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O cobre é bom companheiro


A votação numa recente sessão plenária da proposta do Conselho relativa à qualidade da água destinada ao consumo humano esteve prestes a provocar uma «revolução nas canalizações» em vários países da UE, entre os quais Portugal. A quase catástrofe foi evitada em plenário, após a votação de uma emenda que voltou a pôr o cobre no seu devido lugar.

De há uns tempos a esta parte, a qualidade da água consumida nos países da UE é definida através de uma directiva emitida pela Comissão Europeia que especifica qual deve e pode ser a sua composição, quais os elementos considerados perigosos e tóxicos, qual a quantidade admissível de cada elemento, etc. Tudo estaria bem, não fosse a proposta passar a incluir o cobre entre os produ- tos considerados tóxicos.

A consequência da aprovação desta alteração implicaria a substituição de todas as canalizações de cobre existentes. O que, no caso português, significava um empreendimento da ordem dos 200 milhões de contos.

Além disso, esta medida acarretaria enormes dificuldades para a indústria de extracção de cobre, com um impacto negativo na procura deste produto e, consequentemente na sua cotação. Uma maior deterioração da cotação deste metal afectaria fortemente a viabilidade das minas de Neves Corvo, as maiores da UE, e que tantos problemas têm enfrentado para a sua viabilização. Acresce que, de acordo com vários estudos, nomeadamente da Organização Mundial de Saúde (OMS), nada justifica que, sob o ponto de vista da saúde pública, o cobre, dada a sua reduzida toxicabilidade, seja classificado como um «Parâmetro Químico» e não apenas um «Parâmetro Indicador».

Da mesma forma que nada assegura que o plástico, apontado como o sucedâneo natural do cobre, seja 100% seguro para ser utilizado nas canalizações. Daí que, como afirmou no debate o deputado do PCP Joaquim Miranda, «a insistência em tal classificação se transforme em estranheza quando constatamos a ausência de qualquer precaução relativamente ao plástico, apesar de se- rem também do domínio público os resultados dos estudos já efectuados».