Intervir e organizar

 

Estamos numa fase de intensa actividade partidária, com importantes batalhas políticas que exigem uma forte resposta da organização partidária.

Em raros momentos da acção do Partido, nos últimos anos, se verificou uma tal convergência de tarefas tão exigentes. O Partido saiu da 25ª edição da Festa do Avante!, um enorme êxito a confirmar o lugar cimeiro dessa ímpar realização no panorama político cultural do país, e tendo que dar resposta a uma situação internacional em agravamento lançou-se, simultaneamente, na campanha nacional do Partido 100 mil por salários mais justos, mais qualidade de vida, associada ao desenvolvimento da luta dos trabalhadores e numa etapa decisiva da preparação das eleições autárquicas, que envolveu a elaboração e a entrega das listas e vai prosseguir com a fase final da pré-campanha e a campanha eleitoral.

Para o seu êxito, estas tarefas exigem uma grande tensão de forças da organização partidária, dos quadros e militantes do Partido, mas devem também ser vistas com as potencialidades que têm para o reforço do Partido, de modo a que, terminada cada batalha política, além do seu resultado imediato, tenha permitido dar passos para o reforço orgânico, para que o Partido fique mais forte e mais influente e, portanto, mais preparado para a luta que continua.

Isso é possível, mas para ser concretizado necessita que cada organização, cada quadro, cada militante do Partido, participe na acção política e a integre sempre nesta visão de futuro.

A campanha 100 mil por salários mais justos, mais qualidade de vida, pelo número de assinaturas recolhidas, ultrapassando o objectivo estabelecido, pela afirmação política de exigência de uma política diferente denunciando as injustiças e as consequências da política de classe ao serviço dos grupos económicos e financeiros e também pelo trabalho de massas que permitiu, constituiu um enorme êxito. Em pouco mais de um mês estabeleceu-se um contacto directo com cerca de meio milhão de pessoas, num trabalho com um forte impacto que tocou muitos milhares de trabalhadores, à porta ou dentro das empresas e locais de trabalho.

Esta acção constituiu um contributo importante para o reforço da organização e intervenção do Partido nas empresas e locais de trabalho. Deu relevo, a nível nacional, a um dos aspectos essenciais do conteúdo da intervenção - o problema dos salários -, a que é necessário juntar agora, de forma continuada, os objectivos de intervenção e luta a nível de empresa ou sector; “obrigou” à realização de reuniões para considerar em concreto como distribuir a propaganda do Partido e como recolher as assinaturas; alertou organizações, células, militantes para o facto do seu papel não terminar nos limites dos contactos com os membros e amigos do Partido, mas sim visar o contacto, a informação, o esclarecimento, a mobilização (neste caso para a sua assinatura e/ou para a recolha das de outros) do maior número possível de trabalhadores. A campanha surpreendeu vários camaradas com a receptividade que encontraram, abrindo assim perspectivas para uma maior audácia na abordagem e no diálogo com as massas, para uma mais profunda ligação aos trabalhadores; revelou e deixou contactos de trabalhadores não comunistas, que se disponibilizaram para a recolha de assinaturas em empresas onde, até esse momento, não havia contactos; e permitiu o recrutamento de novos militantes.

Foi muito o que conseguimos, mas é preciso continuar empresa a empresa, local de trabalho a local de trabalho definido como prioritário, numa intervenção persistente que tem já nas eleições autárquicas um novo momento alto, com o trabalho dirigido às empresas e o trabalho organizado nas empresas a ser orientado para mostrar aos trabalhadores que este partido diferente com que sempre podem contar, que promove a sua força, organização e luta, esse partido que não aparece só nas campanhas eleitorais, que está sempre com eles, que foi ao seu encontro nos últimos anos - contra o pacote laboral, em defesa do direito às férias, pela concretização dos direitos, pela dignificação e valorização do trabalho, por salários e pensões mais justas e mais qualidade de vida - precisa agora do seu apoio, precisa do seu voto, para com ele reforçar a CDU no poder local, garantia, em todas as situações, de defesa dos interesses das populações.

Paralelamente decorreu a preparação das eleições autárquicas, com a elaboração e entrega das listas, um trabalho muito intenso de contacto para definir as dezenas de milhar de candidatos que as integram. Contacto com membros do Partido, simpatizantes e independentes, um outro importante trabalho de massas e de estruturação da intervenção.

Temos agora por diante uma nova fase. Fase em que o prosseguimento da luta de massas e da acção do Partido em torno da situação económica e social e a resposta ao perigoso agravamento da situação internacional, contra o terrorismo, contra a estratégia de guerra ao serviço dos propósitos de hegemonia e domínio mundial dos EUA têm que estar presentes, mas que exige uma concentração de forças na importante batalha das eleições autárquicas de 16 de Dezembro.

Passamos agora à fase decisiva da campanha eleitoral. É necessário mobilizar todo o partido. Os militantes de todas as áreas de intervenção são chamados a dar o seu contributo. A realização de reuniões e plenários de organismos e organizações, com destaque para as organizações de base, impõe-se como acção mais imediata para apreciar o quadro político nacional e internacional e considerar, no plano prático, a participação na campanha eleitoral autárquica.

Nas reuniões e plenários, nos milhares de contactos que vão ser feitos por esse país fora, é necessário ter presente que a tarefa política prioritária é mobilizar para o voto, mobilizar para as acções de campanha. Simultaneamente é necessário aproveitar os contactos para responsabilizar quadros por tarefas regulares, reforçar e criar organismos integrando novos camaradas, recrutar mais militantes, entregar cartões do Partido, estabelecer aumentos do valor das quotizações e promover formas para o seu recebimento regular, actualizar os contactos e ficheiros, ampliar a recolha de fundos para o Partido, dar mais dinâmica e mais consistência às organizações e organismos de base.

Este período de intensa acção política e de um amplo trabalho de massas, decisivo para aumentar a influência política e eleitoral do Partido e para consolidar e ampliar as suas posições e intervenção ao serviço das populações no plano local, cria oportunidades que devem ser aproveitadas para o fortalecimento da organização partidária, para um PCP mais forte e mais influente, capaz de cumprir o seu papel numa situação nacional e internacional, que evidencia, ainda mais, a importância e o valor ímpares da luta, do ideal e do projecto comunistas.

«O Militante» - N.º 255 - Novembro/Dezembro 2001