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Conselho das Comunidades Portuguesas
A verdade é como o azeite...
A recente declaração do Presidente do CCP, Eduardo Moreira, a um semanário ligado à emigração, que “quando o Conselho das Comunidades foi constituído, teve como principal objectivo servir como orgão de consulta ao Governo para questões ligadas à emigração e até agora, já lá vão quase dois anos, não nos foi submetido qualquer tipo de consulta” é uma acusação de enorme gravidade ao Governo e à Secretaria de Estado das Comunidades.
Afinal, não são só os comunistas que o dizem. É a voz insuspeita do Presidente do CCP a confirmar as preocupações e críticas que há muito o PCP vem suscitando quanto à conduta do Governo relativamente ao CCP. Ou seja, que um Governo que atribui a ridícula quantia de 29 000 contos para o orçamento anual de um Conselho com 100 eleitos espalhados pelo mundo e com vários orgãos a funcionar e que até hoje não fez qualquer consulta a este orgão sobre a política para a emigração, quer de facto transformar o CCP num orgão decorativo e numa câmara de eco das suas orientações.
Não foi para isto que os emigrantes portugueses elegeram os seus representantes. Não foi para isto que o PCP apoiou na Assembleia da República a lei que o criou.
E mal vai este Governo e o Sr. José Lello, seu viajante de serviço para a emigração, se não arrepiam caminho e se esquecem que foi com um procedimento idêntico que os governantes do PSD deram cabo do anterior Conselho!
«EMIGRAÇÃO» - Nº 59 - Setembro de 1998