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Previsões e manipulações
Ao tomarem conhecimento das estimativas e previsões económicas relativas a 1997 divulgadas pela Comissão Europeia, os deputados do PCP ao Parlamento Europeu, Joaquim Miranda e Sérgio Ribeiro, dirigiram perguntas àquela instituição questionando os critérios que presidiram à elaboração das referidas estimativas que, entre outras coisas, apontavam para um crescimento do PIB português na ordem dos 3.2% para 1997 e dos 3.5% para 1998.
Além de interrogarem a Comissão acerca da origem das informações em causa, os deputados comunistas pretendiam saber se o «excessivo optimismo» não resulta da utilidade destes elementos para a campanha em curso a favor do euro, «condicionadora de toda a acção da Comissão e de alguns Governos, como é o caso do português».
As dúvidas sobre a credibilidade e a intenção manipuladora destes números são suscitadas pelo exame objectivo dos dados divulgados nos últimos 6 anos pela Comissão.
Senão vejamos:
1991 — a primeira previsão (feita na primavera de 90) foi de 3.8%, baixou na primavera desse ano para 2.8% e acabou por ser de apenas 2.0%.
1992 — a previsão inicial (inverno de 1990) da Comissão apontava para um aumento do PIB de 3.8%, descia na primavera do mesmo ano para 2.3% e acabava por ser de 1.1%.
1993 — o palpite inicial foi de 2.0% (inverno de 91), desceu na primavera de 93 para 0.5% e acabou por descer tanto que passou para crescimento negativo (passo o paradoxo) de -1.2%!
1994 — começou-se com 2.5% (inverno de 1993), a primavera de 1994 trouxe uma quebra para 1.1% e o crescimento real acabou por ser de apenas 0.8%.
1995 — em relação a este ano a primeira estimativa foi de 3.0% (inverno de 1993), a da primavera de 95 mantinha-se nos 3.0% e o aumento verificado foi de 2.3%.
1996 — no ano passado a previsão inicial (inverno de 94) foi de 3.2%, na primavera de 1996 foi de 2.3% e o acréscimo acabou por ser de 3.0%, ao que parece.
É assim que, em relação a 1997, tendo em conta estes antecedentes e perante uma previsão inicial (inverno de 1995) de 3.3%, que baixa agora para os 3.2%, se podia lançar um concurso de adivinhação sobre quão inferior será o crescimento real do PIB português e que objectivo «real» perseguem estas «previsões e estimativas»...
A Comissão respondeu. Quer dizer, enviou uma resposta à pergunta, pois não se pode afirmar categoricamente que tenha esclarecido todas as dúvidas levantadas pelos deputados do PCP. Aquele orgão comunitário considera que «a experiência passada permite verificar que o grau de exactidão das suas previsões é sensivelmente equivalente ao de outras organizações», o que não é exactamente o mesmo que afirmar que o grau de exactidão é equivalente à realidade. «Além disso», acrescenta a Comissão, «os mercados (quem mais?) parecem corroborar as previsões da Comissão». Entre justificações e comparações dos seus dados com os de «outras organizações», a Comissão lá vai dizendo que «à semelhança de qualquer exercício de previsão do futuro, subsiste sempre, naturalmente, um certo grau de incerteza». A Alcina Lameiras não diria melhor.