Passou um ano sobre o início da nova legislatura do Parlamento Europeu.
E não faltaram assuntos de inegável importância neste período.
Sendo certo que a Presidência Portuguesa do Conselho e a nova revisão
dos Tratados merecerão particular enfoque.
Sobre tais temas tivemos a oportunidade, em diversas ocasiões, de nos
pronunciarmos. E disso mesmo daremos conta, agora também, nas páginas
da nossa revista.
Mas fá-lo-emos tendo presentes ainda o alcance e a gravidade de algumas declarações proferidas e certos encontros realizados nos últimos tempos, de que se destacam as declarações do ministro alemão dos negócios estrangeiros, o discurso do presidente francês e a cimeira franco-alemã, esta concretizada precisamente em vésperas do Conselho Europeu de Santa Maria da Feira.
Factos que fazem com que o eixo franco-alemão apareça reactivado
e de novo transformado em potente "locomotiva" da União Europeia,
qual comboio de alta velocidade circulando em vias inadaptadas e com carruagens
incapazes de acompanhar tal ritmo, com o consequente elevado risco de desastre.
E que marcam o momento presente, flagrantemente condicionado pelas grandes potências,
que perspectivam uma reforma institucional (CIG) que especialmente tem em conta
os seus poderes e interesses e que lançam já uma corrida de fundo
- para além da CIG - inequivocamente direccionada para a construção
de uma Europa a várias velocidades ... porventura temendo e tentando
evitar o referido desastre mas não se inibindo, para tanto, de mudar
de via e de deixar para trás as carruagens mais antiquadas.
Estranhamente, porém, o governo do Eng. António Guterres parece apático e indiferente aos perigos que se desenham para Portugal. Ao ponto de, pela voz do ministro Jaime Gama, não ter sequer evitado os aplausos a propostas de carácter federalista e inequivocamente orientadas para a construção de uma tal Europa a várias velocidades, de que Portugal sairia, seguramente, relegado para uma segunda ou terceira linha.
De forma mais aprofundada trataremos também destas questões neste
número da nossa revista.
Para além de que, como habitualmente, daremos devida informação
sobre outros domínios da intervenção dos deputados do PCP
no Parlamento Europeu, dentro e fora dessa instituição.![]()