Os portugueses e os restantes povos da Europa estão confrontados com novos
e perigosos desafios. A estratégia para a construção de uma
União Europeia subordinada aos interesses das multinacionais e das grandes
potências imperialistas, delineada em Maastricht, confirmada e aperfeiçoada
em Amesterdão, foi progredindo, tendo ganho nova velocidade, sem que os
povos sejam chamados a pronunciar-se sobre as grandes decisões que afectam
o seu futuro. Subrepticiamente o federalismo, com ou sem esse nome vai-se impondo
de facto, limitando de forma crescente a soberania nacional dos estados membros
e acentuando o domínio económico, político e militar das
grandes potências.
Passados 55 anos desde o fim da II Guerra Mundial, a mais mortífera de todas as guerras e que tantos sofrimentos causou nomeadamente aos povos da Europa, a guerra voltou ao coração do Velho Continente. O fim da chamada guerra fria, deu lugar a múltiplas guerras quentes. O militarismo alemão arreganha de novo os dentes. Militares da Alemanha intervêm fora das suas fronteiras e forças revanchistas arrogam-se o direito e o dever da Alemanha intervir militarmente fora das suas fronteiras. A NATO, principal factor de instabilidade militar na Europa (e no mundo), expande as suas fronteiras para Leste com o objectivo de intervir e controlar, no interesse do imperialismo, os processo de reconversão capitalista operados nesses países e adopta um novo conceito estratégico no sentido de intervir onde e quando quiser. Trata-se de alterações de vulto, perigosas para a paz.
A decisão de se avançar com uma PECSD (Política Europeia Comum de Segurança e Defesa), provida de Forças Armadas e de comandos comuns centralizados foi um passo decisivo para acelerar o processo de militarização da União Europeia, ditado pelo eixo franco-alemão e apadrinhado pela Inglaterra.
A criação de um exército de 60 000 soldados e uma polícia de intervenção de 5 000 elementos, destinados a intervir em pretensas acções humanitárias, é parte integrante de uma estratégia visando transformar a União Europeia numa superpotência dotada de poder militar ofensivo, no quadro da subordinação aos objectivos da NATO e dos E. Unidos.
A militarização da União Europeia que os governos dos 15 procuram activamente camuflar, tem como objectivo dotar a política externa da União Europeia de capacidade militar.
Trata-se do regresso à velha política da canhoeira. As multinacionais e os seus governos criam instrumentos que lhes permitam pôr na ordem os povos que atentem contra os seus interesses ou que tenham a ousadia de defender a sua independência e soberania. O neocolonialismo ganha novas formas, procura cobrir-se com o chamada "direito-dever de ingerência humanitária".
O processo de militarização da União Europeia, bem como o confessadamente ofensivo rumo adoptado pela NATO, atentam contra o princípio da segurança colectiva e o papel das principais organizações mundiais em que assentaram as relações internacionais ao longo destas últimas 5 décadas, nomeadamente a ONU, como já se viu no caso da agressão à Jugoslávia.
O Governo do PS/Eng. Guterres não se tem limitado a amarrar Portugal às acções belicistas da NATO, tornou-se num activo e entusiasta defensor da militarização da União Europeia e da estratégia agressiva da Nato.
Este rumo não serve os interesses dos povos da Europa e do mundo. O
que serve a Europa é a luta contra a corrida aos armamentos, contra os
blocos político-militares e pela dissolução da NATO, pela
construção de uma Europa de Paz e cooperação, no
respeito pela soberania e a independência dos povos.![]()