Sobre a luta
da juventude trabalhadora


Membro da Direcção Nacional da JCP e
Membro da Comissão Nacional para as Questões da Juventude Trabalhadora da JCP

O património de luta dos jovens trabalhadores do nosso País é riquíssimo. Constitui uma parte significativa da luta mais ampla do nosso povo pela liberdade e pela democracia, nos mais diversos contextos históricos e está intimamente ligado à dinamização da luta do movimento operário português.

As mais cruéis formas de exploração, associadas a um início da actividade laboral precoce, desenvolvia na juventude uma consciência social e política que lhe indicava claramente o inimigo. Na criação do PCP, assim como da juventude comunista, encontram-se jovens trabalhadores, muitos deles envolvidos na luta sindical.

O surgimento da FJCP dá-se em pleno fascismo, nas condições de clandestinidade. Apesar das dificuldades, dinamiza na década de 30 a luta juvenil, desenvolvendo com o Partido a actividade junto da juventude trabalhadora.

O MUD Juvenil contará também com forte influência junto dos jovens assalariados, oprimidos e explorados pelos patrões do fascismo.

Ao longo dos anos da resistência muitos foram os jovens trabalhadores que aderiram ao Partido caíram na luta, elevando mais alto a nossa bandeira vermelha. A sua generosidade e heroísmo permitiu-lhes enfrentar a prisão e a tortura. Empenharam-se nos sindicatos nacionais, conquistando direcções. Muitos jovens sindicalistas estiveram na origem da Intersindical em 1970.

Criação do MJT

O MJ surge na década de 60, como forma de organização nova e unitária de jovens trabalhadores nas difíceis condições do fascismo.

A sua legalização chega após a Revolução, em Maio de 74, altura em que se afirma como uma poderosa organização de massas, com forte influência dos jovens comunistas. Organiza encontros, convívios, jornadas de luta. As “Comissões de Fábrica” multiplicam-se e apresentam às administrações cadernos reivindicativos da juventude.

A 26 de Maio de 74, apenas um mês após a libertação, realiza-se o Encontro Nacional da Juventude Trabalhadora, que conta com a participação de 5000 jovens. Álvaro Cunhal participa no Encontro e a sua chegada é “saudada com uma explosão de alegria e entusiasmo pelos milhares de jovens”. (1)

Em Fevereiro de 75 realiza-se o Encontro Nacional de Trabalhadores-Estudantes, convocado pelo MJ e pela Intersindical, com a participação de 5 000 jovens.

O nº 1 do “Jovem Trabalhador”, órgão do MJ, é publicado reivindicando o voto aos 18 anos, insurgindo-se contra a guerra injusta e dando conta da intensa actividade do Movimento.

Esta organização desempenhará um importante papel na luta da juventude. Todavia, em 1975, é criada a UJC - União da Juventude Comunista -, correspondendo “à necessidade de uma organização revolucionária autónoma dos jovens trabalhadores, capaz de atrair os jovens mais combativos e conscientes e de constituir a vanguarda revolucionária da juventude trabalhadora”. (2)

A UJC contava, à passagem do seu 1º aniversário, com cerca de 12000 militantes e três meses mais tarde eram já 15 000, 70% dos quais jovens com menos de 21 anos.

A sua actividade, muito intensa, desenvolve-se em defesa da Revolução, contra os monopólios e o latifúndio. Organiza a luta da juventude nas empresas e intervém activamente nos sindicatos e Comissões de Jovens; organiza múltiplas acções, envolvendo milhares de jovens trabalhadores por todo o país (o conjunto dos Festivais de Primavera, realizados no Dia da Juventude, em 1976, junta 100 000 pessoas); mobiliza a juventude para a defesa das conquistas da Revolução, sendo disso exemplo as Jornadas de Trabalho Voluntário na zona da Reforma Agrária; promove acções de massas durante as campanhas eleitorais, como comícios e grandes acções de propaganda.

Não obstante a sua importância, verifica-se, já em plena fase de recuperação capitalista, a sua fusão com a UEC, dando origem à nossa JCP.

Nasce a JCP

A JCP corresponde, portanto, às necessidades duma nova fase de luta junto dos jovens. Assumindo com orgulho a herança das organizações que a antecederam, a JCP soube dar continuidade ao trabalho específico da UJC e, em 21 anos de luta, esteve sempre ao lado da classe operária e dos jovens trabalhadores.

Mantendo as suas características de organização de classe, organização do PCP, a JCP continuou a sua intervenção na área da juventude trabalhadora e, ao longo dos anos, várias campanhas pelo trabalho com direitos foram por si assumidas e concretizadas.

No âmbito do movimento unitário dos trabalhadores, militantes da JCP estiveram e estão envolvidos em Comissões de Trabalhadores, no MSU e nas associações de trabalhadores estudantes.

Em 1992, e após uma profunda reflexão acerca das condições de intervenção da central junto da juventude, nasce a Interjovem (IJ), organização autónoma dos jovens trabalhadores da CGTP-IN. Juntando jovens quadros do movimento sindical unitário de todo o país, a IJ dá seguimento ao trabalho da Comissão Nacional da Juventude. Os jovens comunistas têm desde o início grande importância na direcção e dinamização da actividade desta estrutura unitária, chamando à luta muitos outros sem filiação partidária.

Criam-se estruturas regionais em múltiplos distritos e verifica-se um reforço do trabalho de juventude da CGTP-IN. Questões como a precaridade, os baixos salários e as condições de vida da juventude trabalhadora foram no passado, tal como o são actualmente, áreas prioritárias do trabalho da IJ.

A Interjovem organizou, ao longo dos anos, iniciativas várias: marchas, acampamentos, conferências e outras acções de luta. O resultado da sua intervenção é bem visível. Milhares de jovens participam em grandes acções do MSU e são responsabilizados nos sindicatos.

Já em 1995 é organizada a Conferência Nacional sobre Juventude Trabalhadora, iniciativa da Interjovem e da CGTP-IN, que debate as questões relativas à luta da juventude e à organização sindical.

Novas batalhas

São obviamente diferentes alguns pontos sobre os quais incide hoje a intervenção da JCP relativamente às batalhas assumidas pelo MJT ou mesmo pela UJC. Todavia, se estão hoje conquistados alguns direitos fundamentais (que importa defender dos ataques da direita), velhos problemas subsistem, verificando-se mesmo retrocessos em vários aspectos. A qualidade do emprego degrada-se. As discriminações sobre os jovens mantêm-se (algumas delas com expressão legal, como acontece vergonhosamente na lei que regulamenta a contratação a tempo). O desemprego afecta milhares de trabalhadores e recém-licenciados. As condições de vida degradam-se, e o acesso à saúde, educação, cultura e recreio não está ainda democratizado.

Por tudo isto, a organização dos jovens trabalhadores é uma tarefa imperiosa na qual os jovens comunistas têm um papel decisivo. A luta da juventude tem dado frutos. Assim foi na questão do salário mínimo, na proibição da discriminação salarial dos jovens, no pacote laboral, na defesa do ensino profissional público e de qualidade, em tantas e tantas pequenas e grandes lutas com os jovens comunistas na linha da frente de todas elas.

O reforço da organização e trabalho da JCP nesta frente (assim como das estruturas unitárias da juventude trabalhadora) é uma condição fundamental na criação de condições de uma efectiva viragem à esquerda no rumo do nosso país.

(1) Notícia do órgão do MJT - "Jovem Trabalhador", nº 1.

(2) Álvaro Cunhal, discurso no I Encontro Nacional da UJC (9/3/75)

«O Militante» - N.º 251 - Março/Abril 2001