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Detritos nucleares? Não, obrigado!
Os deputados do PCP no PE abriram uma frente de luta suplementar no combate à instalação pelas autoridades espanholas de um cemitério nuclear em Aldeiadávila, junto à fronteira portuguesa.
Associando-se aos protestos e movimentações levadas a cabo pelas populações daquela região fronteiriça de Trás-os-Montes, os deputados Joaquim Miranda e Honório Novo endereçaram uma pergunta à Comissão Europeia na qual instam aquela instituição europeia a adoptar "com urgência" uma atitude que trave as intenções do governo espanhol, uma vez que a concretização da construção do depósito de resíduos nucleares "apresentaria uma elevada perigosidade dada a natureza granítica da zona, constituiria um eminente perigo para a saúde pública e para o ambiente, representaria um sério risco para a economia da região fronteiriça e infringiria as normas internacionais, já que se situa a menos de 100 quilómetros da fronteira entre os dois países".
Esta iniciativa dos deputados do PCP é, na prática, dar continuidade a uma luta que teve o seu primeiro "round" em 1987, quando as autoridades espanholas esboçaram uma primeira tentativa de instalar um cemitério de resíduos nucleares exactamente no mesmo lo-
cal. Na altura, Joaquim Miranda — que é actualmente o deputado português que se encontra há mais tempo em funções —, apresentou uma proposta de resolução na qual o Parlamento Europeu exprimia "a sua profunda preocupação e protesto contra a insistência das autoridades espanholas em relação a um projecto com consequências para além das suas fronteiras e que é rejeitado pelos dois povos".
Passaram-se os anos, mudaram-se os governos em Espanha, mas as intenções e as práticas pouco se alteraram. Tal como a atenção daqueles permanecem intransigentes na defesa dos interesses das populações.