No Conselho Europeu de Santa Maria da Feira foram aprovadas as propostas da Comissão Europeia relativas às Orientações Gerais paras as Políticas Económicas dos Estados-Membros e da Comunidade em 2000 (OGPE).
As OGPE para este ano integraram as conclusões da Cimeira Extraordinária de Lisboa sobre o "Emprego, Reformas Económicas e Coesão Social".
Esta Cimeira que foi considerada como um dos grandes acontecimentos da presidência portuguesa, sobre a capa da "nova economia", da "sociedade da informação" e da "Internet", visou acelerar objectivos de política económica neo-liberal e monetarista, que terão no futuro enormes repercussões sociais e económicas, sobretudo ao nível do emprego e da sua qualidade.
Não é de estranhar, que as contradições entre algumas intenções e os instrumentos económicos surjam. Por um lado, quantifica-se o objectivo de aumentar a taxa de emprego média da Comunidade de 61% para 70% até 2010, sem atender aliás a sua qualidade, mas as medidas propostas que contraiam esse mesmo objectivo.
Vejamos do ponto de vista geral as propostas sobre a mesa:
Mas as OGPE aprovadas têm também orientações específicas para Portugal, sobretudo no domínio da redução da despesa pública. Daí os problemas do Governo PS, que tenta aumentar as receitas fiscais e reduzir a despesa pública. Veja-se o aumento dos impostos sobre a energia e a forma como negociou os aumentos salariais com a função pública. Neste campo, a Comunidade afirma "que deverão ser aplicadas urgentemente diversas reformas com impacto orçamental, incluindo as medidas anunciadas na área da saúde e uma nova lei sobre as pensões de segurança social". Mais uma vez as seguradoras agradecem.
Ao nível do mercado de trabalho, as recomendações para Portugal vão para "a flexibilização dos despedimentos e das regras de afectação de tarefas (polivalência) e a introdução de uma maior flexibilidade a nível dos horários de trabalho, com o objectivo de melhorar a flexibilidade do mercado". Palavras para quê?
Estas foram as orientações e recomendações aprovadas pelo Governo PS em Santa Maria da Feira e propostas durante a dita "Cimeira do Emprego". São estas as propostas que os trabalhadores deviam "agradecer" ao Eng. António Guterres. Mas não fique preocupado, a direita "agradece" e o grande capital "também". Estas orientações só podem ter a nossa rejeição.
É necessário lutar pela sua alteração. Aliás,
como tem sido já visível pela intensa luta sindical em Portugal
e pela amplitude das manifestações de trabalhadores em Lisboa
e no Porto durante a presidência portuguesa.