| "Mais CDU" na Madeira |

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Coordenador da DORAM
A CDU/Madeira decidiu ser seu objectivo nas Eleições Regionais
Madeira 2000 alcançar MAIS CDU. Estas eleições
representaram mais um combate que assumimos na perspectiva de que, não
sendo tarefa fácil, havendo MAIS CDU surgiriam novas possibilidades para
uma significativa alteração da situação social e
política nesta Região Autónoma.
Conseguimos MAIS CDU, dispomos de uma nova base eleitoral de referência,
que nos lança para um novo ciclo de trabalho.
A CDU/Madeira teve mais votos, cresceu e alargou o seu espaço político.
Conseguiu mais votos do que em 1996, atingindo o melhor resultado eleitoral
de sempre nesta região insular. Manteve o seu Grupo Parlamentar na Assembleia
Legislativa Regional. Embora com mais votos, esteve longe de conseguir mais
deputados no Parlamento madeirense. Ao contrário de 1996, deixou de ser
o segundo deputado da CDU o último a ser eleito pelo círculo do
Funchal, passando a existir algum desafogo e uma margem mais larga de segurança
nesta Eleições Legislativas Regionais.
A CDU não catalisou diversas expressões das flutuações
eleitorais. E, em particular, no Funchal, importa repensar as estratégias
de trabalho em grandes freguesias (por exemplo: Sta Maria Maior), onde se fizeram
sentir desequilíbrios eleitorais reveladores das limitações
quanto ao nosso crescimento. São situações que é
possível ultrapassar pelo trabalho a empreender pela CDU.
O PSD obteve mais uma maioria absoluta na Madeira. Como nunca acontecera, detinha
instrumentos de propaganda e argumentos eleitorais dependentes de uma vergonhosa
instrumentalização dos dinheiros públicos, na sequência
de uma indevida apropriação das inaugurações e equívocos
actos governativos. Apesar de toda a grandiosa encenação folclórica
do arraial laranja, apesar da inauguração faraónica da
nova pista do aeroporto do Funchal, das inaugurações de túneis
e vias rápidas em pleno período de campanha para as Eleições
Regionais, o PSD perdeu votos em toda a região, descendo eleitoralmente
em todas as freguesias do Funchal.
Na Madeira cresceu a abstenção, concentrando deste modo a maior
parte do eleitorado.
O PS conhece o descalabro. Resultante da contínua situação
de falta de perspectiva, conflitualidade permanente no seu interior, com cumplicidades
com o regime, descredibiliza-se e perde votos, em especial no Funchal, onde
perde dois deputados. Os votos deste partido distribuíram-se variavelmente
pelas diversas forças políticas da oposição.
Ganhar o Partido
Os resultados registados pela CDU/Madeira em 15 de Outubro, nas Eleições
Regionais Madeira 2000, lançam novos desafios ao Partido
e à CDU, no que se refere ao nosso contributo para uma alteração
da situação social e política na Região Autónoma
da Madeira.
Estas eleições significam uma mudança profunda para a CDU/Madeira.
Passou a existir uma nova base social e política de referência.
Desenvolveu-se uma diferente realidade social de apoio, conquistada pelo trabalho
político, formada em conjugação com a capacidade reivindicativa
e nas dinâmicas de luta das populações e dos trabalhadores.
O acto eleitoral explicitou a possibilidade de uma mais ampla implantação
do Partido e da CDU nestas ilhas. Nas eleições de 1996, a CDU/Madeira
teve um crescimento eleitoral mais expressivo, o qual tornou possível,
pela primeira vez, a constituição de um grupo parlamentar (passou
da casa dos três mil, para a casa dos cinco mil votos). Esse aumento resultou
do impacto da novidade, de uma dinâmica conjuntural, pontual,
associada a contributos supletivos de independentes geradores de transferências
de votantes para a CDU, que, somados ao trabalho com as populações
já desenvolvido em algumas localidades, garantiu então mais votos.
Entre 1996 e 2000, verificaram-se alterações no quadro do Partido
e da CDU na região. O reforço do Partido, da organização
e da intervenção política foram batalhas assumidas como
vitais como forma de contornar os efeitos de artificiais itinerâncias
de votos, para evitar esvaziamentos dependentes de flutuações
próprias da conjuntura que não voltaria a repetir-se e com o objectivo
de afirmar a CDU sem dependências individualizadas, enquanto projecto
político na Região Autónoma da Madeira.
Para a CDU/Madeira colocava-se em 2000, nestas Eleições Regionais,
o seguinte problema difícil: como suprir eleitoralmente aqueles que sem
a anterior novidade, e face a uma circunstância política
diferente, já não votariam na CDU? Como travar uma eventual quebra
eleitoral num contexto político adverso para o Partido, na região
e no País, no âmbito da preparação do Congresso?
Como capitalizar à Esquerda o desgaste político do PS/Madeira?
