi um espaço de cultura, de juventude, de solidariedade e intervenção, de alegria e tranquilidade, que mostra bem as suas raízes populares.

Um vasto programa cultural diversificado e com muitos pólos de atracção:

. Os espectáculos centrais com um programa que foi da musica clássica, ao rock, do fado ao jazz e á musica popular.

. O palco novos valores com dezenas de novas bandas, escolhidas em 14 festivais da canção realizados um pouco por todo o país, com milhares de participantes.

. O palco arraial com a presença de ranchos, coros e bandas de todo o país.

. A animação de rua, este ano com a introdução de novos elementos de animação.

. Os espaços de animação musical da Cidade Internacional, do Café Concerto de Lisboa e Setúbal, do Café da Amizade. E noutros espaços da Festa, entre outras expressões musicais, evocou-se Adriano Correia de Oliveira, Ary dos Santos e António Aleixo.

. O Avanteatro com um programa que foi do teatro à dança, da poesia aos ateliers.

. O desporto com a participação de milhares de pessoas em várias modalidades com particular destaque para a corrida da festa, com mais de 1300 participantes.

. A feira do livro com diversos lançamentos de livros com assinalável êxito e edições esgotadas na Festa.

. A poesia presente em vários pontos da Festa.

. As exposições de fotografia, do ambiente com particular atenção para a água e da astronomia, vistas por milhares de visitantes.

. O monumento de solidariedade à Palestina e as dezenas de murais embelezando a nossa Festa com a participação de vários camaradas e amigos das artes plásticas.

. O espaço criança, com infra-estruturas melhoradas que tornaram o espaço mais bonito e agradável.

. O espaço multiusos da JCP com novas formas de participação.

. O espaço internacional, da JCP, das direcções regionais e sectores como importantes pólos de convívio, de presença da gastronomia de artesanato do mundo e do país.

A solidariedade e a intervenção política na Festa foram importantes contributos para o esclarecimento necessário sobre os principais problemas internacionais e nacionais, para a afirmação das propostas do Partido e para o empenhamento do colectivo partidário para as tarefas em curso:

. O pavilhão central, com exposições sobre a situaçã o política, os objectivos e as tarefas do partido, a imprensa partidária, com destaque para a campanha da difusão do Avante!, a evocação da luta das 8 horas, da crise académica de 62, de Bento Gonçalves, foi visitado por milhares de visitantes.

. Os debates na Festa – mais de 20 – com milhares de participantes a debater temas actuais, políticos, sociais, científicos e culturais

. A campanha de solidariedade com o Povo Palestiniano, os debates, com a participação de delegações convidadas sobre as questões da globalização capitalista, da guerra e da luta pela paz, da situação na América Latina, da ofensiva imperialista em curso, foram importantes momentos de solidariedade internacionalista e a afirmação da necessidade de trabalharmos para um mundo melhor.

. As brigadas de contacto do partido e da JCP que contactaram centenas de participantes, recrutando para o Partido e JCP, aumentando as assinaturas do Avante e esclarecendo sobre a ofensiva em curso do governo PSD-CDS/PP contra a segurança social e as leis laborais.

A abertura e particularmente o comício – apesar da chuva que no domingo fustigou a Atalaia, foram grandes momentos de afirmação e confiança combativa do Partido.

A Festa foi, cultura, solidariedade, convívio, liberdade, debate, luta e intervenção, não foi a “feira” das bifanas e dos copos” que, de uma forma inqualificável, a “Visão” noticiou, numa campanha anti- Partido sem paralelo.

A Festa continua, de ano para ano, sempre diferente, sempre com novos pólos de interesse, mas igual e única nas suas características. Festa do PCP aberta a todos que amam a liberdade e grande afirmação da luta pela democracia e o socialismo.

«O Militante» - N.º 261 Novembro/Dezembro de 2002