Lisboa, 27 de Janeiro de 2002
O debate realizado na secção dedicada às "linhas de orientação e estilo de campanha" traduziu-se num valioso conjunto de opiniões, chamadas de atenção, sugestões e contribuições que, em desenvolvimento e enriquecimento das linhas gerais colocadas à reflexão pelo projecto de Declaração do Encontro, serão naturalmente integradas na reflexão do partido e na condução e concretização da pré-campanha e da campanha eleitoral.
Apenas como meros sublinhados, necessariamente sintéticos e incompletos, pensamos serem de destacar os seguintes pontos que, tudo o indica, assumirão em conjunto uma importância decisiva e nuclear na nossa intervenção eleitoral e poderão ser uma condição essencial para o seu êxito.
Em primeiro lugar, a clareza, a convicção e o vigor que precisamos de colocar na afirmação essencial da nossa específica colocação política e identidade eleitoral, ou seja, a colocação e a identidade de uma força eleitoral que sustentará junto dos eleitores que há mais mundos e opções além do mundo e das opções das cansadas e repetitivas alternâncias entre PS e PSD e que sustentará que é a CDU que tem um património de luta e de propostas para uma nova política e que, nestas eleições, representa a maior esperança de uma mudança para melhor.
Em segundo lugar, a clareza, a convicção e o vigor que precisamos de colocar numa intervenção eleitoral que, fugindo às armadilhas do folclore e do nevoeiro eleitoralistas, seja fundamentalmente centrada nos reais problemas dos portugueses e das suas aspirações e no nosso trabalho e propostas para lhes dar resposta, e procure com audácia e sensibilidade convocar mais e mais portugueses para opções eleitorais que, em vez de fazerem tábua rasa do muito que sentiram, sofreram ou se indignaram no passado recente, antes pelo contrário leve a que essa experiência e esses sentimentos estejam vivos e acordados na sua memória no momento do voto.
Em terceiro lugar, a clareza, a convicção e o vigor que precisamos de colocar para, onde quer que tenha sido afectada, deturpada, insultada ou amesquinhada, repormos a verdade sobre o que somos, o que pensamos, o que propomos e o que queremos e para tornarmos mais profícuo o diálogo directo com os eleitores e ganhar uma sua acrescida confiança e consciência de que somos uma força indissociavelmente firme e aberta, responsável e construtiva, de que somos uma força que empunha uma esperança e que quer e pode pesar na evolução da vida política nacional depois de 17 de Março.
Em quarto lugar, a clareza, a convicção e o vigor que precisamos de colocar na denúncia das variantes da política de direita que, com diversos executantes, há anos demais assolam o país, há anos demais não resolvem os problemas de fundo da sociedade portuguesa, há anos demais, no essencial e salvo excepções em alguns temas aplicam as mesmas receitas, as mesmas concepções, os mesmos dogmas, há anos demais praticam a mesma resignação com as mesmas alegadas fatalidades e que, há anos demais, sempre o fazem porque os sagrados interesses a que são fieis estão no poder do dinheiro e não no valor e direitos de quem trabalha.
Em quinto lugar, a clareza, a convicção e o vigor que precisamos de colocar para impedir que a pré-campanha e a campanha, como já está escandalosamente a acontecer, não venha a ser uma espécie de passerelle para os dirigentes e candidatos do PSD, do CDS e do PS que se fingem atacados de amnésia para não assumirem responsabilidades por nada e poderem prometer agora tudo o que não fizeram antes e até o contrário do que fizeram antes, de dirigentes e candidatos do PS, do PSD e do CDS altamente interessados em que o, sem duvida necessário e essencial, confronto entre propostas e projectos para o futuro os furte à prova da coerência com o que defenderam e fizeram antes, melhor dizendo com o que cada partido concretamente defendeu e fez, rejeitou ou aprovou e, nessa matéria, cumpre-nos mostrar na campanha que, pela nossa parte, não só não tememos como vivamente desejamos essa clarificadora prova dos nove entre actos de ontem , palavras de hoje e projectos para amanhã.
Em sexto lugar, e bem podia ser em primeiro e em muitas situações terá mesmo de ser em primeiro lugar, a clareza, a convicção e o vigor que precisamos de colocar para travar com êxito a batalha de esclarecimento em torno da indiscutível, da suprema e da insubstituível utilidade, em qualquer ponto do território nacional, do voto na CDU, o voto que é sempre útil para um resultado global (reforço da CDU, PSD e CDS em minoria na AR, PS sem maioria absoluta) que fortaleça a exigência de uma política e de uma alternativa de esquerda, o voto que é sempre útil para quem o dá, ao contrário de outros casos conhecidos em que, como a experiência está farta de mostrar, só é útil para quem o recebe.
Sobre o estilo de campanha, bastante foi dito esta manhã pelo camarada Jorge Cordeiro e o debate na secção comportou muitos testemunhos que vão também nas direcções propostas, tendo sido expressos interessantes contributos em torno das questões da mensagem, de organização da campanha, de imagem, de comunicação com a juventude, de introdução de elementos de criatividade e quebra de rotinas.
A este respeito, apenas uma observação final. Já sabemos que vamos ter uma pré-campanha e campanha com características mais simplificadas mas, também por isso mesmo, mais exigentes que outras. Mas, também por isso, volta a ser necessário prevenir que errará e muito quem porventura pensar que, nestas condições, o essencial são a fixação da orientação política geral, os cartazes, os folhetos, as reportagens de campanha nos telejornais, os debates televisivos. Tudo isso será sem dúvida muito importante. Mas o decisivo vai ser a capacidade e empenho de cada um de nós para, em toda a parte, dar vida a essas orientações, enriquecê-las e adaptá-las às diversas condições e a capacidade e empenho de todos e cada um de nós para falarmos, com espirito aberto, com os nossos concidadãos e, na base de muitos afluentes de vontade e confiança, dar força a um grande corrente de simpatia pela CDU e de voto na CDU.