O canto do Questor
Transparente deveria ser a falta de quem exerce actividade
política. Repare-se que não escrevi «dos políticos».
E sublinho que não estou a fazer qualquer incursão
por campos que não sejam os estritamente políticos
e não consinto que me emprestem intenções
que tenham a ver com o desejo de observar melhor o corpo de alguns
ou de algumas (!), que estão na política...
Não escrevi «dos políticos»
mas «de quem exerce actividade política», porque
entendo que esta não é uma actividade exercida por
uma «classe» particularmente vocacionada mas uma obrigação
que corresponde a um direito. De todos. Dos tão falados
e tão maltratados cidadãos.
Estar nestas funções («especiais»)
de questor é confrontar-se frequentemente com esta necessidade
de transparência para o exercício da actividade política.
A propósito (ou talvez não...), quero
deixar umas reflexões sobre o problema dos cidadãos
que, tendo sido eleitos num Estado para o mandato de Deputado
ao Parlamento Europeu, o exercem em conjunto com mais seis centenas
de vindos de 15 outros Estados-membros, isto é, membros
de uma associação de Estados.
Em síntese (porque já estou nessa fase),
afirmo que:
1. São deputados de Estados onde foram eleitos,
pelo que as suas situações remuneratórias
devem ter prioritariamente em conta esse facto;
2. Exercem a sua actividade em paralelo com deputados
vindos de 15 outros Estados pelo que as diferenças de «estatuto»
não podem fazer com que uns sejam os «deputados ricos»
e outros os «deputados pobres»... como no circo;
3. As compensações por despesas de
viagens são pagas porque os deputados se deslocam do seu
país a reuniões aos locais do Parlamento Europeu
e não para que venham «à terra» passar
fins de semana;
4. Essas compensações devem pagar,
exclusivamente, as deslocações efectivamente
realizadas, assim como qualquer outra compensação
só deve servir para aquilo para que foi ou venha a ser
criada;
5. Os critérios e as taxas que servem para
compensar essas e outros custos do exercício da actividade
não devem ser de molde a que não exista relação
entre os níveis das compensações e as despesas
que efectivamente se realizam;
6. Os deputados devem ser tratados como responsáveis
e ser responsabi(pena)lizados quando o não forem, mas não
são todos uma «cambada», o que é
forma de descredibilizar instituições democráticas
e desresponsabilizar quem as utiliza em seu proveito, com total
desrespeito pelo mandato que tiveram dos eleitores.
Fico-me por aqui. Hoje.
S.R.