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JERÓNIMO CARVALHO DE SOUSA nasceu em Abril de 1947, em Pirescouxe, Santa Iria de Azóia, no Concelho de Loures. Oriundo de uma família humilde, teve, como ele diz, «uma vida normal numa família operária, com grandes dificuldades económicas, onde se aplica bem aquela expressão de Soeiro Pereira Gomes, não tínhamos tempo de ser meninos. A fábrica era o destino inevitável assim que fizéssemos 14 anos, idade legal para começar a trabalhar. Sabíamos que não valia a pena ter o sonho de ser quadro, intelectual ou de ter uma profissão liberal. Quando perguntavam o que queríamos ser, respondíamos que ou seríamos metalúrgicos na MEC, vidreiros na Covina ou operários químicos na Solvay (...)» É assim que se tornou operário metalúrgico (afinador de máquinas), na MEC. Acumulou o trabalho com os estudos, até ao 4.º ano do Curso Industrial. A vida de trabalhador-estudante não era fácil. «Levantava-me às seis e meia da manhã, tomava o pequeno-almoço, preparava a lancheira de um lado e os livros do outro e lá ia eu, a pé, para a MEC, que ficava a três quilómetros. Na fábrica estávamos sujeitos a um trabalho muito duro. Depois, saía às seis da tarde, ia a pé até à Póvoa de Santa Iria, apanhava o comboio para Vila Franca, ia para as aulas e regressava a casa à uma da manhã.» Iniciou a sua actividade juvenil antifascista como dirigente da Sociedade 1.º de Agosto Santairiense, integrando diversos grupos de cultura e de teatro durante a década de 60, onde iniciou os seus contactos com o PCP e formalizou a sua adesão, em 1974. «Esse foi o resultado natural do meio em que vivia e da própria origem operária – nascido na cintura industrial de Lisboa e filho de operários –, enquanto crescíamos, ou logo que chegávamos à fábrica, havia naturalmente um contacto com o PCP, que nos levava a uma adesão, o que muitas vezes nem sequer significava filiação.» Entre 1969 e 1971 cumpriu o serviço militar no Regimento de Lanceiros 2 e na Guiné. Em 1972 foi eleito, pelos trabalhadores da MEC, delegado para integrar a lista unitária que, em 1973, reconquistou e devolveu à classe o Sindicato dos Metalúrgicos de Lisboa (sendo novamente eleito para a sua direcção central em 1992). Em Abril de 1974 fez parte da Comissão de Trabalhadores da MEC, sendo sucessivamente eleito até 1995. Em 1975 participou activamente no movimento das Comissões de Trabalhadores do Distrito de Lisboa, tendo desempenhado as funções de Coordenador da Comissão Coordenadora das Comissões de Trabalhadores da Região de Lisboa (CIL). Em 1979 foi eleito para o Comité Central do PCP e, desde 1992, é membro da sua Comissão Política. É Secretário-geral do PCP desde 2004. Foi eleito deputado à Assembleia Constituinte e à Assembleia da República de 1975 até 1993. Em 2002 foi novamente eleito. O metalúrgico ganha lugar no parlamento. Entra às oito horas na MEC e sai ao meio-dia. Depois de almoço ruma a Lisboa. Em S. Bento, um funcionário cumprimenta-o: «boa tarde Sr. Dr.». Jerónimo responde que não é Doutor, o funcionário, ainda preso à lógica do antigo regime, emenda:«desculpe Sr. Engenheiro»… Foi Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PCP e Vice-Presidente da Comissão de Trabalho, Segurança Social e Família da Assembleia da República. Foi candidato à Presidência da República em 1996. No parlamento e fora dele, Jerónimo de Sousa deu expressão ao protesto, à indignação, ao descontentamento, à luta daqueles que nas mais diversas situações, viram os seus direitos ameaçados, as suas aspirações frustradas pelas sucessivas políticas de direita. Em toda a parte onde se resiste, onde se luta por uma vida mais digna, pela defesa dos postos de trabalho, pela valorização do aparelho produtivo nacional, pela defesa das conquistas alcançadas com a revolução de Abril, os trabalhadores, os portugueses em geral, puderam sempre, nos bons e nos maus momentos, contar com a solidariedade, o empenho, a palavra de um homem que não se conforma com o rumo que Portugal tem seguido e que transmite uma mensagem de combatividade, de esperança de que há outro caminho, de que, com determinação e confiança, é possível uma sociedade mais justa, mais solidária, num Portugal com futuro! |