Notícias
As fronteiras ainda existem
Muita tinta se gastou sobre "o mistério da fronteira luso-espanhola" nas moedas de euro, mas não será demais voltar a referi-lo, até porque novos desenvolvimentos se registaram.
Recorde-se que, em documentos informativos e de propaganda oficiais sobre o euro, os desenhos das moedas metálicas representavam o espaço da UE com a delimitação das fronteiras entre os respectivos países, à excepção de Portugal e Espanha, que apareciam amalgamados como de um só Estado se tratasse.
De entre as (poucas) reacções institucionais então verificadas, a carta escrita pelo deputado do PCP, Sérgio Ribeiro, ao Conselho Europeu foi uma das primeiras. Nela se interrogava o Conselho sobre o que ia fazer "para corrigir esse erro e reparar ou diminuir as consequências junto da opinião pública".
Quase que é caso para dizer que foi pior a emenda que o soneto. No seu estilo peculiar de responder sempre um pouco ao lado daquilo que se pergunta, os serviços do Conselho, após explicarem detalhada e desnecessariamente o processo de determinação das especificações técnicas e efígies das moedas metálicas, afirma serem Portugal e Espanha "duas entidades geográficas distintas".
Para o deputado comunista, o que estava em causa "não era a geografia mas o facto de, em mapas políticos da União Europeia, Espanha e Portugal não surgirem como entidades políticas distintas".
Perante esta situação, Sérgio Ribeiro voltou a dirigir nova carta ao Conselho, perguntando se a sua primeira resposta "teve conhecimento e aprovação dos representantes desses dois Estados-membros que, eufemisticamente, parece estar na disposição de considerar, politicamente, como meras "entidades geográficas".
Ainda se está à espera de resposta que, a julgar pela primeira experiência promete uma euro-novela a seguir com toda a atenção.