A CDU/Madeira cresceu. Temos MAIS CDU. Onde se concretizaram processos de luta
das populações, onde os movimentos sociais tiveram expressão
visível, quando a população lutou e venceu, aí a
CDU teve mais votos. Nessas localidades emergiram lideranças locais que
reforçaram o Partido e foi sendo forjada uma mais ampla e nova base social
identificada com o projecto CDU. Em São Roque e em Santo António,
no Funchal, a CDU tem 10% dos votos. Era onde a realidade eleitoral poderia
ser mais desfavorável em função das alterações
verificadas em relação a 1996. Porque é que a CDU cresceu
em Santo António, em São Martinho, em São Gonçalo?
A capacidade de proposta, a iniciativa propositiva e a intensificação
dos movimentos sociais, à escala local e regional, credibilizaram, renovaram
e alargaram para a CDU um novo espaço político. Nestas eleições
emerge, por isso, uma estruturante e mais autêntica base social de apoio.
Mais do que diferentes e maior número de cidadãos-eleitores, outras
pessoas não só passaram a confiar como aderiram ao projecto CDU.
E é esta conquista, agora, o nosso desafio maior.
Como responder a esta responsabilidade que se coloca ao Partido e à CDU?
Estas eleições exigem-nos novos objectivos e novas respostas.
São muitas as nossas debilidades organizativas, e surge-nos uma nova
realidade social para um trabalho político mais exigente, com outras
implicações ao nível da organização, de modo
a acompanhar, integrar e dinamizar os lugares e as populações
com quem a CDU cresceu eleitoralmente e que nos requerem de forma continuada
para fortalecer o Partido e intensificar as capacidades de luta, como factor
determinante da transformação social.
É neste contexto que se impõe o reforço do Partido enquanto
referencial de luta e de projecto, de modo a que a CDU/Madeira tenha um contributo
importante a dar para que se verifique, nesta Região Autónoma,
uma alteração da situação social e política.
Desenhar o futuro
Para a CDU/Madeira, colocam-se cinco questões estruturantes às
quais é imperioso responder para que se defina com maior objectividade
a orientação e a especificidade do projecto, para que se dê
fundamento sentido àquela que deverá ser, a partir de agora, a
nossa intervenção política.
1 - Como consolidar a actual base social de apoio, como ponto de partida para
um próximo alargamento da base eleitoral de futuro?
Face a um novo conjunto de eleitores que, pela primeira vez, votaram na CDU,
conquistados pela continuidadde do trabalho político, são necessárias
medidas concretas capazes de responder a esta nova realidade que nos desafia
à organização, ao acompanhamento e à intervenção.
2 - Como reactivar o contributo dado por todos os independentes que, no quadro
da CDU/Madeira, possibilitaram, pelas candidaturas e através das suas
propostas, um imprescindível alargamento do espaço político
da CDU?
Na sequência do trabalho concretizado ao longo de vários anos,
existem contributos políticos de diversos amigos cuja relevância
está muito para além das aritméticas eleitorais. A nossa
abertura à sociedade, a abrangência dos nossos interlocutores,
a pluralidade dos contributos para a nossa reflexão/acção,
a nossa dinâmica de crescimento depende também desta nossa capacidade
de diálogo e acolhimento de outras referências identificadas com
o essencial do nosso projecto político.
3 - Como intensificar e reforçar a ligação do Partido e
da CDU às localidades e às lutas das populações?
Múltiplos indicadores informam-nos de que onde aconteceram experiências
de mobilização das populações agarrando justas reivindicações
sociais, aí tem sido possível não só o crescimento
eleitoral, mas, sobretudo, o ampliar do espaço da nossa influência
mais directa. Nos diversos locais onde foram empreendidas lutas e alcançadas
conquistas das populações, somos desafiados a estabelecer formas
de efectivo e continuado trabalho com essas populações, sem esquecer
outras localidades de intervenção. Somos assim obrigados a criar
outras modalidades organizativas de modo a intensificar e reforçar este
trabalho do Partido e da CDU. Só com o reforço do Partido será
possível concretizar um forte movimento social, capaz de alterar a realidade
social e política na região.
4 - Como dar continuidade às batalhas políticas referenciadas
directamente à CDU?
Alguns importantes objectivos reivindicativos são publicamente atribuídos
a um recente património de luta e intervenção da CDU com
as populações. As iniciativas desenvolvidas de forma organizada
sobre o direito de acesso aos canais de televisão nas regiões
insulares, sobre a redução do IRS na Madeira, entre outras propostas,
tornaram-se bandeiras políticas indissociáveis da CDU. Não
desbaratar o que já foi alcançado, rentabilizar o trabalho realizado
e potenciar tais justas aspirações específicas de quem
vive nestas ilhas de Portugal é um objectivo político a considerar
quanto às nossas tarefas e responsabilidades imediatas.
5 - Como nos diferenciamos enquanto projecto de Esquerda para a Madeira?
Que diferença faz estar à Esquerda e quais as linhas caracterizadoras
de Esquerda que somos e queremos ser na Região Autónoma da Madeira?
Abordar o Jardinismo mete medo ou mete-nos medo? Por onde deverá
passar a nossa acção enquanto projecto de transformação
da sociedade, numa situação de absolutas maiorias e onde não
faz sentido nos assumirmos como alternativa política, como podemos ser
projecto alternativo?
«O Militante» - Nš 249 - Novembro/Dezembro 2000