Reforma da Política Agrícola Comum (PAC)
Eficiência versus
desenvolvimento do Mundo Rural


Portugal apesar de ser o país mais pobre da Europa, a avaliar pelo PIB per capita, é um dos países que em 1996 pagou mais do que recebeu da Política Agrícola Comum (PAC), i.e foi contribuinte líquido em relação à PAC. Portugal foi o segundo país que em 1997 teve maiores perdas do rendimento agrícola, cerca de 14%(1). As explorações agrícolas portuguesas são aquelas que recebem menos ajudas da PAC e o que recebem representa, em média, metade dos outros países da coesão. As importações de produtos agrícolas continuam a aumentar, o que faz com que o défice da nossa balança alimentar continua a crescer. Portugal apenas cobre 30% das suas necessidades alimentares. Entre 1989 e 1995 desapareceram cerca de 150 mil explorações agrícolas, i.e uma redução de 25%. Por outro lado aumenta a dimensão média das explorações, de 7 hectares para 9 hectares, i.e mais concentração de terra. O nível de emprego no sector, medido em unidades de trabalho anual (UTA), foi reduzido em cerca de 37%. O nível médio emprego por exploração, também medido em UTA, foi reduzido em cerca de 16%. O nível médio de emprego por superfície agrícola útil (SAU) reduziu-se em cerca de 35%. O mundo rural desertifica-se, com o exôdo das populações rurais para as áreas litorais e grandes centros metropolitanos, agravando os problemas do desemprego, pobreza e exclusão social.

Estes números mostram claramente o estado actual da agricultura portuguesa e o seu declínio desde 1986. Os factos mostram as consequências da entrada da agricultura portuguesa para a PAC em 1986, negociada com períodos de transição e derrogações insuficientes, sem tempo nem meios para uma reestruturação e uma modernização adequadas, e ainda os resultados da reforma da PAC efectuada em 1992 sobre os auspícios da presidência portuguesa das Comunidades, tendo em vista a adequação da PAC às regras do Uruguay Round do GATT que viria a ser concluído a 15 de Abril de 1994 em Marraquexe(2).


Notas:
1. Todos os dados númericos são retirados em bruto ou trabalhados pelo autor tendo em conta:
os relatórios da Comissão Europeia sobre a situação agrícola na UE de 1986 a 1996, folha de informação rápida da EUROSTAT n? 23/98 de 19 de Março, o inquérito à estrutura das explorações agrícolas da EUROSAT, publicação da EUROSAT sobre a evolução da mão-de-obra agrícola entre 1973-1995 e o CD-ROM Estatístico da EUROSAT. As referências bibliográficas baseam-se nas Comunicações da Comissão Europeia so-bre a Agenda 2000 (COM (97) 2000) e sobre a reforma da PAC (COM (98) 153). Além disso, baseam-se no projecto de relatório sobre a Agenda 2000 do Parlamento Europeu (PE 226.544) e o documento W-6, Parte I e II, da Direcção Geral de Estudos.
2. A reforma da PAC de 1992 foi assinada então pelo Ministro da Agricultura Arlindo Cunha, hoje deputado no Parlamento Europeu.