| Elevar o nível político e ideológico |
Em O Militante n.º 247 (Julho/Agosto passados) escreveu-se que no momento presente podem referir-se três questões gerais particularmente importantes para vencer deficiências existentes em muitas organizações.
Três questões gerais
A primeira, tratada naquele número de O Militante, é
a falta de ligação com o Partido da parte de muitos dos seus membros.
É bom lembrar que esta falta de ligação não só
impede a recepção da quota mensal (um dos dois deveres fundamentais
dos membros do Partido) como enfraquece muito o papel de qualquer organização,
mas também provoca, com o passar do tempo, uma tendência para o
abandono do Partido de camaradas que se mantêm desligados durante anos.
A segunda, tratada em O Militante n.º 248 (Setembro/Outubro), refere-se
à falta de diálogo e de influência de muitos membros
do Partido. É claro que se trata de uma questão de relevo
que repercute na actividade de cada cama rada e da organização
de que faz parte. O diálogo e o esclarecimento à nossa volta deve
ser uma preocupação constante dos membros do Partido. Aqueles
que dialogam e esclarecem estão, no fim de contas, a cumprir com uma
tarefa, estão a praticar a militância, que é o outro dever
fundamental dos membros do Partido. Além disso, o recrutamento,
que é indispensável para fortalecer qualquer organização,
depende directamente da influência que exercemos à nossa volta.
Se não houver influência não há recrutamento.
A terceira, que se procura tratar de algum modo neste número de
O Militante, é a existência de um nível político
e ideológico pouco elevado de muitos membros do Partido. Um nível
político e ideológico pouco elevado pode facilitar a desligação
e o abandono de camaradas e o não pagamento das quotas, pode não
permitir uma clara compreensão da necessidade de dialogar e influenciar
e da militância, pode levar a dificuldades notáveis de esclarecimento
e influência em relação a companheiros de trabalho, vizinhos
e conhecidos em geral.
Uma preocupação que todos os camaradas devem ter
No que respeita à elevação do nível político
e ideológico é natural que se diga, em primeiro lugar, que
é uma questão que depende muito de cada membro do Partido. Em
princípio, cada um deve ter a preocupação de compreender
cada vez melhor os objectivos do Partido e as suas outras características
que estão consagradas no Programa e Estatutos do Partido (todos os membros
do Partido deviam possuir um seu exemplar). Além disso, os membros do
Partido devem, junto dos companheiros de trabalho e outras pessoas com quem
convivem, procurar conhecer bem o que se passa na área em que se pretende
exercer alguma actividade. É claro que a leitura da imprensa do Partido
(Avante! e O Militante) e dos seus documentos é uma fonte
indispensável para conhecermos o que o nosso Partido noticia, esclarece
e orienta. Sem a leitura do Avante! e da restante imprensa e documentos é
muito difícil perceber-se o que se passa em muito diversas áreas
que nos interessa acompanhar desde o mundo do trabalho e das suas lutas à
situação política, social e económica local, nacional
e mundial. O que nos transmite a comunicação social dominante
- imprensa, rádio e televisão - é extremamente enganador
e quase sempre desinformativo.
Isto quer dizer que a leitura da imprensa e dos documentos do Partido deve fazer
parte da nossa consciencialização e isto depende essencialmente
da vontade de cada um. É por isso que se tem afirmado que uma maior divulgação
da nossa imprensa é um sinal certo de maior nível político
e ideológico dos membros do Partido e de maior número de simpatizantes.
A participação nas reuniões e outras iniciativas
A participação dos membros do Partido em organismos que reúnem
regularmente e em que, para além de muito diversas discussões,
se assentam tarefas e se faz o controlo da sua realização, tem
sido sempre e continua a ser a escola principal para o desenvolvimento político
e ideológico dos membros do Partido. É claro que a participação
nas reuniões depende muito de cada camarada mas, por vezes, depende também
da situação orgânica existente e da disposição
de outros membros do Partido.
Para além das reuniões regulares, a que devemos dedicar uma grande
importância, há que referir a realização de plenários,
regulares ou dedicados a determinados problemas e a efectivação
de palestras e cursos.
Nestes últimos casos, normalmente a sua realização depende
principalmente das condições orgânicas e da vontade política
de organismos mais responsáveis.
De tudo o que se diz antes pode concluir-se que é necessário,
por um lado, vencer a falta de ligação de muitos membros do Partido
(é uma batalha sempre presente que tem de ser vencida com grande persistência),
por outro, melhorar o diálogo e a influência de cada camarada e
da organização em geral no meio em que actua e, ainda por outro
lado, procurar elevar o nível político e ideológico dos
membros do Partido.
Tudo o que se fizer nestas três direcções vai ter repercussão
no fortalecimento e na influência das organizações do Partido.
«O Militante» - Nš 249 - Novembro/Dezembro 2000